{"id":9252,"date":"2020-09-29T11:50:08","date_gmt":"2020-09-29T14:50:08","guid":{"rendered":"https:\/\/lavits.bemvindo.co\/lavits_covid19_21-movimentos-antirracistas-nas-redes-ativismo-e-cobertura-jornalistica-em-tempos-de-pandemia\/"},"modified":"2020-09-29T11:50:08","modified_gmt":"2020-09-29T14:50:08","slug":"lavits_covid19_21-movimentos-antirracistas-nas-redes-ativismo-e-cobertura-jornalistica-em-tempos-de-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lavits.org\/en\/lavits_covid19_21-movimentos-antirracistas-nas-redes-ativismo-e-cobertura-jornalistica-em-tempos-de-pandemia\/","title":{"rendered":"#21: Movimentos antirracistas nas redes: ativismo e cobertura jornal\u00edstica em tempos de pandemia"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Nina Santos e Lucas Reis<\/em><em>*<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os movimentos antirracistas ganharam novo f\u00f4lego durante a pandemia de Covid-19. Uma s\u00e9rie de epis\u00f3dios de viol\u00eancia contra pessoas negras tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos reavivaram o debate a as mobiliza\u00e7\u00f5es por justi\u00e7a social e racial. Como veremos a seguir, esses movimentos ganharam for\u00e7a a partir do final de maio, momento em que v\u00e1rias partes do planeta estavam com pol\u00edtica de isolamento social em vigor por conta da pandemia da COVID 19. As pessoas n\u00e3o podiam ou, ao menos, evitavam ir \u00e0s ruas. Nesse contexto, os ambientes digitais tornaram-se ainda mais centrais como espa\u00e7os de visibilidade, conversa\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso considerar, no entanto, que diferentes espa\u00e7os online seguem diferentes din\u00e2micas. Enquanto os meios jornal\u00edsticos profissionais est\u00e3o fundados no papel dos jornalistas como gatekeepers \u2013 aqueles capazes de decidir o que merece ou n\u00e3o ser levado \u00e0 esfera de visibilidade p\u00fablica &#8211; de acordo com a deontologia do campo e com os padr\u00f5es da ind\u00fastria de informa\u00e7\u00e3o, nas m\u00eddias sociais emergem uma s\u00e9rie de novas media\u00e7\u00f5es (SANTOS, 2019) que v\u00e3o complexificar esse processo.<\/p>\n<p>Por outro lado, tamb\u00e9m n\u00e3o se pode ignorar a constante intera\u00e7\u00e3o entre esses espa\u00e7os, ou seja, nem os <em>sites<\/em> jornal\u00edsticos nem as m\u00eddias sociais operam isoladamente dentro das suas l\u00f3gicas fechadas. Os conte\u00fados que circulam nos diversos ambientes digitais se interinfluenciam continuamente gerando o que Andrew Chadwick vai chamar de sistema midi\u00e1tico h\u00edbrido (2013), em que a novidade n\u00e3o est\u00e1 necessariamente em m\u00eddias novas, mas sim nas in\u00e9ditas combina\u00e7\u00f5es que tornam-se poss\u00edveis entre diferentes l\u00f3gicas midi\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Neste contexto, buscamos ent\u00e3o explorar as diferentes din\u00e2micas e interinflu\u00eancias entre os fluxos de informa\u00e7\u00e3o publicados no Twitter e nos ve\u00edculos de not\u00edcias <em>online<\/em> acerca dos movimentos antirracistas em 2020 no Brasil. Para entender esse fen\u00f4meno, trabalhamos com dois conjuntos de dados. O primeiro re\u00fane 5.811.499 <em>tweets<strong>[1]<\/strong><\/em> que citam ou a <em>hashtag<\/em> #BlackLivesMatter ou #VidasNegrasImportam, em portugu\u00eas, no per\u00edodo de 10 semanas entre os dias 12 de maio e 19 de julho. O segundo \u00e9 composto de 1650 mat\u00e9rias publicadas em <em>sites<\/em> de not\u00edcias brasileiro com as express\u00f5es \u201cBlack Lives Matter\u201d ou \u201cVidas Negras Importam\u201d, no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Como podemos ver na<strong> Imagem 1<\/strong>, o m\u00eas de maio come\u00e7a com um n\u00famero baixo de men\u00e7\u00f5es aos movimentos, mesmo no dia da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura (13 de maio). Do dia 18 para o dia 19 de maio, no entanto, as men\u00e7\u00f5es ao movimento registram um primeiro pico passando de 135 (18\/05) para quase 95 mil (19\/05) em fun\u00e7\u00e3o do assassinato do menino Jo\u00e3o Pedro, no Rio de Janeiro. Um segundo momento de alta acontece no dia 28 de maio, reflexo do assassinato de George Floyd, que havia acontecido em 25 de maio. Neste dia, as men\u00e7\u00f5es passam de 260 mil. A morte do cidad\u00e3o americano continua repercutindo bastante nos dias seguintes e a conversa\u00e7\u00e3o atinge seu \u00e1pice no dia 4 de junho, quando soma-se ainda \u00e0 repercuss\u00e3o de uma s\u00e9rie de protestos de rua ao redor do mundo e da morte do menino Miguel, no Recife. No seu auge, foram mais de 1.250.000 tweets com ao menos uma das duas <em>hashtags<\/em> estudadas.<\/p>\n<p>Para se ter no\u00e7\u00e3o do tamanho do movimento, vale mencionar que estudos sobre momentos anteriores do movimento Black Lives Matter haviam encontrado movimenta\u00e7\u00f5es muito menores no Twitter. Ince, Rojas e David (2017), estimam que houve 660 mil tweets com a hashtag #blacklivesmatter durante 11 meses de 2014. J\u00e1 Freelon, Mcilwain e Clark (2016) identificam 4,312,599 men\u00e7\u00f5es ao termo no per\u00edodo de 1 ano, entre junho de 2014 e maio de 2015. Anderson et al. (2018) fazem uma an\u00e1lise mais longa, de julho de 2013 a maio de 2018, identificando 30 milh\u00f5es de men\u00e7\u00f5es em todo o per\u00edodo, uma m\u00e9dia de 17 mil por dia. \u00c9 preciso considerar ainda que todos estes estudos baseiam-se em <em>corpus<\/em> em ingl\u00eas, l\u00edngua original do movimento, onde se sup\u00f5e que as men\u00e7\u00f5es sejam mais elevadas. Portanto, encontrar quase 6 milh\u00f5es de men\u00e7\u00f5es em pouco mais de dois meses de 2020, em portugu\u00eas, \u00e9 um n\u00famero impressionante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-8524 size-full\" src=\"https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled.png\" alt=\"\" width=\"975\" height=\"726\" srcset=\"https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled.png 975w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled-400x298.png 400w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled-768x572.png 768w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled-820x611.png 820w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled-150x112.png 150w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled-80x60.png 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 975px) 100vw, 975px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 1<\/strong> \u2013 Tweets com #blacklivesmatter ou #vidasnegrasimportam em portugu\u00eas<br \/>\n12\/05\/2020 a 19\/07\/2020<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Fonte: elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os n\u00fameros de movimenta\u00e7\u00e3o no Twitter, apesar de importantes, sozinhos dizem-nos pouco sobre a din\u00e2mica comunicacional em torno do movimento antirracista. Neste sentido, vale comparar essa linha do tempo com aquela formada pelas mat\u00e9rias online nos ve\u00edculos jornal\u00edsticos (<strong>Imagem 2<\/strong>). Nela podemos ver algumas diferen\u00e7as importantes em rela\u00e7\u00e3o ao Twitter. A primeira \u00e9 que o assassinato de Jo\u00e3o Pedro n\u00e3o causa nenhuma altera\u00e7\u00e3o na curva de men\u00e7\u00f5es aos movimentos antirracistas nos ve\u00edculos jornal\u00edsticos <em>online<\/em>. Foram apenas duas mat\u00e9rias coletadas no dia 19 de maio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8527\" src=\"https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled2.png\" alt=\"\" width=\"975\" height=\"471\" srcset=\"https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled2.png 975w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled2-400x193.png 400w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled2-768x371.png 768w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled2-820x396.png 820w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled2-150x72.png 150w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled2-80x39.png 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 975px) 100vw, 975px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 2<\/strong> \u2013 Mat\u00e9rias com as express\u00f5es Black Lives Matter ou Vidas Negras Importam em ve\u00edculos de m\u00eddia brasileiros<br \/>\n12\/05\/2020 a 19\/07\/2020<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Fonte: elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que o assassinato n\u00e3o tenha sido coberto pela m\u00eddia jornal\u00edstica. Ao contr\u00e1rio, buscando pelo nome \u201cJo\u00e3o Pedro\u201d encontramos 32 mat\u00e9rias neste dia. A quest\u00e3o \u00e9 que esse caso n\u00e3o provocou uma maior cobertura do movimento antirracista, enquanto no Twitter, imediatamente, o caso \u00e9 encampado sob a bandeira do movimento Black Lives Matter ou da sua tradu\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas, Vidas Negras Importam.<\/p>\n<p>Outra diferen\u00e7a que chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a din\u00e2mica da publica\u00e7\u00e3o sobre o movimento. H\u00e1 uma volatilidade muito maior no Twitter. Por exemplo, o pico de men\u00e7\u00f5es nessa rede equivale a 15 vezes a m\u00e9dia de publica\u00e7\u00f5es sobre o tema no per\u00edodo pesquisado. No caso nos <em>news media, <\/em>essa propor\u00e7\u00e3o foi de apenas 4 vezes. Mas n\u00e3o se trata apenas da magnitude dos picos. Ao calcularmos o desvio padr\u00e3o, para melhor quantificar essa oscila\u00e7\u00e3o, vemos que nos <em>tweets <\/em>ele representa 264% da m\u00e9dia, enquanto entre as mat\u00e9rias essa m\u00e9trica representa 98%.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8530\" src=\"https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Captura-de-Tela-2020-09-22-a\u0300s-23.23.23.png\" alt=\"\" width=\"343\" height=\"208\" srcset=\"https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Captura-de-Tela-2020-09-22-a\u0300s-23.23.23.png 343w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Captura-de-Tela-2020-09-22-a\u0300s-23.23.23-150x91.png 150w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Captura-de-Tela-2020-09-22-a\u0300s-23.23.23-80x49.png 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 343px) 100vw, 343px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 3<\/strong> \u2013 M\u00e9dia, desvio padr\u00e3o e pico de men\u00e7\u00f5es no Twitter<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Fonte: elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8536\" src=\"https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Captura-de-Tela-2020-09-22-a\u0300s-23.23.39.png\" alt=\"\" width=\"393\" height=\"232\" srcset=\"https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Captura-de-Tela-2020-09-22-a\u0300s-23.23.39.png 393w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Captura-de-Tela-2020-09-22-a\u0300s-23.23.39-150x89.png 150w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Captura-de-Tela-2020-09-22-a\u0300s-23.23.39-80x47.png 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 393px) 100vw, 393px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 4<\/strong> \u2013 M\u00e9dia, desvio padr\u00e3o e pico de men\u00e7\u00f5es no Twitter<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Fonte: elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essas duas an\u00e1lises parecem indicar pelo menos duas caracter\u00edsticas que merecem aten\u00e7\u00e3o. A primeira diz respeito a uma diferen\u00e7a importante na forma de encarar casos de viol\u00eancia contra pessoas negras. Enquanto no Twitter o epis\u00f3dio do assassinato de Jo\u00e3o Pedro \u00e9 rapidamente associado aos movimentos antirracistas causando uma modifica\u00e7\u00e3o significativa no volume de men\u00e7\u00f5es, nos meios de comunica\u00e7\u00e3o ele n\u00e3o provoca nenhuma altera\u00e7\u00e3o na cobertura do movimento, apesar de o caso em si ter sido pauta.<\/p>\n<p>Isso pode ser interpretado segundo a l\u00f3gica das ondas de not\u00edcias, muito bem explicada por Gomes e Almada (2014), segundo a qual o notici\u00e1rio se pautaria em temas sucessivos que s\u00e3o explorados at\u00e9 sua exaust\u00e3o buscando gerar repercuss\u00f5es deles junto a diversos atores sociais. Essas ondas \u201cseriam desencadeadas por eventos-chave (<em>key events<\/em>), que se definem como eventos diferentes ou peculiares, por implicarem em um desdobramento de determinado tema no notici\u00e1rio\u201d (p.17). Ao analisarem a cobertura no Jornal Nacional, os autores concluem no entanto que \u201co evento-chave n\u00e3o \u00e9, simplesmente, mero acontecimento. Precisa ser compreendido como parte de algo cont\u00ednuo, de um desdobramento, como um fen\u00f4meno ou um conjunto de consequ\u00eancias.\u201d (p.17). Ou seja, apesar de se configurar como fato merecedor de cobertura, o assassinato de Jo\u00e3o Pedro em si n\u00e3o \u00e9 capaz de desencadear uma onda de not\u00edcias sobre os movimentos antirracistas, onda esta que come\u00e7ar\u00e1 a se formar nos <em>sites jornal\u00edsticos <\/em>a partir do assassinato de George Floyd.<\/p>\n<p>A segunda caracter\u00edstica que chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o das publica\u00e7\u00f5es ao longo do tempo, muito diferente entre os <em>media<\/em>, como podemos ver no gr\u00e1fico abaixo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8539\" src=\"https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled5.png\" alt=\"\" width=\"975\" height=\"723\" srcset=\"https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled5.png 975w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled5-400x297.png 400w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled5-768x570.png 768w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled5-820x608.png 820w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled5-150x111.png 150w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Untitled5-80x59.png 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 975px) 100vw, 975px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 5<\/strong> \u2013 Evolu\u00e7\u00e3o semanal de publica\u00e7\u00f5es ao longo do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Fonte: elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>As men\u00e7\u00f5es no Twitter seguem rigorosamente a chamada regra de Paretto. As duas semanas (20% do tempo de coleta) com maior volume concentram 80% dos <em>tweets. <\/em>Esse padr\u00e3o \u00e9 bastante comum na difus\u00e3o de conte\u00fados em redes sociais (REIS, 2018), em que repercuss\u00f5es org\u00e2nicas seguem o modelo de cauda longa.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos <em>news media<\/em>, a cobertura se estende no tempo de forma mais compassada. As duas semanas com maior volume de mat\u00e9rias publicadas, representaram apenas 45% do total do per\u00edodo. Novamente, isso tem rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3prio trabalho jornal\u00edstico que tende a buscar e provocar repercuss\u00f5es em torno dos temas da pauta nos <em>sites <\/em>de not\u00edcias. J\u00e1 no Twitter, parte significativa das publica\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 feita por profissionais empenhados em manter o tema em voga. Assim o volume de men\u00e7\u00f5es vai caindo rapidamente, mesmo que n\u00e3o suma por completo, visto que o volume na d\u00e9cima semana foi 10 vezes superior ao da primeira.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise mostra que pensar a din\u00e2mica comunicacional em torno do ativismo digital exige abordagens complexas. Enquanto, no caso analisado, o papel do ativismo que se desenvolve no Twitter mostra-se mais \u00e1gil e eficiente em associar acontecimentos a um movimento, dando-lhes uma perspectiva hist\u00f3rica e n\u00e3o epis\u00f3dica, os meios de comunica\u00e7\u00e3o t\u00eam um papel importante ao dar maior estabilidade \u00e0 cobertura sobre o assunto, contribuindo para uma maior longevidade do debate na esfera p\u00fablica. Portanto, um ativismo digital capaz de produzir alternativas e mudan\u00e7as sociais efetivas n\u00e3o podem estar dissociado de uma vis\u00e3o integrada e sist\u00eamica do ambiente de comunica\u00e7\u00e3o digital.<\/p>\n<p>[1] Os autores agradecem a Diego Santos, l\u00edder de tecnologia da Zygon AdTech, respons\u00e1vel pela extra\u00e7\u00e3o deste extenso dataset.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Refer\u00eancias<\/h2>\n<p>ANDERSON, M. et al. <strong>Activism in the Social Media Age | Pew Research Center<\/strong>.<\/p>\n<p>CHADWICK, A. <strong>The Hybrid Media System: Politics and Power<\/strong>. Oxford University Press, 2013.<\/p>\n<p>FREELON, D.; MCILWAIN, C. D.; CLARK, M. D. <strong>Beyond the Hashtags: #Ferguson, #Blacklivesmatter, and the Online Struggle for Offline JusticeCenter for Media &amp; Social Impact<\/strong>.<\/p>\n<p>GOMES, W.; ALMADA, M. P. <strong>ONDAS DE NOT\u00cdCIAS POL\u00cdTICAS\u202f: as din\u00e2micas da aten\u00e7\u00e3o p\u00fablica no notici\u00e1rio pol\u00edtico de TV<\/strong>. XXIII Encontro Anual da Comp\u00f3s. <strong>Anais<\/strong>&#8230;2014<\/p>\n<p>INCE, J.; ROJAS, F.; DAVIS, C. A. The social media response to Black Lives Matter: how Twitter users interact with Black Lives Matter through hashtag use. <strong>Ethnic and Racial Studies<\/strong>, v. 40, n. 11, p. 1814\u20131830, 2017.<\/p>\n<p>REIS, L. Big Social Data Analytics e Climas de Opini\u00e3o Estudo de caso sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. TESE DE DOUTORADO. 2018.<\/p>\n<p>REIS, L.; SANTOS, D.; AGUIAR, A. <strong>A repercuss\u00e3o do movimento Black Lives Matter na Twittosfera brasileira<\/strong>.<\/p>\n<p>SANTOS, N. <strong>The reconfiguration of the communication environment: Twitter in the 2013 Brazilian protests<\/strong>. Tese de doutorado. Universit\u00e9 Panth\u00e9on-Assas, 2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*<strong>Nina Santos <\/strong>\u00e9 pesquisadora no Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia em Democracia Digital e no Centro de An\u00e1lise e Pesquisa Interdisciplinares sobre a M\u00eddia da Universidade Paris II.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Lucas Reis <\/strong>\u00e9 pesquisador no Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia em Democracia Digital e CEO da Zygon AdTech.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>S\u00e9rie Lavits_Covid19<\/strong><\/h2>\n<p>A <strong>Lavits_Covid19: Pandemia, tecnologia e capitalismo de vigil\u00e2ncia<\/strong> \u00e9 um exerc\u00edcio de reflex\u00e3o sobre as respostas tecnol\u00f3gicas, sociais e pol\u00edticas que v\u00eam sendo dadas \u00e0 pandemia do novo coronav\u00edrus, com especial aten\u00e7\u00e3o aos processos de controle e vigil\u00e2ncia. Tais respostas levantam problemas que se furtam a sa\u00eddas simples. A s\u00e9rie nos convoca a reinventar ideias, corpos e conex\u00f5es em tempos de pandemia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Nina Santos e Lucas Reis* &nbsp; Os movimentos antirracistas ganharam novo f\u00f4lego durante a pandemia de Covid-19. Uma s\u00e9rie de epis\u00f3dios de viol\u00eancia contra pessoas negras tanto no Brasil [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":8542,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"_EventAllDay":false,"_EventTimezone":"","_EventStartDate":"","_EventEndDate":"","_EventStartDateUTC":"","_EventEndDateUTC":"","_EventShowMap":false,"_EventShowMapLink":false,"_EventURL":"","_EventCost":"","_EventCostDescription":"","_EventCurrencySymbol":"","_EventCurrencyCode":"","_EventCurrencyPosition":"","_EventDateTimeSeparator":"","_EventTimeRangeSeparator":"","_EventOrganizerID":[],"_EventVenueID":[],"_OrganizerEmail":"","_OrganizerPhone":"","_OrganizerWebsite":"","_VenueAddress":"","_VenueCity":"","_VenueCountry":"","_VenueProvince":"","_VenueState":"","_VenueZip":"","_VenuePhone":"","_VenueURL":"","_VenueStateProvince":"","_VenueLat":"","_VenueLng":"","_VenueShowMap":false,"_VenueShowMapLink":false,"footnotes":""},"categories":[977],"tags":[],"tematica":[872,874,890,928,939],"destaque":[],"class_list":["post-9252","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-lavits_covid19-en","tematica-covid-19-e-tecnologia-en","tematica-critica-da-midia-en","tematica-divulgacao-cientifica-en","tematica-raca-en","tematica-tecnopoliticas-en"],"blocksy_meta":{"styles_descriptor":{"styles":{"desktop":"","tablet":"","mobile":""},"google_fonts":[],"version":6}},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9252","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9252"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9252\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8542"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9252"},{"taxonomy":"tematica","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tematica?post=9252"},{"taxonomy":"destaque","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/destaque?post=9252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}