{"id":9130,"date":"2021-08-26T16:41:12","date_gmt":"2021-08-26T19:41:12","guid":{"rendered":"https:\/\/lavits.bemvindo.co\/entrevista-anna-bentes-uso-intensivo-a-questao-do-vicio-e-a-economia-da-atencao-nas-redes-sociais\/"},"modified":"2021-08-26T16:41:12","modified_gmt":"2021-08-26T19:41:12","slug":"entrevista-anna-bentes-uso-intensivo-a-questao-do-vicio-e-a-economia-da-atencao-nas-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lavits.org\/en\/entrevista-anna-bentes-uso-intensivo-a-questao-do-vicio-e-a-economia-da-atencao-nas-redes-sociais\/","title":{"rendered":"Uso intensivo, a quest\u00e3o do v\u00edcio e a Economia da Aten\u00e7\u00e3o nas redes sociais, com Anna Bentes"},"content":{"rendered":"<p>Em entrevista \u00e0 jornalista Carol Nalin para O Globo, Anna Bentes discorreu sobre o uso intensivo de redes sociais pelos jovens e as rela\u00e7\u00f5es entre estrat\u00e9gias de engajamento das plataformas e a Economia da Aten\u00e7\u00e3o. Parte da conversa pode ser conferida na mat\u00e9ria <em>Entenda por que o algoritmo do TikTok app \u00e9 t\u00e3o viciante<\/em>, publicada <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/economia\/tecnologia\/entenda-por-que-algoritmo-do-tiktok-app-tao-viciante-25148566\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>A entrevista parte da not\u00edcia de que o TikTok ultrapassou o YouTube em tempo m\u00e9dio gasto por usu\u00e1rio nos Estados Unidos e no Reino Unido e do questionamento da jornalista: seria o algoritmo do TikTok mais \u201cviciante\u201d? Bentes, que pesquisou o Instagram durante o mestrado, repercute a not\u00edcia para analisar os mecanismos de captura de aten\u00e7\u00e3o, o conceito de Economia da Aten\u00e7\u00e3o e o m\u00e9todo de \u201cenganchar e engajar\u201d, utilizado n\u00e3o s\u00f3 pelo TikTok, mas tamb\u00e9m pelas principais plataformas para reter pessoas usu\u00e1rias em suas redes. Confira abaixo a \u00edntegra da entrevista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Carol Nalin: <\/b><em>Segundo relat\u00f3rio da AppAnnie, o TikTok ultrapassou o YouTube em tempo m\u00e9dio mensal gasto por usu\u00e1rio nos Estados Unidos e no Reino Unido. Em maio de 2021, o usu\u00e1rio m\u00e9dio passava 24,5 horas por m\u00eas no TikTok nos EUA contra 22h gastas no YouTube. No Reino Unido, s\u00e3o quase 26 horas no TikTok contra 16 horas no YouTube. O algoritmo do TikTok \u00e9 mesmo mais \u201cviciante\u201d? Por que essa rede social atrai tanto os usu\u00e1rios, sobretudo os mais jovens?<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Anna Bentes:<\/strong> Para responder sua pergunta precisamos considerar algumas coisas antes. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Todas as redes sociais funcionam hoje sob uma l\u00f3gica do que vem sendo chamado de <\/span><b>Economia da Aten\u00e7\u00e3o, <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">que envolve uma disputa econ\u00f4mica pela aten\u00e7\u00e3o nesse contexto marcado por um excesso de informa\u00e7\u00f5es e de conte\u00fados. Nas redes sociais, essa l\u00f3gica de disputa pela aten\u00e7\u00e3o atravessa dois n\u00edveis: o primeiro \u00e9 a disputa entre as\u00a0 pr\u00f3prias empresas e plataformas, que concorrem entre si pelo tempo e aten\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios e tamb\u00e9m com nossas outras atividades. <\/span><a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/technology\/2017\/apr\/18\/netflix-competitor-sleep-uber-facebook\"><span style=\"font-weight: 400;\">Uma fala que costumo lembrar \u00e9 aquela do CEO da Netflix<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> quando perguntaram para ele quem eram os grandes competidores da plataforma e ele disse que era o sono. Ent\u00e3o, as plataformas disputam entre elas e tamb\u00e9m com as outras coisas que fazemos na nossa vida \u00fatil e acordada. Nesse n\u00edvel, as plataformas e, sobretudo, as redes sociais que possuem um modelo de neg\u00f3cios baseado em publicidade, dependem que voc\u00ea passe o mais tempo poss\u00edvel ali, pois \u00e9 assim que elas acumulam maior volume de dados e permitem que o usu\u00e1rio esteja mais exposto aos an\u00fancios, que efetivamente s\u00e3o aquilo que vai dar mais dinheiro para elas.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O segundo n\u00edvel dessa disputa de aten\u00e7\u00e3o \u00e9 aquela entre os pr\u00f3prios usu\u00e1rios, ou seja, quem ganha mais seguidores, mais visualiza\u00e7\u00f5es, produz mais engajamento etc. Nesse n\u00edvel, \u00e9 preciso considerar que uma s\u00e9rie de fatores culturais, sociais, tecnol\u00f3gicos, hist\u00f3ricos, entre outros, vieram transformando nas \u00faltimas d\u00e9cadas nossa subjetividade. E o regime de subjetividade e as formas culturais que se consolidaram valorizam, cada vez mais, a visibilidade: quanto mais algu\u00e9m \u00e9 vis\u00edvel, \u00e9 mais admirado, \u00e9 mais bem-sucedido etc. Ent\u00e3o, ser objeto da aten\u00e7\u00e3o do outro \u00e9 muito importante e isso nutre um modo de agir socialmente que \u00e9 mediado pelas plataformas.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O que eu quero ressaltar com isso \u00e9 que o fato das pessoas estarem cada vez mais enganchadas nessas plataformas n\u00e3o pode ser visto apenas como um resultado do investimento das empresas em t\u00e9cnicas persuasivas para capturar a sua aten\u00e7\u00e3o e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, te viciar. O fato de estarmos enganchados tem a ver tamb\u00e9m com mudan\u00e7as mais amplas hist\u00f3ricas, sociais, subjetivas e culturais que v\u00e3o atribuindo valor a esses modos de socializa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em suma, sem uma pesquisa espec\u00edfica sobre a plataforma Tik Tok e suas funcionalidades, n\u00e3o posso afirmar se ele \u00e9 mais viciante ou n\u00e3o, mas posso dizer que, a princ\u00edpio, ele est\u00e1 seguindo um caminho muito parecido com as outras plataformas, disponibilizando recursos para operar nesses dois n\u00edveis que mencionei e no qual operam a economia da aten\u00e7\u00e3o atual.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sobre a sua d\u00favida a respeito do porqu\u00ea as pessoas mais jovens est\u00e3o acessando mais o Tik Tok e n\u00e3o outras plataformas, esses dois n\u00edveis tamb\u00e9m precisam ser considerados. Em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro, uma hip\u00f3tese que podemos especular \u00e9 que possivelmente pessoas mais jovens est\u00e3o mais vulner\u00e1veis aos mecanismos psicol\u00f3gicos persuasivos das plataformas. Por isso, elas estariam mais suscept\u00edveis a serem influenciadas a se manter ali dentro, mas estariam igualmente em outras plataformas.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um segundo aspecto \u00e9 que, na nossa hist\u00f3ria recente, pelo menos desde a d\u00e9cada de 1960 quando come\u00e7ou a se construir um tipo de cultura e um mercado de consumo voltados para juventude, ser jovem passou a implicar ter alguma marca de diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s gera\u00e7\u00f5es mais velhas. E o mercado se aproveitou e continua se aproveitando disso, criando produtos espec\u00edficos para jovens dentro e fora do mundo digital.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu n\u00e3o sou da gera\u00e7\u00e3o Z, sou uma millenial e, por isso, acompanhei o surgimento e crescimento das redes sociais como Facebook e Instagram. Quando elas surgiram eram uma coisa para os jovens. Eu lembro bem de compartilhar um post no Facebook quando a minha av\u00f3 entrou na rede social e, provavelmente, ali para mim ela entrou em decad\u00eancia. Ent\u00e3o, hoje, se todos os adultos da gera\u00e7\u00e3o anterior est\u00e3o no Facebook, Instagram e Twitter, os jovens das novas gera\u00e7\u00f5es provavelmente n\u00e3o querem estar nesses lugares, querem construir seus pr\u00f3prios espa\u00e7os.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outro fator que corrobora essa perspectiva \u00e9 que as redes sociais implicam uma exposi\u00e7\u00e3o muito grande e sobretudo dos jovens. E eles, desde muito cedo, est\u00e3o aprendendo as \u201cetiquetas sociais\u201d de como se portar em uma rede social. Mas, como eles ainda est\u00e3o se conhecendo, testando seus limites, conhecendo sua personalidade, construindo sua identidade p\u00fablica e privada, para eles, n\u00e3o \u00e9 bom estar num espa\u00e7o onde podem ser constantemente vigiados pelos pais e, assim, sofrer certas censuras e obje\u00e7\u00f5es.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o, acho que esses s\u00e3o alguns pontos que, ao meu ver, nos ajudam a entender porque os jovens est\u00e3o mais no Tik Tok e n\u00e3o em outra rede social. Hoje pode ser o Tik Tok, mas amanh\u00e3 os jovens da gera\u00e7\u00e3o seguinte podem estar em outro app. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Carol Nalin: <\/b><em>Quais dispositivos dentro do app ajudam a causar esse \u201cv\u00edcio\u201d? (ex.: barra de rolagem infinita, recomenda\u00e7\u00f5es muito bem segmentadas&#8230;?) Tem algo que o TikTok faz de diferente em compara\u00e7\u00e3o com as outras redes sociais?<\/em><\/p>\n<p><strong>Anna Bentes: <\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">Essa \u00e9 uma pergunta muito importante. Atualmente, est\u00e3o crescendo os estudos voltados para entender os mecanismos psicol\u00f3gicos que est\u00e3o sendo explorados em plataformas digitais e tamb\u00e9m sobre quais s\u00e3o as refer\u00eancias te\u00f3ricas que embasam essas t\u00e9cnicas. Esse \u00e9 um dos interesses do projeto <\/span><a href=\"http:\/\/medialabufrj.net\/projetos\/economia-psiquica-dos-algoritmos-racionalidade-subjetividade-conduta-em-plataformas-digitais\/\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Economia Ps\u00edquica dos Algoritmos<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> que a gente vem realizando no MediaLab.UFRJ.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Antes de falar dos mecanismos propriamente ditos queria ressaltar uma coisa. Como eu disse antes, essas plataformas dependem que os usu\u00e1rios passem o m\u00e1ximo de tempo poss\u00edvel enganchados e engajados, pois \u00e9 assim que eles acumulam dados e exp\u00f5e os usu\u00e1rios aos an\u00fancios. Portanto, eles precisam criar mecanismos que garantam n\u00e3o apenas que o usu\u00e1rio acesse pontualmente a plataforma, mas que o usu\u00e1rio retorne a ela com frequ\u00eancia, ou seja, eles precisam formar h\u00e1bitos de uso. Esse \u00e9 um fator diferencial em produtos digitais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E a fronteira entre h\u00e1bito e v\u00edcio pode ser muito t\u00eanue e pode ser diferente para cada um.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Os mecanismos usados para formar h\u00e1bitos, provavelmente, s\u00e3o os mesmos que podem nos viciar. Vou destacar aqui dois que encontramos amplamente em diferentes plataformas.\u00a0 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">1. Gatilhos ou est\u00edmulos: qualquer tipo de notifica\u00e7\u00e3o visual ou sonora que capture sua aten\u00e7\u00e3o para te levar para dentro da plataforma. Estes s\u00e3o extremamente irritantes e irresist\u00edveis de olhar e prejudicam imensamente nosso foco em outras atividades. E com o tempo, o que algumas pesquisas t\u00eam mostrado \u00e9 que quanto mais somos interrompidos externamente, mais tendemos a nos auto interromper. Quanto mais usamos as plataformas, formamos esses h\u00e1bitos, mais a gente associa certos sentimentos ou estados emocionais a entrar na plataforma. Por exemplo, o t\u00e9dio virou algo praticamente insuport\u00e1vel para n\u00f3s usu\u00e1rios das redes sociais. A gente n\u00e3o pode estar em uma fila, num sinal (mesmo dirigindo) ou qualquer outra atividade que demande espera que a gente imediatamente saca o celular e d\u00e1 aquela conferida nas mensagens. <\/span><\/p>\n<p>2. Recompensas vari\u00e1veis: envolvem mecanismos baseados em princ\u00edpios da psicologia behaviorista que afirmam que, se as recompensas variam \u2013 ou seja, ora voc\u00ea \u00e9 recompensado e ora voc\u00ea n\u00e3o \u00e9, portanto, \u00e9 um processo intermitente \u2013 voc\u00ea tende a aumentar consideravelmente a frequ\u00eancia daquele comportamento. Ent\u00e3o, toda a vez que voc\u00ea acessa uma rede social voc\u00ea n\u00e3o sabe o que vai ter ali: pode ter uma mensagem do crush, pode ter uma chuva de likes em uma postagem, mas n\u00e3o pode ter absolutamente nada. Essa variabilidade entre algo que voc\u00ea queria ver e nada \u00e9 um mecanismo considerado extremamente viciante pelos cr\u00edticos da Economia da Aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 algo muito parecido com a m\u00e1quina de ca\u00e7a n\u00edquel. Todos os feeds funcionam assim, trata-se daquele mecanismo chamado em ingl\u00eas de \u201cpull do refresh\u201d, que coincidentemente \u00e9 quase uma mimese do gesto de apertar a alavanca do ca\u00e7a n\u00edquel.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 claro que existem diversos outros: os mecanismos de personaliza\u00e7\u00e3o de conte\u00fados, que se baseiam no monitoramento ininterrupto dos seus dados; a explora\u00e7\u00e3o de certos vieses cognitivos, emocionais e comportamentais tanto por meio de recomenda\u00e7\u00f5es personalizadas quanto por elementos do design da plataforma; os pr\u00f3prios likes, que s\u00e3o recompensas sociais e que despertam muit\u00edssimo interesse dos usu\u00e1rios em checar as plataformas; os mecanismos de autoplay que exploram um vi\u00e9s na economia comportamental chamado \u201cvi\u00e9s do status quo\u201d que diz que tendemos a permanecer na in\u00e9rcia de uma atividade; enfim, s\u00e3o diversos, alguns mais persuasivos do que outros e uns mais viciantes do que outros.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Alguns desses mecanismos v\u00eam sendo chamados de <\/span><a href=\"https:\/\/www.darkpatterns.org\/\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Dark patterns<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, que seriam esses padr\u00f5es em design da plataforma que exploram truques psicol\u00f3gicos e formas de enganar o usu\u00e1rio em prol do lucro da plataforma.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Carol Nalin: <\/b><em>\u00c9 poss\u00edvel dizer quais s\u00e3o as principais diferen\u00e7as entre os sistemas de recomenda\u00e7\u00e3o e o modelo de neg\u00f3cio do TikTok frente ao Facebook ou YouTube? \u00c9 algo como \u201co Facebook ganha mais com publicidade e utiliza no algoritmo o que os seus amigos tamb\u00e9m curtiram pra determinar o seu conte\u00fado, da\u00ed faz sentido ir alternando os conte\u00fados oferecidos ao usu\u00e1rio, enquanto no TikTok \u00e9 ficar l\u00e1 e ficar l\u00e1\u201d? Ou n\u00e3o \u00e9 bem assim?<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Anna Bentes:<\/strong> N\u00e3o tenho uma pesquisa sistematizada sobre o Tik tok para investigar particularidades em rela\u00e7\u00e3o a outras plataformas, mas existem as diferen\u00e7as conhecidas nas funcionalidades como novas formas de editar imagem e som e tamb\u00e9m nos modos de uso.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar das diferen\u00e7as, acho que essas plataformas t\u00eam muito mais coisa em comum em seus algoritmos e modelos de neg\u00f3cio do que possa se pensar. Claro que cada uma das grandes plataformas, sobretudo as maiores que s\u00e3o Google, Facebook, Amazon, Apple, Microsoft, possuem certas nuances nos seus modelos de neg\u00f3cio e tamb\u00e9m no funcionamento de seus mecanismos tecnol\u00f3gicos. Cada uma delas mant\u00e9m formas diversificadas de capitaliza\u00e7\u00e3o: por exemplo, a Amazon e a Apple vendem produtos f\u00edsicos, enquanto a Google e o Facebook trabalham basicamente com o modelo de publicidade. A Amazon e a Apple t\u00eam mecanismos de assinatura, como Prime Videos e o iCloud.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Todas essas big techs crescem exponencialmente e um dos motivos \u00e9, sem d\u00favidas, porque elas souberam reduzir a competitividade ao comprar servi\u00e7os menores e\/ou incorpor\u00e1-los em sua empresa. Por exemplo, Facebook comprando o Instagram e o WhatsApp. O Google tamb\u00e9m comprou diversas outras startups menores ao longo de sua hist\u00f3ria. N\u00e3o \u00e0 toa, v\u00e1rias delas est\u00e3o sendo acusadas de pr\u00e1tica de monop\u00f3lio. Quando n\u00e3o d\u00e1 certo comprar empresas menores, j\u00e1 vimos as plataformas copiarem os mecanismos populares de outras plataformas, como foi o caso do Instagram com o Snapchat, que deu origem aos stories, e est\u00e1 sendo agora com o Tik Tok e a cria\u00e7\u00e3o do reels.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E o que elas t\u00eam em comum e que as insere em uma l\u00f3gica chamada hoje de capitalismo de vigil\u00e2ncia \u00e9 o fato de utilizarem dados e sistemas automatizados de intelig\u00eancia artificial e ci\u00eancia de dados para produ\u00e7\u00e3o de conhecimento estrat\u00e9gico a fim de prever e modificar comportamentos em tempo real. Os dados n\u00e3o t\u00eam valor em si mesmos. A produ\u00e7\u00e3o de valor acontece a partir do tratamento e da an\u00e1lise e do potencial de utilizar esse conhecimento para diversas finalidades: desde a personaliza\u00e7\u00e3o de conte\u00fados, a otimiza\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios servi\u00e7os, a gera\u00e7\u00e3o de insights e cria\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de mercado, etc.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os algoritmos de intelig\u00eancia artificial \u2013 que s\u00e3o importantes personagens na gera\u00e7\u00e3o de valor por essas empresas, pois s\u00e3o aquilo que permite efetivamente processar esse imenso volume de dados e assim tornar vis\u00edvel, intelig\u00edvel e operacionaliz\u00e1vel padr\u00f5es de comportamento \u2013 s\u00f3 funcionam bem com imensos volumes de dados. Por isso, cada uma dessas empresas busca ininterruptamente diversificar suas fontes de extra\u00e7\u00e3o de dados e atualiz\u00e1-los indefinidamente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu n\u00e3o estudei a fundo o TikTok especificamente e nem tenho experi\u00eancia como usu\u00e1ria, mas ele est\u00e1 certamente nessa l\u00f3gica do capitalismo de vigil\u00e2ncia. A plataforma vem investindo pesado e usando essa estrat\u00e9gia de recompensas at\u00e9 mesmo financeiras para come\u00e7ar a levar usu\u00e1rios l\u00e1 para dentro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Carol Nalin: <\/b><em>O que parece estar por tr\u00e1s dessas decis\u00f5es das plataformas dos EUA (Instagram Reels, Netflix Fast Laughs, Ideas Pins do Pinterest\u2026),\u00a0 de\u00a0 implementarem recursos para v\u00eddeos curtos nas suas plataformas, tal qual o app chin\u00eas TikTok?<\/em><\/p>\n<p><strong>Anna Bentes: <\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">Bem, tem dois principais fatores que eu vejo nesse movimento. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro \u00e9 comercial\/econ\u00f4mico. Creio que isso \u00e9 a boa e velha competitividade do capitalismo. Essas plataformas est\u00e3o vendo o Tik Tok crescer e est\u00e3o preocupadas dele roubar o seu p\u00fablico, por isso, inferem que o p\u00fablico estariam interessado nesses tipos de mecanismos e os reproduzem, apostando que, caso tenham aqueles recursos ali, provavelmente seus usu\u00e1rios n\u00e3o deixariam de usar o seu servi\u00e7o e migrar para o outro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que \u00e9 uma estrat\u00e9gia, a meu ver, parcialmente eficaz. Por exemplo, a gente viu, em 2016, o Instagram praticamente copiar o Snapchat ao lan\u00e7ar os stories depois de uma tentativa n\u00e3o sucedida de tentar compr\u00e1-lo. E de fato, o Stories deu muito certo. Ele aumentou consideravelmente o n\u00famero de usu\u00e1rios no Instagram e o tempo de uso do app. Apesar disso, o Snapchat continuou existindo entre os jovens, talvez n\u00e3o com a mesma for\u00e7a, n\u00e3o ao ponto de roubar o mercado do Instagram, mas continua existindo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas eu vi muitos usu\u00e1rios postando algo do tipo \u201cInstagram, se eu quisesse estar no Tik Tok, eu iria para o Tik Tok\u201d como uma esp\u00e9cie de protesto \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o dessas ferramentas. Por\u00e9m, o que eu acho que essas pessoas n\u00e3o entenderam \u00e9 que o que o Instagram quer com isso n\u00e3o \u00e9 apenas evitar que seus usu\u00e1rios ativos migrem para o Tik Tok, mas ele quer levar os usu\u00e1rios do Tik Tok para o Instagram. Acho que com esse gesto as plataformas n\u00e3o est\u00e3o apenas preocupadas em perder os usu\u00e1rios que elas j\u00e1 t\u00eam \u2013\u00a0pois elas sabem que, uma vez ali dentro, \u00e9 dif\u00edcil que os usu\u00e1rios saiam dali para um outro servi\u00e7o como substituto \u2013 mas, minha leitura \u00e9 que esse gesto tem mais a ver em n\u00e3o deixar que novos usu\u00e1rios irem direto para a rede social concorrente. As pessoas podem usar tamb\u00e9m o servi\u00e7o concorrente e, claro que, a longo prazo, o Instagram pode ir perdendo p\u00fablico, mas a preocupa\u00e7\u00e3o principal acho que \u00e9 n\u00e3o deixar acontecer em parte aconteceu com o Facebook que \u00e9 ter se tornado um lugar \u201cde velho\u201d. Os jovens j\u00e1 n\u00e3o usam mais o Facebook, o que para a plataforma a longo prazo \u00e9 uma senten\u00e7a de morte com dia e hora marcados.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O segundo fator envolve mudan\u00e7as subjetivas e culturais mais amplas. A incorpora\u00e7\u00e3o desses recursos tem a ver com algo que eu disse no in\u00edcio sobre a cultura ter se tornado extremamente visual e termos a visibilidade, constantemente editada por ferramentas de redes sociais, como um importante fator de pertencimento social. Em certo sentido, o pr\u00f3prio Instagram e outras plataformas j\u00e1 estavam caminhando nessa dire\u00e7\u00e3o e n\u00e3o h\u00e1 nada t\u00e3o inovador no Tik Tok nesse sentido. O que ele traz \u00e9 de fato ferramentas, possivelmente, mais f\u00e1ceis de usar para editar v\u00eddeos, profissionalizando ainda mais os v\u00eddeos amadores dos stories e do feed do Instagram.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No in\u00edcio da internet, antes das redes sociais se popularizarem, quando ainda v\u00edamos muito presente a l\u00f3gica do blog como um espa\u00e7o de exposi\u00e7\u00e3o pessoal, os blogs foram frequentemente interpretados como novos tipos de di\u00e1rios \u00edntimos. Essa interpreta\u00e7\u00e3o via aquilo que antes a gente fazia em espa\u00e7os privados deslocando-se para os olhos p\u00fablicos,\u00a0 como se a gente tivesse apenas fazendo algo que faz\u00edamos antes em um espa\u00e7o diferente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas essa leitura j\u00e1 mudou muito. Hoje sabemos que muito do que \u00e9 mostrado nas redes sociais n\u00e3o s\u00e3o necessariamente representa\u00e7\u00f5es fi\u00e9is da realidade, o que n\u00e3o significa que \u00e9 uma mentira o que est\u00e1 ali. O que est\u00e1 ali nem sempre segue crit\u00e9rios de verdade e mentira, mas sim de performatividade, ou seja, se os conte\u00fados s\u00e3o mais ou menos editado, pousado, interpretado. Claro que se a gente discute o fen\u00f4meno das fake news e da desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 um pouco mais complexo, mas a performatividade \u00e9 uma esp\u00e9cie de term\u00f4metro subjetivo muito valorizado: se uma determinado conte\u00fado alcan\u00e7ou muitos likes, compartilhamentos e visualiza\u00e7\u00f5es. E muitas vezes, nesses espa\u00e7os, a performatividade \u00e9 avaliada pela apar\u00eancia de espontaneidade e de autenticidade de uma a\u00e7\u00e3o, mesmo que todo mundo saiba que aquele conte\u00fado tenha sido cuidadosamente editado, pensado e tratado. A gente n\u00e3o posta mais qualquer coisa. A gente sabe que pode ser cancelado, sabe o que pode dar mais ou menos like&#8230;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na minha pesquisa do mestrado, eu chamei essa subjetividade que vem se consolidando nas redes sociais de \u201cselfie influencer\u201d para denominar esse eu empreendedor de si que se exp\u00f5e, espetaculariza a sua vida, suas conquistas e sucessos e que \u00e9 ao mesmo tempo artista, curador, produtor e espectador da sua pr\u00f3pria imagem.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E a meu ver, o Tik Tok refor\u00e7a algumas dessas l\u00f3gicas, mas apostando em refor\u00e7ar algumas dire\u00e7\u00f5es espec\u00edficas: j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 focando tanto na espontaneidade, na exposi\u00e7\u00e3o da intimidade, algo que o Instagram trouxe demais com os Stories. Quando o Instagram lan\u00e7ou os Stories em 2016 ele diz que, com esta ent\u00e3o nova funcionalidade, voce\u0302 poderia compartilhar na\u0303o apenas os momentos importantes mas tambe\u0301m \u201ctudo entre eles\u201d. O Tik Tok aposta menos nesse usu\u00e1rio que se exp\u00f5e do que no usu\u00e1rio como produtor de conte\u00fado que est\u00e1 se profissionalizando. Por\u00e9m, \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u201cprofissionaliza\u00e7\u00e3o de n\u00e3o profissionais\u201d que est\u00e1 aperfei\u00e7oando sua habilidade de edi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo e de efetivamente ter um conte\u00fado pensado, planejado, editado, ao alcance de pessoas n\u00e3o-profissionais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Carol Nalin: <\/b><em>Quais as consequ\u00eancias desse uso desenfreado do TikTok e do YouTube pelos usu\u00e1rios, sobretudo crian\u00e7as e adolescentes? Nessa semana, adolescente de 16 anos, filho da cantora Walkyria Santos tirou a pr\u00f3pria vida ap\u00f3s receber ataques no TikTok.<\/em><\/p>\n<p><strong>Anna Bentes: <\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">Esse \u00e9 um tema complexo. J\u00e1 existem algumas pesquisas que relacionam, por exemplo, o aumento do uso de redes sociais e taxas de ansiedade, depress\u00e3o e outros transtornos entre jovens. E essas taxas envolvem diversas camadas e quest\u00f5es a respeito do uso dessas redes sociais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma delas \u00e9 a quest\u00e3o da autoimagem. Pois, como est\u00e1vamos dizendo, as pessoas sabem o que est\u00e3o compartilhando e, na maioria das vezes, \u00e9 a melhor vers\u00e3o de si, ou apenas uma boa vers\u00e3o de si. Quando voc\u00ea consome esse tipo de conte\u00fado de forma continuada, ainda mais jovens que est\u00e3o em fase de amadurecimento, voc\u00ea passa a ter a impress\u00e3o de que a vida das pessoas \u00e9 incr\u00edvel, maravilhosa, elas s\u00e3o bonitas, magras, saud\u00e1veis, ricas. Voc\u00ea produz um sentimento de compara\u00e7\u00e3o e uma sensa\u00e7\u00e3o de estar sempre aqu\u00e9m de tudo isso.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outra coisa, \u00e9 essa cultura do cancelamento ou de ciberbullying que \u00e9 extremamente nociva para todas as idades. Por permitirem que voc\u00ea esteja se comunicando com algu\u00e9m que voc\u00ea n\u00e3o conhece, que n\u00e3o est\u00e1 olhando para a cara da pessoa, ter a possibilidade de editar a mensagem etc, parece que as redes sociais diminuem certas barreiras para as pessoas falarem exatamente aquilo que lhes vem \u00e0 mente. Claro que, com isso, ganhamos um imenso potencial de liberdade de express\u00e3o, mas tamb\u00e9m liberdade de express\u00e3o n\u00e3o significa poder falar qualquer coisa em qualquer momento. A sua liberdade de se expressar n\u00e3o pode ferir a liberdade do outro. E ouvir certas coisas d\u00f3i, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. N\u00e3o \u00e9 qualquer um que sabe lidar com cr\u00edticas, com rejei\u00e7\u00e3o social.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, algo que \u00e9 preocupante \u00e9 que s\u00e3o os mecanismos viciantes. Se at\u00e9 a gera\u00e7\u00e3o que viveu fora desses espa\u00e7os de sociabilidade est\u00e1 tendo dificuldades com isso, imagina para as gera\u00e7\u00f5es cuja refer\u00eancia \u00e9 apenas esses modos de sociabilidade online. E acho que isso ainda pode trazer impactos sociais e subjetivos ainda n\u00e3o previstos. Fora todos os efeitos em nossos regimes atencionais e a rela\u00e7\u00e3o com o aumento de medicamentos para otimizar a performance.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esses s\u00e3o apenas alguns exemplos.\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista \u00e0 jornalista Carol Nalin para O Globo, Anna Bentes discorreu sobre o uso intensivo de redes sociais pelos jovens e as rela\u00e7\u00f5es entre estrat\u00e9gias de engajamento das plataformas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":8833,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"_EventAllDay":false,"_EventTimezone":"","_EventStartDate":"","_EventEndDate":"","_EventStartDateUTC":"","_EventEndDateUTC":"","_EventShowMap":false,"_EventShowMapLink":false,"_EventURL":"","_EventCost":"","_EventCostDescription":"","_EventCurrencySymbol":"","_EventCurrencyCode":"","_EventCurrencyPosition":"","_EventDateTimeSeparator":"","_EventTimeRangeSeparator":"","_EventOrganizerID":[],"_EventVenueID":[],"_OrganizerEmail":"","_OrganizerPhone":"","_OrganizerWebsite":"","_VenueAddress":"","_VenueCity":"","_VenueCountry":"","_VenueProvince":"","_VenueState":"","_VenueZip":"","_VenuePhone":"","_VenueURL":"","_VenueStateProvince":"","_VenueLat":"","_VenueLng":"","_VenueShowMap":false,"_VenueShowMapLink":false,"footnotes":""},"categories":[956],"tags":[],"tematica":[866,893,933,952],"destaque":[],"class_list":["post-9130","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-2-en","tematica-capitalismo-de-plataforma-en","tematica-economia-da-atencao-en","tematica-subjetividade-en","tematica-visibilidade-en"],"blocksy_meta":{"styles_descriptor":{"styles":{"desktop":"","tablet":"","mobile":""},"google_fonts":[],"version":6}},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9130","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9130"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9130\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8833"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9130"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9130"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9130"},{"taxonomy":"tematica","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tematica?post=9130"},{"taxonomy":"destaque","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/destaque?post=9130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}