{"id":9259,"date":"2020-09-22T18:00:10","date_gmt":"2020-09-22T21:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/lavits.bemvindo.co\/lavits_covid19_20-educacao-aberta-plataformas-e-capitalismo-de-vigilancia-a-pandemia-como-encruzilhada\/"},"modified":"2020-09-22T18:00:10","modified_gmt":"2020-09-22T21:00:10","slug":"lavits_covid19_20-educacao-aberta-plataformas-e-capitalismo-de-vigilancia-a-pandemia-como-encruzilhada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lavits.org\/en\/lavits_covid19_20-educacao-aberta-plataformas-e-capitalismo-de-vigilancia-a-pandemia-como-encruzilhada\/","title":{"rendered":"#20: Educa\u00e7\u00e3o aberta, plataformas e capitalismo de vigil\u00e2ncia: a pandemia como encruzilhada"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Tel Amiel, Ewout ter Haar, Miguel Said Vieira, Tiago C. Soares<\/em><em>*<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em julho de 1945, a revista <em>The Atlantic<\/em> publicou um ensaio chamado \u201c<em>As We May Think<\/em>\u201d (BUSH, 1945). Seu autor, Vannevar Bush, era, ent\u00e3o, o Diretor do Departamento de Desenvolvimento e Pesquisa do governo norte-americano. Nesse cargo, tinha sido o respons\u00e1vel pela implementa\u00e7\u00e3o e funcionamento do esfor\u00e7o tecnocient\u00edfico engendrado pelos EUA na escalada da Segunda Guerra Mundial \u2013 uma corrida que, em sua luta para neutralizar o poderio cient\u00edfico e militar da frente nazifascista encabe\u00e7ada pelos pa\u00edses do Eixo, havia for\u00e7ado o universo de pesquisa norte-americano a uma profunda reestrutura\u00e7\u00e3o de suas redes de produ\u00e7\u00e3o do conhecimento (TURNER, 2010).<\/p>\n<p>Passada a Segunda Guerra Mundial, com a vit\u00f3ria dos Aliados sobre as for\u00e7as de Hitler, Bush se viu frente a um novo, imediato, desafio: como redimensionar e reconfigurar, em tempos de paz, o aparato sociot\u00e9cnico mobilizado pela guerra. Para al\u00e9m de motivos utilit\u00e1rios, essa nova quest\u00e3o trazia, latentes, os horrores do conflito que h\u00e1 pouco via seu fim. Como galvanizar de novo um mundo, livre das amea\u00e7as do fascismo, alicer\u00e7ado sobre o respeito \u00e0 liberdade e \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o pelo conhecimento? Numa sociedade que come\u00e7ava a ser reconstru\u00edda, como colocar em movimento uma nova estrutura de circula\u00e7\u00e3o e processamento da informa\u00e7\u00e3o e da ci\u00eancia?<\/p>\n<p>Em seu ensaio, num longo salto para o debate da \u00e9poca, Bush prop\u00f5e um radical modelo de cataloga\u00e7\u00e3o, armazenamento e acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. Nesse projeto, a educa\u00e7\u00e3o do futuro se organizaria em torno de terminais que viriam a acessar grandes reposit\u00f3rios do conhecimento humano, tornando p\u00fablicas e reorden\u00e1veis, em n\u00edveis diversos de recupera\u00e7\u00e3o, obras e dados em plataformas m\u00faltiplas \u2013 impresso, \u00e1udio e filme. \u00c0 sua proposta de uma nova biblioteca integrada \u2013 e, potencialmente, universal \u2013, Bush deu o nome de Memex.<\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o de acesso e reorganiza\u00e7\u00e3o do conhecimento apresentada na ideia do Memex, com sua aplica\u00e7\u00e3o total da t\u00e9cnica a servi\u00e7o da expans\u00e3o do poder de elabora\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o do conhecimento humano, pode ser encontrada, em maior ou menor grau, como subjacente ao que, universalmente, a Internet veio a mobilizar no imagin\u00e1rio p\u00fablico como ideia e como projeto.<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas que vieram a construir a segunda metade do XX, o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, e \u00e0s ferramentas de constru\u00e7\u00e3o do conhecimento, cristalizaram-se como elemento central \u00e0 ideia de desenvolvimento e emancipa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3. Em torno dessa proposta, se dar\u00e1 a emerg\u00eancia e o desenvolvimento das plataformas computacionais, e de suas variadas arquiteturas de uso e compartilhamento (dos grandes mainframes aos terminais individuais, conectados em rede e simbolizados na Internet). Dessas tecnologias, emerge um novo universo de possibilidades e din\u00e2micas, em camadas diversas do dom\u00ednio da t\u00e9cnica e da elabora\u00e7\u00e3o intelectual. Em no\u00e7\u00f5es como o Software Livre, o <em>Open Source<\/em>, o <em>Copyleft <\/em>e o Remix, a reelabora\u00e7\u00e3o do conhecimento \u00e9 retroalimentada pelo dom\u00ednio de novas ferramentas t\u00e9cnicas tornadas dispon\u00edveis pelos avan\u00e7os da computa\u00e7\u00e3o. Uma percep\u00e7\u00e3o que se condensa, no debate p\u00fablico, em meio \u00e0 emerg\u00eancia e expans\u00e3o da Internet comercial, com a expans\u00e3o da <em>World Wide Web<\/em>, na d\u00e9cada de 1990 e na primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>A centralidade da Internet na circula\u00e7\u00e3o do conhecimento e na transforma\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas \u00e9 teorizada em autores que viriam a se tornar can\u00f4nicos de uma leitura otimista sobre esse cen\u00e1rio, como Castells (2011), Levy (2007, 2010) e Negroponte (1995), entre outros. Um ethos que, em iniciativas como a W3C [1], viria a se institucionalizar, articulando setores da sociedade civil na guarda e sistematiza\u00e7\u00e3o dos protocolos de uso e das camadas diversas de arquitetura da rede.<\/p>\n<p>\u00c9 durante a expans\u00e3o da malha da web e em meio a esse movimento de institucionaliza\u00e7\u00e3o de novos padr\u00f5es, melhores pr\u00e1ticas e objetivos conjuntos (que impactariam profundamente as pr\u00e1ticas e plataformas de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o do conhecimento) que, em 2001, o Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA, toma a decis\u00e3o de tornar abertos a partir da plataforma oferecida pela rede, seus conte\u00fados de ensino (TAYLOR, 2007). A tend\u00eancia institucional colocada em movimento pelo MIT levou \u00e0 galvaniza\u00e7\u00e3o de atores envolvidos em pr\u00e1ticas educacionais ao redor do mundo. Numa articula\u00e7\u00e3o promovida pela UNESCO (UNESCO, 2002), um f\u00f3rum de 2002 sobre recursos educacionais cunhou-se a ideia que, por uma conflu\u00eancia de fatores, ficou conhecida como Recursos Educacionais Abertos (REA):<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Recursos Educacionais Abertos (REA) s\u00e3o materiais de aprendizagem, ensino e pesquisa em qualquer formato e meio que residam em dom\u00ednio p\u00fablico ou estejam sob direitos autorais que tenham sido liberados sob uma licen\u00e7a aberta, que permitam acesso sem custo, reutiliza\u00e7\u00e3o, realoca\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o e redistribui\u00e7\u00e3o por outros.\u201d (UNESCO, 2019).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno dos REA se juntou a outras manifesta\u00e7\u00f5es pela libera\u00e7\u00e3o e o acesso livre a informa\u00e7\u00e3o, a cultura e ao conhecimento. Plataformas como Wikipedia e YouTube tornaram-se sin\u00f4nimo de constru\u00e7\u00e3o compartilhada do conhecimento e democratiza\u00e7\u00e3o do acesso a artefatos educacionais. O Creative Commons (CC), conjunto de licen\u00e7as livres que rapidamente se tornaram o padr\u00e3o global para a cultura livre, e quase sin\u00f4nimo com \u2018abertura\u2019, \u00e9 o modelo utilizado por essas ferramentas num movimento convergente entre expans\u00e3o de plataformas e crescimento de iniciativas de licenciamento aberto.<\/p>\n<p>No Brasil, o setor p\u00fablico, em n\u00edveis federal, estadual, municipal e institucional foi mobilizado para viabilizar pol\u00edticas p\u00fablicas em REA, com alguns sucessos.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[<\/a>2<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">]<\/a> De fato, em levantamento recente (AMIEL; SOARES, 2016), o Estado parece ser, ao menos na Am\u00e9rica Latina, o principal catalisador na constru\u00e7\u00e3o de projetos, pol\u00edticas e iniciativas para disponibiliza\u00e7\u00e3o de recursos educacionais.<\/p>\n<p>Da cultura \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 dif\u00edcil encontrar agentes c\u00edvicos que n\u00e3o defendam a ideia do \u2018aberto\u2019. Esse universo traz, por\u00e9m, uma intensa disputa sobre seus sentidos, pr\u00e1ticas, e protagonistas &#8211; um tensionamento que, em meio \u00e0s rupturas do fluxo da vida impostas pela pandemia de Covid-19, parece se delinear, se aprofundando de modo acelerado. H\u00e1 uma defesa de certa flexibiliza\u00e7\u00e3o do ensino[3] frente \u00e0 pandemia, que se consolidou em torno do nome Educa\u00e7\u00e3o Remota Emergencial (ERE). As formas de flexibiliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m trouxeram consigo um renovado interesse em torno da educa\u00e7\u00e3o aberta. At\u00e9 onde, portanto, este movimento em torno do aberto se desenha como solu\u00e7\u00e3o em si mesmo? Quais as poss\u00edveis aberturas suas m\u00faltiplas possibilidades de implementa\u00e7\u00e3o, debate, e elabora\u00e7\u00e3o apresentam? E at\u00e9 que ponto esses m\u00e9todos e ferramentas podem servir como instrumentos de liberta\u00e7\u00e3o, ou, por outro lado, podem condicionar as pr\u00e1ticas a din\u00e2micas e de controle e de capitalismo de vigil\u00e2ncia, contr\u00e1rias \u00e0s realidades de elabora\u00e7\u00e3o em ensino desenhadas comunidade a comunidade?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>A batalha do aberto<\/strong><\/h2>\n<p>Em um livro de 2015, Martin Weller sugere que \u00e9 poss\u00edvel enxergar uma \u2018batalha\u2019 pelo significado da palavra aberto no contexto de cultura mediada pelas tecnologias digitais e da internet (WELLER, 2015). Na medida que uma certa interpreta\u00e7\u00e3o da express\u00e3o ganha for\u00e7a, atores com outros interesses tentam moldar a interpreta\u00e7\u00e3o do conceito para que se curve em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s suas finalidades. Como exemplo disso, cita o conceito de <em>openwashing<\/em>:[4] Aqui, faz- uso da express\u00e3o \u2018aberto\u2019, geralmente por atores do mercado e os que trabalham com fins lucrativos, mas sem aderir \u00e0s pr\u00e1ticas tipicamente colaborativas e transparentes associadas a essa express\u00e3o. Aqui podem ser inclu\u00eddos casos de empresas de cursos \u2018abertos\u2019 que n\u00e3o permitem o uso verdadeiramente livre de seus recursos; ou empresas que publicam dados \u2018abertos\u2019 que podem apenas ser visualizados online, e nada mais.<\/p>\n<p>Esses tensionamentos, com a emerg\u00eancia da pandemia de Covid-19, em 2020, parecem se impor como vetores a profundas, aceleradas transforma\u00e7\u00f5es sobre os sentidos da abertura e suas manifesta\u00e7\u00f5es. As restri\u00e7\u00f5es \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de corpos e \u00e0s pr\u00e1ticas comunit\u00e1rias exigidas no controle \u00e0 pandemia teve profundos impactos nas comunidades de educa\u00e7\u00e3o, com a deslocaliza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio da escola, e a transi\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia da sala de aula para o territ\u00f3rio virtual da internet. A emerg\u00eancia das pr\u00e1ticas educacionais mediadas por tecnologias digitais nos per\u00edodos de quarentena parece delinear uma queda de bra\u00e7o &#8211; uma disputa pelas comunidades de ensino, e pela infraestrutura tecnol\u00f3gica da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e privada. Um cen\u00e1rio em que recursos e pr\u00e1ticas educacionais abertas, que poderiam ser absorvidos e articulados \u00e0s estruturas e agentes dos processos da educa\u00e7\u00e3o, parecem se equilibrar entre a no\u00e7\u00e3o de \u201coportunidade\u201d econ\u00f4mica e \u201cteste de fogo\u201d para suas potencialidades.<\/p>\n<p>Tecnologias, especialmente tecnologias complexas como as que mediam a cria\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o de produtos culturais, n\u00e3o s\u00e3o meras ferramentas que podem ser usadas para o bem ou para o mal. Elas t\u00eam estrutura, facilitam determinados usos e desfavorecem outros. Do mesmo modo que a ideia de governo aberto pode beneficiar e ser utilizada para avan\u00e7ar modelos econ\u00f4micos e pol\u00edticos distintos, a ideia de \u2018aberto\u2019 na educa\u00e7\u00e3o, e em particular o uso de licen\u00e7as abertas, pode ser vista como uma t\u00e9cnica jur\u00eddica e precisamos analisar criticamente os pressupostos, muitas vezes t\u00e1citos, que regem o uso desta tecnologia.<\/p>\n<p>Que os riscos n\u00e3o s\u00e3o meramente te\u00f3ricos, \u00e9 exemplificado com alguns casos em \u00e1reas que inspiraram o movimento REA, como acesso aberto, c\u00f3digo aberto ou cultura livre em geral. O projeto Wikip\u00e9dia \u00e9 o exemplo can\u00f4nico de como a internet possibilita processos colaborativos em rede, e seu sucesso \u00e9 ineg\u00e1vel em termos do volume de sua produ\u00e7\u00e3o, embora apresente controv\u00e9rsias quanto \u00e0 qualidade do material produzido. Entretanto, investiga\u00e7\u00f5es apontam que o projeto tem reconhecidos problemas com a falta de diversidade dos seus contribuidores, e, por tabela, do seu conte\u00fado, com vi\u00e9s para o que interessa a um perfil muito espec\u00edfico: homens jovens e brancos (SIMONITE, 2013). A mesma falta de diversidade \u00e9 apontada entre contribuidores de projetos de software aberto, onde essa tend\u00eancia aparenta ser mais intensa e presente do que no restante da \u00e1rea de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o (TI).[5] Nestes projetos, a igualdade das oportunidades de participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o resolve, nem somente reflete, mas positivamente amplia desigualdades existentes, pelo menos em algumas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>O sistema operacional GNU\/Linux \u00e9 outro exemplo de um projeto que, no in\u00edcio do s\u00e9culo, era tido como um modelo de produ\u00e7\u00e3o independente dos tradicionais direitos propriet\u00e1rios e mercados. Hoje, por\u00e9m, a maioria das contribui\u00e7\u00f5es ao projeto \u00e9 feita por profissionais de TI empregados por grandes e tradicionais corpora\u00e7\u00f5es, refletindo os seus interesses (YEGULALP, 2014). O c\u00f3digo aberto e as tecnologias da internet certamente trouxeram novos modelos de produ\u00e7\u00e3o distribu\u00edda ao mundo corporativo. Mas, da vis\u00e3o original de produ\u00e7\u00e3o do bem comum, o empresariado incorporou somente as partes que deixarem mais eficientes seus tradicionais processos de acumula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um \u00faltimo caso, relevante especialmente para o movimento REA, \u00e9 a subvers\u00e3o das ideias e propostas do movimento Acesso Aberto pelas editoras comerciais de literatura cient\u00edfica, que usaram seu monop\u00f3lio de valida\u00e7\u00e3o editorial para manter o controle sobre a produ\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica. Em colabora\u00e7\u00e3o com formuladores de pol\u00edticas p\u00fablicas no Reino Unido e da Holanda,[6] elas reconfiguram aos poucos seu modelo de neg\u00f3cio, articulando uma estrutura em que os autores e ag\u00eancias de fomento, para publicar seu trabalho, pagam pre\u00e7os mantidos artificialmente altos. Neste modelo onde a iniciativa privada continua intermediando o processo de publica\u00e7\u00e3o da literatura acad\u00eamica, o pre\u00e7o pago pelo benef\u00edcio das licen\u00e7as abertas \u00e9 a exclus\u00e3o de autores com menor capacidade de conseguir financiamento para publica\u00e7\u00e3o. O modelo \u2018autor-paga\u2019 (para cobrir custos das editoras) tamb\u00e9m leva a conflitos de interesse no processo de revis\u00e3o por pares, criando oportunidades para atores mal-intencionados e promovendo as chamadas revistas predat\u00f3rias, que n\u00e3o passam de m\u00e1quinas de publica\u00e7\u00e3o por pagamento, sem crit\u00e9rios r\u00edgidos de qualidade e m\u00e9rito acad\u00eamico. Neste caso, a \u00eanfase dada pela comunidade de acesso aberto \u00e0 tecnologia legal de licen\u00e7as abertas trouxe um alheamento \u00e0 tens\u00e3o (ou a batalha) entre as esferas p\u00fablicas e privadas, permitindo o controle desmedido de entidades privadas sobre uma produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica que, por ser constru\u00edda largamente com financiamento p\u00fablico deveria idealmente ser um bem comum.<\/p>\n<p>\u00c9 importante notar que os efeitos colaterais e n\u00e3o-desej\u00e1veis dos movimentos \u2018abertos\u2019 descritos acima s\u00e3o independentes do car\u00e1ter \u2018aberto\u2019 (do ponto de vista de uma vis\u00e3o de cultura participativa, n\u00e3o-corporativa e progressista) dos movimentos e projetos em si. O que os exemplos mostram \u00e9 que, sem articular o sentido e o objetivo de seus valores \u2018abertos\u2019, movimentos ficam \u00e0 merc\u00ea do status-quo, e licen\u00e7as abertas por si s\u00f3 s\u00e3o insuficientes para promover a produ\u00e7\u00e3o de bens comuns e justi\u00e7a social (ou ainda,efici\u00eancia econ\u00f4mica). Ser meramente \u2018aberto\u2019 n\u00e3o \u00e9 instalar-se automaticamente em um espa\u00e7o progressista, neutro ou livre de tens\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Na batalha pela defini\u00e7\u00e3o do \u2018aberto\u2019 est\u00e1 em jogo a concep\u00e7\u00e3o do que \u00e9 o bem comum. Uma resposta \u00e9 criar defini\u00e7\u00f5es r\u00edgidas que buscam separar o aberto do n\u00e3o-aberto[7]. Certamente as defini\u00e7\u00f5es r\u00edgidas facilitam a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e dificultam a pr\u00e1tica de <em>openwashing<\/em>. Mas por serem r\u00edgidas, criadas em locais e contextos pol\u00edticos determinados e para certas finalidades, essas defini\u00e7\u00f5es podem n\u00e3o atender \u00e0s necessidades diversas de comunidades em momentos e contextos distintos. E como veremos, apesar das inten\u00e7\u00f5es, elas nem sempre conseguem impedir a subvers\u00e3o do bem comum em favor de interesses alheios \u00e0s suas comunidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Educa\u00e7\u00e3o ou vigil\u00e2ncia?<\/strong><\/h2>\n<p>O campo de tecnologia educacional \u00e9 impregnado de um certo determinismo tecnol\u00f3gico e tecno-utopismo. A introdu\u00e7\u00e3o de novas formas de tecnologia educacional, como plataformas online com videoaulas, \u201cobjetos de aprendizagem\u201d ou Recursos Educacionais Abertos (REA) \u00e9, por muitos, tida como \u00f3bvia ou at\u00e9 inevit\u00e1vel \u2013 um sinal de progresso e avan\u00e7o social. Para cada um desses discursos, por\u00e9m, h\u00e1 contra-discursos. O deslumbramento inicial com a disponibilidade de material did\u00e1tico e aulas online de universidades renomadas rapidamente deu lugar ao reconhecimento de que educa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais que transmitir aulas, por mais carism\u00e1tico que o professor possa ser. Cr\u00edticos apontam que por tr\u00e1s da automatiza\u00e7\u00e3o da sala de aula por meio de ambientes online de aprendizagem, muitas vezes est\u00e1 o simples desejo de massificar os processos de aprendizagem e precarizar a profiss\u00e3o de professor, em prol de uma educa\u00e7\u00e3o apenas instrumental voltada para o mercado de trabalho, e ainda, com base em teorias de aprendizagem voltadas ao treinamento em vez de uma forma\u00e7\u00e3o de cidadania plena. \u00c9 poss\u00edvel suspeitar que interesses comerciais de vendedores de tecnologia educacional tenham se engajado com um discurso menos que transparente sobre os seus prop\u00f3sitos.<\/p>\n<p>Em meio a uma pandemia que oferece, em tese, uma equaliza\u00e7\u00e3o, um m\u00ednimo comum do que seriam as sociabilidades e pr\u00e1ticas educacionais mediadas por tecnologias digitais, e as infraestruturas que serviriam a essa urg\u00eancia em escala global, as nuances sobre o aspecto do aberto se apresentam escorregadias. E, se a pandemia de Covid-19 pede compromissos radicais tanto da sociedade civil como do setor p\u00fablico, as a\u00e7\u00f5es \u2018disruptivas\u2019<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[<\/a>8] galvanizadas nas empresas do Vale do Sil\u00edcio talvez pare\u00e7am fazer especial sentido em tempos at\u00edpicos. Esse modo de a\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 caracterizado por um grupo de empresas que Smyrnaios (2016) considera um oligop\u00f3lio perpetuado atrav\u00e9s do grande capital, poderio econ\u00f4mico e propriedade intelectual: Google, Amazon, Facebook, Apple e Microsoft (GAFAM). Suas investidas na esfera educacional p\u00fablica s\u00e3o vis\u00edveis tanto no ensino b\u00e1sico como no ensino superior, ao redor do mundo. N\u00e3o se deve subestimar a escala das mudan\u00e7as. Essas empresas se voltaram para o mercado da educa\u00e7\u00e3o com afinco n\u00e3o visto desde o in\u00edcio dos anos 1980 (CUBAN, 2001).<\/p>\n<p>Esse modelo de neg\u00f3cios e desenvolvimento tecnol\u00f3gico parece, enfim, se galvanizar num <em>maquin\u00e1rio de capitalismo de vigil\u00e2ncia<\/em> pronto a capturar o universo da educa\u00e7\u00e3o. Singer (2017) aponta que, de acordo com o Google, mais da metade de todos os alunos do ensino b\u00e1sico nos Estados Unidos (na \u00e9poca, j\u00e1 mais de 30 milh\u00f5es de crian\u00e7as) usam aplicativos do Google, criticando o que chama de \u201c<em>Googlification<\/em>\u201d (Googlifica\u00e7\u00e3o) da sala de aula. No Brasil, o movimento \u00e9 similar. Acordos com governos t\u00eam ampliado e promovido o acesso a esses sistemas em suas redes de ensino. A Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo faz, por exemplo, promo\u00e7\u00e3o de sua parceria com a Microsoft, que oferece de maneira gratuita o Office 365[9] a alunos, professores e gestores, bastando que criem um e-mail atrav\u00e9s de um canal oficial (portal da Secretaria Escolar Digital; SED), acess\u00edvel somente com utiliza\u00e7\u00e3o de conta cadastrada na Microsoft.[10] A Secretaria Estadual tamb\u00e9m estabeleceu parceria com o Google[11] para oferecer, atrav\u00e9s de cadastro de e-mail na mesma SED, acesso ao servi\u00e7o Google na Educa\u00e7\u00e3o. E o alcance dos acordos desse tipo n\u00e3o se restringe ao espa\u00e7o virtual: para usar os laborat\u00f3rios de computadores da escola (espa\u00e7o denominado Acessa Escola), \u00e9 necess\u00e1ria a cria\u00e7\u00e3o de um e-mail institucional, Microsoft[12] \u2014 ou seja, h\u00e1 um cerceamento do acesso a um espa\u00e7o e equipamentos p\u00fablicos, em uma institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica; ou no m\u00ednimo, a imposi\u00e7\u00e3o da cess\u00e3o de dados pessoais a uma empresa estrangeira para usufruto de um bem p\u00fablico.<\/p>\n<p>No ensino superior, parcerias similares est\u00e3o sendo esbo\u00e7adas com o apelo de oferecer, de maneira gratuita, acesso a servi\u00e7os de empresas como Google e Microsoft. O acesso a essas plataformas \u00e9 promovido como mais uma op\u00e7\u00e3o, um servi\u00e7o gratuito, e um benef\u00edcio aos entes universit\u00e1rios; passando ao largo, no entanto, de uma reflex\u00e3o sobre o significado das contrapartidas ao uso de um sistema \u2018gratuito\u2019, do seu impacto no ecossistema de software vigente nas institui\u00e7\u00f5es, e das consequ\u00eancias da indu\u00e7\u00e3o ao uso de plataformas corporativas estrangeiras, muitas vezes em conflito com as pol\u00edticas internas das universidades (PARRA, et. al, 2018). Os servi\u00e7os oferecidos v\u00e3o al\u00e9m do e-mail, e incorporam os conhecidos aplicativos de produtividade na nuvem (planilhas, editores de texto, etc.) al\u00e9m de ferramentas espec\u00edficas para a educa\u00e7\u00e3o, como notas dos alunos, calend\u00e1rios compartilhados, submiss\u00e3o de atividades e tarefas, dentre outros.[13]<\/p>\n<p>Se ainda \u00e9 cedo para uma avalia\u00e7\u00e3o de como a atual pandemia teria aprofundado essa tend\u00eancia no Brasil, os dados relativos ao per\u00edodo recente apontam a uma escalada da captura, pelos grande conglomerados de tecnologia, das infraestruturas t\u00e9cnicas e de dados no universo do ensino superior brasileiro. Segundo pesquisa realizada pelo projeto Educa\u00e7\u00e3o Vigiada, uma da Iniciativa Educa\u00e7\u00e3o Aberta, \u201cmais de 70% das universidades p\u00fablicas e secretarias estaduais de educa\u00e7\u00e3o no Brasil est\u00e3o expostas ao chamado &#8220;capitalismo de vigil\u00e2ncia&#8221;, termo utilizado para designar modelos de neg\u00f3cios baseados na ampla extra\u00e7\u00e3o de dados pessoais via intelig\u00eancia artificial para obter previs\u00f5es sobre o comportamento dos usu\u00e1rios e com isso ofertar produtos e servi\u00e7os.\u201d (EDUCA\u00c7\u00c3O VIGIADA, 2020)<\/p>\n<p>Temos, ent\u00e3o, dois cen\u00e1rios potenciais que, no contexto da pandemia, parecem se aprofundar. Para algumas institui\u00e7\u00f5es, a parceria com empresas coloca \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o \u2018mais um recurso\u2019,[14] ou seja, uma alternativa competindo com outras solu\u00e7\u00f5es ofertadas.[15] Em outro cen\u00e1rio vemos a cess\u00e3o total e apropria\u00e7\u00e3o de fato das estruturas de comunica\u00e7\u00e3o por empresas como Google e Microsoft, quando s\u00e3o adotadas solu\u00e7\u00f5es dessas empresas como mecanismos de acesso, verifica\u00e7\u00e3o e hospedagem, em detrimento a solu\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ou pagas, mas sob controle da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Em ambos os casos, dado o poderio econ\u00f4mico e a oferta gratuita de servi\u00e7os ofertados por GAFAM, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para competi\u00e7\u00e3o efetiva com entes p\u00fablicos, multiplicidade de ofertas ou sustenta\u00e7\u00e3o de diversidade de plataformas e servi\u00e7os. Um resultado quase inevit\u00e1vel dessa terceiriza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os educacionais \u00e9 a atrofia, nas institui\u00e7\u00f5es ou empresas locais na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o, da capacidade de desenvolver e manter solu\u00e7\u00f5es de tecnologia educacional adequadas \u00e0s realidades locais. Como aponta Taplin (2017), por exemplo, as ideias antitruste dos anos 1960 e 1970 n\u00e3o se transferem bem para a realidade de mercados informacionais no s\u00e9culo 21; quando produtos s\u00e3o oferecidos de modo gratuito para o consumidor, o custo real dos monop\u00f3lios \u00e9 mais dif\u00edcil de ser enxergado.<\/p>\n<p>Nos servidores dessas empresas parceiras vemos, ent\u00e3o, espa\u00e7o para todo tipo de conte\u00fado: partindo das mensagens sigilosas entre pesquisadores, dados de pesquisa, dados pessoais de alunos e professores, notas de alunos, resultados de trabalhos acad\u00eamicos, bem como recursos educacionais dos mais variados tipos. Empresas como Google afirmam que n\u00e3o fazem uso dos dados em contas educacionais, no entanto essa afirma\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi duramente contestada.[16] As pol\u00edticas de privacidade e de direitos autorais s\u00e3o notoriamente desconhecidas pelos usu\u00e1rios quando, de maneira individual e volunt\u00e1ria,[17] fazem uso dessas plataformas. E o cruzamento entre pol\u00edticas institucionais e empresariais torna esse terreno ainda mais complexo e de dif\u00edcil navega\u00e7\u00e3o. Quando, no entanto, a parceria \u00e9 institucionalizada, n\u00e3o h\u00e1 sequer escolha, e a ades\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas se d\u00e1 por obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vale lembrar tamb\u00e9m que, para al\u00e9m da minera\u00e7\u00e3o e coleta de dados, existem outras maneiras para as empresas em quest\u00e3o \u2018monetizarem\u2019 o gr\u00e1tis. O uso cont\u00ednuo de ferramentas e plataformas fomenta um ciclo de familiaridade e um legado de conte\u00fado que leva usu\u00e1rios a buscar as mesmas plataformas e ferramentas em outras esferas de a\u00e7\u00e3o, gerando assim fideliza\u00e7\u00e3o desde a mais tenra idade.<\/p>\n<p>A agressividade com que empresas como Google e Microsoft (e outras como Amazon,[18] mais particularmente no \u00e2mbito de REA) promovem suas plataformas nos leva a considerar de que maneira plataformas \u2018gratuitas\u2019 (e n\u00e3o abertas) se beneficiam do conte\u00fado produzido por usu\u00e1rios em suas intera\u00e7\u00f5es nesses sistemas. Primeiro, nos leva a perguntar: o que podemos considerar como recurso educacional? Certamente, planos de aula, ementas, perguntas e respostas, apresenta\u00e7\u00f5es, question\u00e1rios e todos os tipos de insumos que constituem o conte\u00fado das aulas em plataformas propriet\u00e1rias podem ser considerados recursos educacionais. Portanto, cabe a indaga\u00e7\u00e3o: de que maneira a produ\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o de recursos educacionais \u2014 e, em muitos casos, explicitamente REA \u2014 em plataformas fechadas ou \u2018gratuitas\u2019 de grandes empresas contribui para a consolida\u00e7\u00e3o desses oligop\u00f3lios? Tendo em vista a abertura e transpar\u00eancia estimuladas por REA, h\u00e1 de se questionar at\u00e9 que ponto seus promotores contribuem com o status quo ao sugerir, induzir ou n\u00e3o questionar a ades\u00e3o a essas plataformas. Como exemplo, podemos mencionar a indu\u00e7\u00e3o reversa de plataformas conhecidas do movimento REA, como Currwiki[19] e OER Commons[20], que promovem a sua integra\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica com o Google Classroom.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aventar com clareza o impacto da pandemia de Covid-19 para o universo da educa\u00e7\u00e3o no longo prazo, e as definitivas consequ\u00eancias dessas estrat\u00e9gias e seu papel na consolida\u00e7\u00e3o de oligop\u00f3lios vigentes, e quais os impactos (privacidade, controle, transpar\u00eancia) dos novos modelos de parceria e neg\u00f3cios envolvendo abertura e REA. Sabemos que as tecnologias digitais e da internet em geral, os recursos educacionais abertos n\u00e3o s\u00e3o neutros ou apol\u00edticos. Caso n\u00e3o explicitem e conscientizem-se sobre suas premissas, projetos e movimentos nesse \u00e2mbito correm o risco de ficar \u00e0 deriva, deixando-se levar pelos ventos do poder vigente. Muitas vezes, n\u00e3o nos prestamos a investigar cen\u00e1rios e casos concretos onde a rela\u00e7\u00e3o tecnologia e pol\u00edtica se fazem vis\u00edveis. Se as tecnologias devem proporcionar benef\u00edcios educacionais e sociais, e n\u00e3o somente ganhos de efici\u00eancia ou lucro, elas devem ser explicitamente configuradas para tais fins. H\u00e1 riscos de uma aplica\u00e7\u00e3o ing\u00eanua das ideias em volta do conceito \u2018aberto\u2019, especialmente do modo como \u00e9 definido por atores do mercado especulativo. Um <em>commons <\/em>global estruturado nos termos de organiza\u00e7\u00f5es e corpora\u00e7\u00f5es transnacionais n\u00e3o atender\u00e1 as necessidades de todas as comunidades de escolas, educadores e estudantes ao redor do mundo.<\/p>\n<p>Apontamos alguns exemplos do movimento \u2018aberto\u2019 para indicar que, sem explicitar seus valores pol\u00edticos, movimentos pela abertura correm o risco de ter seus valores subvertidos. Seguimos transpondo essa discuss\u00e3o para o universo dos REA. Se um determinado projeto envolvendo REA busca promover justi\u00e7a social, por exemplo, \u00e9 preciso levar em conta as rela\u00e7\u00f5es de poder na sociedade. Sem reconhecer desigualdades sociais existentes, a\u00e7\u00f5es como prover acesso \u00e0 tecnologia, dar igualdade de oportunidades ou \u2018democratizar\u2019 podem ser in\u00f3cuas ou, no pior caso, podem amplificar estas desigualdades.<\/p>\n<p>Os REA e as ideias defendidas pelos variados movimentos abertos (como os de Acesso Aberto, Ci\u00eancia Aberta, Transpar\u00eancia e Dados Abertos) podem e devem ser usados para promover a autonomia, diversidade de ideias e a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os colaborativos. Como apontam Peters e Britez (2008), os REA implicam liberdade, cidadania, conhecimento para todos, progresso social e transforma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. A pandemia e suas aceleradas, profundas transforma\u00e7\u00f5es no universo educacional nos ajudam no entendimento das possibilidades, tens\u00f5es e horizontes de uma educa\u00e7\u00e3o mais aberta. Cabe a n\u00f3s continuar a luta para garantir o tipo de educa\u00e7\u00e3o aberta que queremos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Notas<\/strong><\/h2>\n<p>[1]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 World Wide Web Consortium (https:\/\/www.w3.org\/)<\/p>\n<p>[2]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Confira a trajet\u00f3ria de projetos de lei e outras a\u00e7\u00f5es institucionais brasileiras no Iniciativa Educa\u00e7\u00e3o Aberta (http:\/\/aberta.org.br\/).<\/p>\n<p>[3] Veja Parecer CNE\/CP n\u00ba 9\/2020, aprovado em 8 de junho de 2020<\/p>\n<p>[4]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Express\u00e3o derivada de <em>greenwashing<\/em>, utilizada para descrever empresas que se fazem parecer ecologicamente corretas, mantendo pr\u00e1ticas que n\u00e3o o s\u00e3o.<\/p>\n<p>[5]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para uma an\u00e1lise geral dessa quest\u00e3o, ver Nafus (2012). Tr\u00eas estudos (GHOSH <em>et al.<\/em>, 2002; DAVID; WATERMAN; ARORA, 2003; KUECHLER; GILBERTSON; JENSEN, 2012) encontraram uma participa\u00e7\u00e3o feminina de 1 a 2% em projetos de software livre; um quarto chegou ao n\u00famero de 11%, mas apresentava vi\u00e9s de sele\u00e7\u00e3o admitido no pr\u00f3prio trabalho (ARJONA-REINA; ROBLES; DUE\u00d1AS, 2014). Os n\u00fameros s\u00e3o pequenos mesmo quando comparados \u00e0s (j\u00e1 baixas) participa\u00e7\u00f5es femininas na \u00e1rea de TI em geral (estimada em 26% nos EUA [ASHCRAFT; MCLAIN; EGER, 2016]), ou nas gradua\u00e7\u00f5es da \u00e1rea (14% dos concluintes em 2013 no Brasil eram mulheres [MAIA, 2016]).<\/p>\n<p>[6]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com base no chamado Finch Report (https:\/\/www.acu.ac.uk\/research-information-network\/finch-report), o governo do Reino Unido, assim como o governo Holand\u00eas (http:\/\/openaccess.nl\/en), promovem o modelo ouro de acesso aberto em peri\u00f3dicos existentes controlados pelas grandes editoras como Elsevier ou Springer.<\/p>\n<p>[7]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por exemplo o conceito de http:\/\/opendefinition.org, ou para os REA, os crit\u00e9rios \u201c5R\u201d criado por um dos pioneiros do movimento para definir o que significa um recurso \u2018aberto\u2019 (http:\/\/www.opencontent.org\/definition\/), ou ainda identifica\u00e7\u00e3o de \u2018aberto\u2019 somente com o uso de uma licen\u00e7a CC-BY do Creative Commons (http:\/\/creativecommons.org).<\/p>\n<p>[8]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para uma cr\u00edtica do conceito, veja: https:\/\/www.theatlantic.com\/magazine\/archive\/2014\/10\/the-disruption-myth\/379348\/<\/p>\n<p>[9]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 http:\/\/www.educacao.sp.gov.br\/noticias\/alunos-e-professores-podem-baixar-o-pacote-office-365-da-microsoft-gratuitamente<\/p>\n<p>[10]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em acesso no dia 12 de julho de 2017, a link da SED para maiores informa\u00e7\u00f5es levava a uma tela de login do Office 365 com imagem da Secretaria Estadual de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo e URL de servidores externos (https:\/\/login.microsoftonline.com).<\/p>\n<p>[11]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 http:\/\/www.educacao.sp.gov.br\/noticias\/google-na-educacao-conheca-a-nova-parceria-da-secretaria-com-a-gigante-da-tecnologia<\/p>\n<p>[12]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Este parece ser um conhecimento somente dos atores escolares e dos que fazem uso dos laborat\u00f3rios. A mudan\u00e7a parece ter se dado atrav\u00e9s da Resolu\u00e7\u00e3o SE 17, de 31-03-2015 (veja, http:\/\/www.educacao.sp.gov.br\/acessa-escola) que levou um novo sistema operacional aos computadores do Acessa Escola (Windows 10) e uma nova pol\u00edtica de acesso. A informa\u00e7\u00e3o adv\u00e9m de experi\u00eancia de um dos autores e de confirma\u00e7\u00e3o com um t\u00e9cnico de uma Diretoria de Ensino.<\/p>\n<p>[13]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como exemplo, veja-se a su\u00edte ofertada pelo Google Apps for Education (GAFE), dispon\u00edvel em: https:\/\/edu.google.com\/products\/productivity-tools\/<\/p>\n<p>[14]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Argumento utilizado pela Unicamp em sua parceria com Google e Microsoft. Veja: https:\/\/googleapps.unicamp.br\/tutoriais\/privacidade.html<\/p>\n<p>[15]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vale destacar, por\u00e9m, que se trata de \u2018competi\u00e7\u00e3o\u2019 claramente desigual.<\/p>\n<p>[16]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Veja ampla cobertura em: https:\/\/www.eff.org\/issues\/student-privacy\/. Veja tamb\u00e9m<\/p>\n<p>Educa\u00e7\u00e3o, Dados e Plataformas: An\u00e1lise descritiva dos termos de uso dos servi\u00e7os educacionais Google e Microsoft. http:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.401253<\/p>\n<p>[17]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tamb\u00e9m conceito atribulado, dado que \u00e9 tarefa \u00e1rdua fazer uso de um dispositivo criado pelas GAFAM (celulares, leitores de livro, tablets ou computadores) sem a cria\u00e7\u00e3o de contas em suas respectivas plataformas.<\/p>\n<p>[18]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Amazon promove o Amazon Inspire: https:\/\/www.amazoninspire.com. No \u00e2mbito do programa governamental estadunidense #GoOpen, h\u00e1 men\u00e7\u00e3o clara ao uso de aplicativos do Google no guia de implementa\u00e7\u00e3o. Veja em: https:\/\/tech.ed.gov\/open\/<\/p>\n<p>[19]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 http:\/\/www.curriki.org\/curriki-oer-library-is-now-lti-compliant-and-has-integrated-the-google-classroom-share-button\/<\/p>\n<p>[20]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 https:\/\/www.oercommons.org\/authoring\/13855-share-your-oer-with-google-classroom\/view<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Refer\u00eancias<\/h2>\n<p>AMIEL, Tel; SOARES, Tiago Chagas. Identifying Tensions in the Use of Open Licenses in OER Repositories. <em>The International Review of Research in Open and Distributed Learning<\/em>, v. 17, n. 3, 2016. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.irrodl.org\/index.php\/irrodl\/article\/view\/2426&gt;. Acesso em: 20 maio 2016.<\/p>\n<p>ARJONA-REINA, Laura; ROBLES, Gregorio; DUE\u00d1AS, Santiago. <em>The FLOSS2013 Free\/Libre\/Open Source Survey<\/em>. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/web.archive.org\/web\/20140212132153\/http:\/\/floss2013.libresoft.es\/results.en.html&gt;. Acesso em: 26 mar. 2017.<\/p>\n<p>ASHCRAFT, Catherine; MCLAIN, Brad; EGER, Elizabeth. <em>Women in tech: The facts<\/em>. . [S.l: s.n.], 2016. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.ncwit.org\/sites\/default\/files\/resources\/ncwit_women-in-it_2016-full-report_final-web06012016.pdf&gt;.<\/p>\n<p>BUSH, Vannevar. \u201cAs We May Think\u201d. <em>The Atlantic<\/em>, jul. 1945. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.theatlantic.com\/magazine\/archive\/1945\/07\/as-we-may-think\/303881\/&gt;.<\/p>\n<p>CASTELLS, Manuel. <em>The Rise of the Network Society: The Information Age: Economy, Society, and Culture<\/em>. [S.l.]: John Wiley &amp; Sons, 2011.<\/p>\n<p>CUBAN, Larry. <em>Oversold and underused: Computers in the classroom<\/em>. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press, 2001.<\/p>\n<p>DAVID, Paul A.; WATERMAN, Andrew; ARORA, Seema. FLOSS-US the free\/libre\/open source software survey for 2003. <em>Stanford Institute for Economic Policy Research, Stanford University, Stanford, CA (http:\/\/www. stanford. edu\/group\/floss-us\/report\/FLOSS-US-Report. pdf)<\/em>, 2003. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/pdfs.semanticscholar.org\/f040\/542f2d2ab3c188fac82b5d039ad7aa31a97d.pdf&gt;.<\/p>\n<p>EDUCA\u00c7\u00c3O VIGIADA. 2020. Dispon\u00edvel em &lt;https:\/\/educacaovigiada.org.br\/&gt;<\/p>\n<p>KUECHLER, Victor; GILBERTSON, Claire; JENSEN, Carlos. \u201cGender Differences in Early Free and Open Source Software Joining Process\u201d. In: IFIP INTERNATIONAL CONFERENCE ON OPEN SOURCE SYSTEMS, IFIP Advances in Information and Communication Technology, 10 set. 2012, [S.l.]: Springer, Berlin, Heidelberg, 10 set. 2012. p. 78\u201393. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/link.springer.com\/chapter\/10.1007\/978-3-642-33442-9_6&gt;.<\/p>\n<p>LEVY, Pierre. <em>Cibercultura<\/em>. [S.l.]: Editora 34, 2010.<\/p>\n<p>LEVY, Pierre. <em>Intelig\u00eancia coletiva (A)<\/em>. [S.l.]: Edicoes Loyola, 2007.<\/p>\n<p>MAIA, Marcel Maggion. \u201cLimites de g\u00eanero e presen\u00e7a feminina nos cursos superiores brasileiros do campo da computa\u00e7\u00e3o\u201d. <em>Cadernos Pagu<\/em>, n. 46, p. 223\u2013244, abr. 2016. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0104-83332016000100223&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt&gt;. Acesso em: 12 ago. 2017.<\/p>\n<p>NAFUS, D. \u201c \u2018Patches don\u2019t have gender\u2019: What is not open in open source software\u201d. <em>New Media &amp; Society<\/em>, v. 14, n. 4, p. 669\u2013683, 1 jun. 2012. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/nms.sagepub.com\/cgi\/doi\/10.1177\/1461444811422887&gt;.<\/p>\n<p>NEGROPONTE, Nicholas. <em>Being digital<\/em>. [S.l.]: Vintage Books, 1995.<\/p>\n<p>PARRA, Henrique et al. Infraestruturas, economia e pol\u00edtica informacional: o caso do Google Suite for Education. <em>Media\u00e7\u00f5es-Revista de Ci\u00eancias Sociais<\/em>, v. 23, n. 1, p. 63-99, 2018.<\/p>\n<p>PETERS, Michael A.; BRITEZ, Rodrigo G. \u201cIntroduction: Open education and education for openness\u201d. In: BRITEZ, RODRIGO G.; PETERS, MICHAEL A. (Org.). . <em>Open Education and Education for Openness<\/em>. Taipei: Sense Publishers, 2008. p. xvii\u2013xxii.<\/p>\n<p>SIMONITE, Tom. <em>The Fight to Save Wikipedia from Itself<\/em>. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.technologyreview.com\/s\/520446\/the-decline-of-wikipedia\/&gt;.<\/p>\n<p>SINGER, Natasha. \u201cHow Google took over the classroom\u201d. <em>New York Times<\/em>, v. 13, 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.nytimes.com\/2017\/05\/13\/technology\/google-education-chromebooks-schools.html&gt;.<\/p>\n<p>SMYRNAIOS, Nikos. \u201cL\u2019effet GAFAM: strat\u00e9gies et logiques de l\u2019oligopole de l\u2019internet (pre-print)\u201d. <em>Communication &amp; langages<\/em>, v. 2016, n. 188, p. 61\u201383, 2016. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/el.coyotito.free.fr\/ARCHIVES\/WIKIPEDIA\/L\u2019effet%20GAFAM.pdf&gt;.<\/p>\n<p>TAPLIN, Jonathan. \u201cIs It Time to Break Up Google?\u201d, 22 abr. 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.nytimes.com\/2017\/04\/22\/opinion\/sunday\/is-it-time-to-break-up-google.html&gt;.<\/p>\n<p>TAYLOR, James C. \u201cOpen Courseware Futures: Creating a Parallel Universe\u201d. <em>Journal of Instructional Science and Technology<\/em>, v. 10, n. 1, p. 9, 2007. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.ascilite.org.au\/ajet\/e-jist\/index.html&gt;.<\/p>\n<p>TURNER, Fred. <em>From Counterculture to Cyberculture: Stewart Brand, the Whole Earth Network, and the Rise of Digital Utopianism<\/em>. [S.l.]: University of Chicago Press, 2010.<\/p>\n<p>UNESCO. <em>2012 Paris OER Declaration<\/em>. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.unesco.org\/new\/fileadmin\/MULTIMEDIA\/HQ\/CI\/CI\/pdf\/Events\/English_Paris_OER_Declaration.pdf&gt;.<\/p>\n<p>UNESCO. <em>Promotes New Initiative for Free Educational Resources on the Internet<\/em>. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.unesco.org\/education\/news_en\/080702_free_edu_ress.shtml&gt;.<\/p>\n<p>WELLER, Martin. \u201cMOOCs and the silicon valley narrative\u201d. <em>Journal of Interactive Media in Education<\/em>, v. 2015, n. 1, 2015. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/jime.open.ac.uk\/articles\/10.5334\/jime.am\/&gt;.<\/p>\n<p>YEGULALP, Serdar. <em>Who writes Linux? Corporations, more than ever<\/em>. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.infoworld.com\/article\/2610207\/open-source-software\/who-writes-linux&#8211;corporations&#8211;more-<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* <em><strong>Tel Amiel<\/strong>, professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), coordenador da C\u00e1tedra Unesco em Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia, e um dos respons\u00e1veis pela Iniciativa Educa\u00e7\u00e3o Aberta;<\/em><\/p>\n<p><em><strong> Ewout ter Haar<\/strong>, professor do Instituto de F\u00edsica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP); <\/em><\/p>\n<p><em><strong>Miguel Said Vieira<\/strong>, professor no N\u00facleo de Tecnologias Educacionais e nos cursos de Pol\u00edticas P\u00fablicas e Ci\u00eancias e Humanidades da Universidade Federal do ABC (UFABC); <\/em><\/p>\n<p><em><strong>Tiago C. Soares<\/strong>, pesquisador associado aos grupos de pesquisa Educa\u00e7\u00e3o Aberta (UnB) e Informa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia, Tecnologia e Sociedade (Unicamp).<\/em><\/p>\n<p>** <em>Este texto \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o resumida, atualizada ao contexto da pandemia, do artigo \u201c<\/em><em>Who Benefits from the Public Good? How OER Is Contributing to the Private Appropriation of the Educational Commons<\/em><em>&#8220;, publicado pelos autores no livro <\/em>Radical Solutions and Open Science<em>, organizado por Daniel Burgos e publicado pela editora Springer, em 2020<\/em>, <em>sob atribui\u00e7\u00e3o CC BY 4.0.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>S\u00e9rie Lavits_Covid19<\/strong><\/h2>\n<p>A <strong>Lavits_Covid19: Pandemia, tecnologia e capitalismo de vigil\u00e2ncia<\/strong> \u00e9 um exerc\u00edcio de reflex\u00e3o sobre as respostas tecnol\u00f3gicas, sociais e pol\u00edticas que v\u00eam sendo dadas \u00e0 pandemia do novo coronav\u00edrus, com especial aten\u00e7\u00e3o aos processos de controle e vigil\u00e2ncia. Tais respostas levantam problemas que se furtam a sa\u00eddas simples. A s\u00e9rie nos convoca a reinventar ideias, corpos e conex\u00f5es em tempos de pandemia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Tel Amiel, Ewout ter Haar, Miguel Said Vieira, Tiago C. 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