{"id":9266,"date":"2020-08-25T11:40:10","date_gmt":"2020-08-25T14:40:10","guid":{"rendered":"https:\/\/lavits.bemvindo.co\/lavits_covid19_17-vigiar-e-punir-por-telefone-celular-prerrogativa-varonil-sobre-as-mulheres\/"},"modified":"2022-05-19T17:21:22","modified_gmt":"2022-05-19T20:21:22","slug":"lavits_covid19_17-vigiar-e-punir-por-telefone-celular-prerrogativa-varonil-sobre-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lavits.org\/en\/lavits_covid19_17-vigiar-e-punir-por-telefone-celular-prerrogativa-varonil-sobre-as-mulheres\/","title":{"rendered":"#17: Vigiar e punir&#8230; por telefone celular: prerrogativa varonil sobre as mulheres"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Graciela Natansohn<\/em><em>*<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA hist\u00f3ria masculina \u00e9 a hist\u00f3ria da viol\u00eancia\u201d, afirma Rita Segato (2018). O que parece um exagero, uma senten\u00e7a produto da indigna\u00e7\u00e3o emocional e moral, vai tomando subst\u00e2ncia e consist\u00eancia em forma de dados quando se pesquisa sobre feminic\u00eddio, estupro e viol\u00eancias contra as mulheres nas sociedades ocidentais modernas. Exibi\u00e7\u00e3o de arb\u00edtrio, espet\u00e1culo de soberania territorial, manifesta\u00e7\u00e3o de <em>\u201cdue\u00f1idad\u201d<\/em> (como traduzir essa figura ling\u00fc\u00edstica do espanhol que fala de algo assim como ser dono e senhor, sem trair demais o pesado sentido original dado por Segato?) sobre um territ\u00f3rio que \u00e9 o corpo das mulheres &#8211; corpo que \u00e9 jurisdi\u00e7\u00e3o \u00e0 vez que \u00e9 s\u00edmbolo dessa posse &#8211; a viol\u00eancia se escreve no corpo como numa vitrine, um quadro branco a c\u00e9u aberto, para comunicar ao resto a capacidade viripotente de fazer sofrer e controlar. As estruturas elementares da viol\u00eancia funcionam de duas formas interconectadas, avalia Segato (2010). Uma, vertical, operando atrav\u00e9s de v\u00ednculos de hierarquia e status. Outra, horizontal, mediante rela\u00e7\u00f5es de alian\u00e7a ou competi\u00e7\u00e3o, formando um esquema \u00fanico, por\u00e9m inst\u00e1vel, que precisa reafirmar-se todo o tempo. A primeira pode ser caracterizada pelas rela\u00e7\u00f5es de submiss\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o &#8211; tal como as de g\u00eanero mas n\u00e3o s\u00f3 elas &#8211; enquanto a segunda, por rela\u00e7\u00f5es de contrato entre semelhantes (entre homens cuja masculinidade \u00e9 a hegem\u00f4nica, p.e.). Deste feito, os ataques em ambi\u00eancias digitais podem ser lidos como enunciados que performam tanto para as v\u00edtimas &#8211; no eixo vertical- quanto mais, para os co-enunciadores presentes no quadro interlocut\u00f3rio da v\u00edtima &#8211; eixo horizontal &#8211; que, nas plataformas digitais, garantir\u00e1 ampla resson\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Sobre essa dimens\u00e3o expressiva, comunicativa, desses ataques, caracterizados pela antrop\u00f3loga como t\u00edpicas manifesta\u00e7\u00f5es da gram\u00e1tica masculinista a partir das suas an\u00e1lises dos feminic\u00eddios frequentes em Ciudad Juarez, no norte de M\u00e9xico (que ela chama de <em>femigenoc\u00eddios<\/em>), vou tecer algumas ideias ainda preliminares sobre a crueldade machista contra as mulheres em ambientes digitais e as formas como algumas coletivas feministas as t\u00eam encarado (SEGATO, 2018).<\/p>\n<p>Ataques em redes sociais digitais t\u00eam sido a principal arma pol\u00edtica do governo Bolsonaro contra advers\u00e1rios, jornalistas, influenciadores digitais ou contra qualquer oposi\u00e7\u00e3o que se manifeste virtualmente, seja qual for a nuance ideol\u00f3gica que tiver<sup>[1]<\/sup>. O \u00f3dio, a raiva e a persegui\u00e7\u00e3o em formato digital se profissionalizaram e aperfei\u00e7oaram como pol\u00edtica paragovernamental, ao ponto do STF mandar bloquear, em medida bastante controversa, v\u00e1rias contas de Twitter ligadas ao muito bem chamado &#8220;gabinete do \u00f3dio&#8221; instalado no Planalto<sup>[2]<\/sup>. A partir das esferas governamentais se legitimam pr\u00e1ticas &#8220;<em>haters<\/em>&#8221; na Internet, levadas \u00e0 frente pelos indiv\u00edduos e largamente observadas e analisadas a partir da consolida\u00e7\u00e3o das plataformas como espa\u00e7os privilegiados da comunica\u00e7\u00e3o social. Com a chegada da pandemia de Covid-19 a reclus\u00e3o dom\u00e9stica para conter o cont\u00e1gio fez aumentar o tr\u00e1fego da Internet enquanto recrudesceram as viol\u00eancias contra as mulheres, em casa e no espa\u00e7o on-line, como j\u00e1 foi analisado neste mesmo espa\u00e7o (ARA\u00daJO, PRADO e KANASHIRO, 2020).<\/p>\n<p>Uma nota do jornal O Globo, com dados de SaferNet, informa que as den\u00fancias de viol\u00eancia digital e discrimina\u00e7\u00e3o contra mulheres cresceram 21,27% em abril de 2020, dois meses ap\u00f3s o reconhecimento oficial do in\u00edcio da pandemia, em compara\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado, com 667 registros. Dos casos de exposi\u00e7\u00e3o de imagens \u00edntimas houve um aumento de 154,90%, com 130 den\u00fancias no \u00faltimo m\u00eas (Abril 2020), das quais, 70% das v\u00edtimas s\u00e3o mulheres (RAMOS, 2020). Outras fontes reportam que as transmiss\u00f5es de <em>lives<\/em> na plataforma Zoom est\u00e3o sendo hackeadas (DEMARTINI, 2020), especialmente as que se referem a temas como g\u00eanero, racismo e injusti\u00e7as sociais. Mulheres ind\u00edgenas, negras, trans e em situa\u00e7\u00e3o de pobreza s\u00e3o as mais afetadas por esses ataques, que devem ser compreendidos como um <em>continuum <\/em>de viol\u00eancias offline e online. O site da Articula\u00e7\u00e3o de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), entidade composta por 50 organiza\u00e7\u00f5es de mulheres negras de todo o Brasil foi hackeado<sup>[3]<\/sup>. Como declararam em uma postagem no Facebook:<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>O site da AMNB \u00e9 um espa\u00e7o virtual que serve como ferramenta para disseminar narrativas, den\u00fancias de casos de racismo, viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es dos movimentos de mulheres negras do Brasil e do mundo. \u00c9 sabido por toda sociedade brasileira que o recrudescimento do racismo no cotidiano das pessoas tem gerado rea\u00e7\u00f5es violentas tamb\u00e9m nos espa\u00e7os online&#8221; (AMNB,2020).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma reuni\u00e3o virtual com mais de 70 mulheres que discutia sobre racismo foi invadida com su\u00e1sticas e v\u00eddeos de decapita\u00e7\u00e3o, imagens de cabe\u00e7as sendo cortadas, um homem se masturbando, pedidos de morte \u00e0s mulheres. Esses epis\u00f3dios seguem um padr\u00e3o semelhante ao de outros ataques registrados no pa\u00eds. Debates sobre divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da SBPC, outro sobre negritude &#8211; na UFBA -, um webin\u00e1rio sobre Atl\u00e2ntico Negro &#8211; na Unicamp &#8211; foram interrompidos por ofensas racistas e sauda\u00e7\u00f5es nazistas<sup>[4]<\/sup>. \u00c1udios e mensagens de texto com mensagens ofensivas e amea\u00e7as a ind\u00edgenas do Mato Grosso foram compartilhados em grupos de WhatsApp<sup>[5]<\/sup>. Os atos de \u201czoombombings\u201d (como s\u00e3o chamados os <em>trolls<\/em> no Zoom) visam tanto pequenas organiza\u00e7\u00f5es de mulheres como encontros online organizados pela ONU Mulheres<sup>[6]<\/sup>. A lista pode continuar, \u00e9 longa e f\u00e1cil de mapear pois os movimentos sociais t\u00eam articulado redes de den\u00fancias.<\/p>\n<p>SaferNet<sup>[7]<\/sup> \u00e9 a \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o no Brasil que sistematiza dados em escala nacional, mas n\u00e3o enfocam apenas no g\u00eanero nem detalham ataques ou discriminam por orienta\u00e7\u00e3o sexual, ra\u00e7a, territ\u00f3rio, idade ou qualquer outro marcador social das agredidas. Utilizam uma categoria \u00fanica (viol\u00eancia ou discrimina\u00e7\u00e3o contra mulheres em plataformas corporativas) e realizam um balan\u00e7o anual, somente, a exce\u00e7\u00e3o deste ano at\u00edpico, quando fizeram o balan\u00e7o em Abril de 2020. SaferNet Brasil havia publicado em fevereiro passado, quando se comemorou o Dia Mundial da Internet Segura, dados de uma pesquisa sobre den\u00fancias de crimes online contra mulheres durante 2019, antes da pandemia. Registraram 16.717 den\u00fancias, o que significa um aumento de 1.639,54% em rela\u00e7\u00e3o a 2018. Dos casos atendidos pelo Canal de Ajuda de SaferNet Brasil, segundo Rosa (2019), as cinco principais categorias de delitos foram: divulga\u00e7\u00e3o n\u00e3o consentida de imagens \u00edntimas (<em>nudes<\/em>), 669 casos; ciberbullying, 407 casos; fraudes e golpes, 242 casos; problemas de dados pessoais, 215 casos e conte\u00fados violentos, 112 casos. A quantidade de casos atendidos sobre divulga\u00e7\u00e3o de &#8220;nudes&#8221; e \u201csextors\u00e3o&#8221; cresceu 131,49% apenas em um ano. Casos de ciberbullying e intimida\u00e7\u00e3o virtual aumentaram de 13,4% em rela\u00e7\u00e3o a 2017, sendo as mulheres, as mais afetadas (68%) e a maioria s\u00e3o de mulheres de mais de 25 anos (60%).<\/p>\n<p>H\u00e1 pouca produ\u00e7\u00e3o de dados fundamentados sobre viol\u00eancias de g\u00eanero em ambientes digitais e devemos considerar, ainda, a alt\u00edssima subnotifica\u00e7\u00e3o desse tipo de a\u00e7\u00e3o. Quem mora nas capitais tem um acesso diferencial \u00e0 Internet e \u00e0s redes de apoio e as determina\u00e7\u00f5es de ra\u00e7a, classe, g\u00eanero, orienta\u00e7\u00e3o sexual, territ\u00f3rio e idade incidem muito na capacidade de defesa e den\u00fancia, visto que determinam tamb\u00e9m o acesso, o uso e as diferentes apropria\u00e7\u00f5es. H\u00e1 sim uma crescente preocupa\u00e7\u00e3o expressa em coment\u00e1rios, den\u00fancias, debates em redes sociais e em meios jornal\u00edsticos. Pesquisas s\u00e3o, quase sempre, realizadas com poucos recursos por coletivas feministas, tecnofeministas ou entidades n\u00e3o governamentais, a exce\u00e7\u00e3o de alguns pa\u00edses como M\u00e9xico, onde foi inclu\u00eddo de forma experimental na pesquisa sobre uso de TIC, a partir de 2015, um m\u00f3dulo tem\u00e1tico sobre ciberass\u00e9dio<sup>[8]<\/sup>. Paradoxalmente, o ciberass\u00e9dio foi definido sem fazer refer\u00eancia ao g\u00eanero, como um &#8220;ato intencional, seja por parte de um indiv\u00edduo ou um grupo, tendo como finalidade fazer dano ou incomodar a uma pessoa, mediante o uso de TIC, especificamente na Internet ou telefone celular&#8221; (INEGI, 2019) . N\u00e3o obstante, os resultados falam por si: as mulheres foram as mais assediadas, mediante propostas sexuais (40.3%). Das v\u00edtimas que conseguiram identificar o g\u00eanero do agressor, 61.8% dos homens e 54.8% das mulheres manifestou que se tratava de um homem<sup>[9]<\/sup>. Esses procedimentos anal\u00edticos e metodol\u00f3gicos que ignoram as iniquidades de g\u00eanero constituem tecnologias de encobrimento e invisibiliza\u00e7\u00e3o da crueldade e hostilidade mis\u00f3gina denunciada aos gritos pelas mulheres. Funcionam como aparelhos de produ\u00e7\u00e3o de figuras da &#8220;<em>due\u00f1idad<\/em>&#8221; masculinista, camuflando e dissimulando dados e estat\u00edsticas produzidas pelo Estado.<\/p>\n<p>O empenho por obter diagn\u00f3sticos realistas e exaustivos sobre a viol\u00eancia contra mulheres que se manifesta usando meios digitais visam, em geral, mapear a legisla\u00e7\u00e3o nacional sobre o tema, mapear e documentar em detalhe o tipo de agress\u00e3o para tipific\u00e1-la, e coletar informa\u00e7\u00e3o sobre o perfil das afetadas. Procura-se conhecer em profundidade o fen\u00f4meno, suas formas, canais e estrat\u00e9gias usadas pelos agressores, e o perfil dos agressores. Tamb\u00e9m h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o com as estrat\u00e9gias e recursos desenvolvidos pelas mulheres perante estas agress\u00f5es, em mapear e conhecer que tipo de defesas e prote\u00e7\u00f5es podem ser ativadas. N\u00f3s estamos nesse empenho<sup>[10]<\/sup>, cientes das estreitas margens de manobra perante fen\u00f4menos estruturais como o machismo e o racismo. Ainda que condutas hostis possam proceder tanto de desconhecidos como do ambiente familiar da v\u00edtima, h\u00e1 de destacar-se a import\u00e2ncia de caracteriz\u00e1-las como parte de um <em>continuum <\/em>de viol\u00eancias offline e online. Por isso, quando o <em>Internet Governance Forum<\/em><sup>[11]<\/sup>, em 2015, reconhece que a viol\u00eancia contra as mulheres, incluindo a dom\u00e9stica ou intra-familiar, pode assumir a forma de um ato isolado ou de padr\u00e3o de comportamento abusivo que pode ocorrer durante um per\u00edodo de tempo, que constitui um padr\u00e3o de viol\u00eancia contra as mulheres e pode incluir atos como <em>ciberbullying<\/em> e <em>ciberstalking, <\/em>est\u00e1 reconhecendo essa conduta como parte dessas estruturas elementares da viol\u00eancia das quais fala Segato, e da responsabilidade dos Estados para prevenir, enfrentar e proteger as v\u00edtimas.<\/p>\n<h2><strong>Vigil\u00e2ncia, uma no\u00e7\u00e3o el\u00e1stica<\/strong><\/h2>\n<p>No relat\u00f3rio publicado recentemente pela organiza\u00e7\u00e3o chilena Acoso.online (2020), coordenado por Paz Pe\u00f1a O., a viol\u00eancia dom\u00e9stica em contexto digital foi definida como uma \u201ctecnologia de facilita\u00e7\u00e3o do controle coercitivo&#8221; \u2013 numa tradu\u00e7\u00e3o livre de <em>\u201ctechnology facilitated coercive control\u201d<\/em> (TFCC) \u2013, termo sugerido por Dragiewicz et al (2018) em rela\u00e7\u00e3o a agress\u00f5es e abusos por parceiros \u00edntimos atuais ou anteriores, facilitados pela m\u00eddia digital. Esse controle coercitivo \u00e9 usado pelos agressores para tentar intimidar, mas tamb\u00e9m para gerenciar, dominar e isolar as v\u00edtimas. Delanie Woodlock, citada por Pe\u00f1a O., afirma que os perpetradores de viol\u00eancia dom\u00e9stica aplicam tecnologias de tr\u00eas maneiras para usar seu poder coercitivo sobre as mulheres, sendo uma delas a cria\u00e7\u00e3o de uma sensa\u00e7\u00e3o de vigil\u00e2ncia onipresente:<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Os perpetradores querem que as mulheres saibam que est\u00e3o sob constante vigil\u00e2ncia. Assim, o agressor usa tecnologias m\u00f3veis para criar uma sensa\u00e7\u00e3o de ser sempre presente na vida da v\u00edtima. Isso pode incluir atos como chamadas e mensagens cont\u00ednuas e todos formas de tecnologia para rastrear mulheres, incluindo o uso de tecnologia m\u00f3vel GPS, bem como a vigil\u00e2ncia da atividade online da v\u00edtima atrav\u00e9s das redes sociais. Outra forma \u00e9 usar tecnologia para isolar as mulheres de seus sistemas de apoio por meio de ass\u00e9dio direto ou indireto de amigos e familiares, incluindo mensagens de texto, exclus\u00e3o ou desativa\u00e7\u00e3o de suas contas do Facebook, etc. O terceiro um \u00e9 o uso da tecnologia para punir e humilhar as mulheres; por exemplo, postar mensagens abusivas ou coment\u00e1rios para difamar e embara\u00e7ar as v\u00edtimas. O objetivo final desse comportamento \u00e9 rebaixar mulheres a ponto de cal\u00e1-las (PE\u00d1A,op.cit. p. 06).<\/em><\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8220;Silenciamento ativo&#8221; \u00e9 outra forma para descrever as estrat\u00e9gias patriarcais que se desenvolvem ao longo da hist\u00f3ria para calar as vozes das mulheres como mecanismo de reprodu\u00e7\u00e3o do poder (BEARD, apud GUIMON, 2018). Em outro texto escrito junto a Florencia Goldsman (2018), caracterizamos a vigil\u00e2ncia via dados como um dos dois tipos de viol\u00eancias digitais de g\u00eanero. Essa vigil\u00e2ncia, invis\u00edvel, est\u00e1 impl\u00edcita na arquitetura da rede na medida em que propicia um sistem\u00e1tico e massivo sistema de rastreamento, coleta e an\u00e1lise de dados das usu\u00e1rias, para alimentar o modelo de neg\u00f3cios da Internet, e que vem sendo exaustivamente analisado nesta rede LAVITS. Como estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a dos governos, a vigil\u00e2ncia pode afetar direitos das mulheres, particularmente as envolvidas na defesa dos direitos humanos e dos direitos reprodutivos, como o acesso ao aborto legal, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o sexual e \u00e0 luta antirracista.<\/p>\n<p>Os outros tipos de viol\u00eancias, localizadas no plano das intera\u00e7\u00f5es (<em>doxing<\/em>, ass\u00e9dio, sextors\u00e3o, amea\u00e7as, roubo de identidade, publica\u00e7\u00e3o de imagens sem consentimento, etc.), que s\u00e3o objeto das an\u00e1lises deste texto, foram descritas e tipificadas no relat\u00f3rio realizado por Coding Rights e InternetLab (2017) e t\u00eam uma percept\u00edvel dimens\u00e3o de vigil\u00e2ncia. Cabe observar como a vigil\u00e2ncia, nesse \u00faltimo sentido, n\u00e3o \u00e9 apenas uma certeza abstrata, um saber gen\u00e9rico ou uma suspeita de que, talvez, estamos sendo rastreadas. \u00c9 muito mais do que isso, \u00e9 a convic\u00e7\u00e3o de que nosso agressor est\u00e1 \u00e0 espreita, que pode aparecer em qualquer momento, assaltar a intimidade do nosso quarto, controlar nossa vida mas sem a ter certeza desde onde. O controle funciona como uma tecnologia esc\u00f3pica cujo poder \u00e9 ver tudo sem ser visto. Isso tem efeitos f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos conhecidos. Ansiedade, depress\u00e3o, altera\u00e7\u00f5es no sono, frustra\u00e7\u00e3o, impot\u00eancia, medo. H\u00e1, inclusive, casos de suic\u00eddio documentados. A autocensura \u00e9 outro dos efeitos mais frequentes. Sair da Internet por algum tempo (silenciar) \u00e9 uma das medidas defensivas mais tomadas, tolhendo o direito de habitar esses espa\u00e7os. Muitas dessas agress\u00f5es poderiam ser enquadradas legalmente como viol\u00eancia &#8220;psicol\u00f3gica&#8221; &#8211; particularmente as que s\u00e3o perpetradas por pessoas pr\u00f3ximas em rela\u00e7\u00e3o de (suposto) afeto, tipificadas na Lei Maria da Penha. \u00c9 o tipo de coa\u00e7\u00e3o de ordem moral das mais generalizadas no que se refere ao sistema de g\u00eanero\/ra\u00e7a, por sua extens\u00e3o, naturaliza\u00e7\u00e3o e capilaridade.<\/p>\n<p>O terror sexual \u00e9 uma das estrat\u00e9gias mais utilizadas pelos agressores. Amea\u00e7as de estupro s\u00e3o moeda corrente, tanto dos ex-parceiros como dos desconhecidos. Segato compara a viol\u00eancia masculinista com a mafiosa, no sentido de que opera como uma linguagem e no marco de uma confraria; a estrutura da masculinidade dominante seria an\u00e1loga ao pacto corporativo da m\u00e1fia, cujas regras marcam a apropria\u00e7\u00e3o diferencial de prest\u00edgio e poder. Tal como a fam\u00edlia branca heterossexual monog\u00e2mica, os pactos societ\u00e1rios de g\u00eanero e de ra\u00e7a s\u00e3o ativos produtores de diferen\u00e7as como desigualdades e hierarquias. Pactos mafiosos exigem fidelidade e ser var\u00e3o branco \u00e9 uma hierarquia que precisa ser renovada, testada e aprovada pelos pares. O feminic\u00eddio e o estupro s\u00e3o interpretados como um interc\u00e2mbio de mensagens entre os confrades e Segato se distancia de explica\u00e7\u00f5es advindas de alguma rela\u00e7\u00e3o com o prazer, o desejo ou a sexualidade. Se algum investimento libidinal existe, diz, est\u00e1 colocado no pacto corporativo masculino-branco-mafioso e n\u00e3o no corpo da v\u00edtima expiat\u00f3ria. &#8220;Que estuprem e matem as filhas dos ordin\u00e1rios ministros&#8221;, leu o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes em uma postagem do Facebook, escrito por uma mulher &#8211; advogada, branca, bolsonarista<sup>[12]<\/sup> &#8211; quando emitiu parecer favor\u00e1vel ao inqu\u00e9rito que investiga ataques por meio de <em>fake news<\/em><em>.<\/em> A invers\u00e3o de g\u00eanero dos protagonistas desse exemplo \u00e9 provocativa, mas ilustra algo importante: n\u00e3o falamos de homens e mulheres em sentido essencialista sen\u00e3o como posi\u00e7\u00f5es de sujeito na trama patriarcal que os interpela, por\u00e9m, de forma desigual. O estupro \u00e9 um enunciado, um mandato e condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a reprodu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es g\u00eanero enquanto estrutura de poder colonial-patriarcal. Al\u00e9m de um crime \u00e0 integridade f\u00edsica, obviamente, a crueldade da amea\u00e7a coloca a v\u00edtima no cen\u00e1rio da moral social. A amea\u00e7a proferida ao ministro n\u00e3o est\u00e1 dirigida ao sujeito do enunciado (suas filhas), sen\u00e3o que forma parte dessa interlocu\u00e7\u00e3o horizontal no interior da estrutura da m\u00e1fia patriarcal. Por isso, &#8220;quando as pol\u00edticas p\u00fablicas se centram mais no perpetrador [da viol\u00eancia], olvidando-se do intenso processo de comunica\u00e7\u00e3o do ato violento, com certeza, muito do essencial \u00e9 deixado de lado, impedindo a efic\u00e1cia das a\u00e7\u00f5es&#8221; (PEREIRA, 2007).<\/p>\n<h2><strong>Solu\u00e7\u00f5es parciais: cuidar, cuidar-se e reduzir danos digitais<\/strong><\/h2>\n<p>Cuidados digitais, em sentido estrito, \u00e9 a denomina\u00e7\u00e3o de um conjunto de estrat\u00e9gias de seguran\u00e7a digital elaboradas e divulgadas por ativistas feministas na Internet, como forma de defesa e preven\u00e7\u00e3o de danos produto de ataques virtuais contra mulheres e grupos minorizados. Em sentido amplo, \u00e9 o termo usado por essas coletivas para abordar as estrat\u00e9gias coletivas de rela\u00e7\u00e3o vivencial nos ambientes tecnologizados. Por isso, os chamam de \u201ccuidados integrais\u201d, onde integram-se recursos t\u00e9cnicos com a forma\u00e7\u00e3o de redes de apoio e\/ou comunidades de cuidados de si e das outras. O fen\u00f4meno pode ser interpretado como uma reconvers\u00e3o, no ambiente digital, de uma longa tradi\u00e7\u00e3o feminista sobre a no\u00e7\u00e3o de \u201ccuidado\u201d, como um conjunto de pr\u00e1ticas baseadas na heran\u00e7a discursiva da \u00e9tica feminista, principalmente pelos aportes produzidos pelas an\u00e1lises interseccionais e a reivindica\u00e7\u00e3o da sororidade como um <em>ethos <\/em>de resist\u00eancia. Observamos que os cuidados digitais, quando abordados por coletivas feministas na Internet, v\u00eam sendo interpretados por meio de uma no\u00e7\u00e3o mais ampla que a tecnol\u00f3gica. Os saberes sobre cuidados digitais se emolduram numa filosofia do bem viver reivindicada pelos povos tradicionais das Am\u00e9ricas\/Abya Yala e pelas mulheres negras no Brasil, que entende as tecnologias e a Internet como um habitat no qual integram-se e confluem-se o direito a uma vida offline e online livre de viol\u00eancias, o direito \u00e0 cidadania, \u00e0 sa\u00fade f\u00edsica e emocional, \u00e0 autoestima e empoderamento coletivo, ao saber t\u00e9cnico e cultural onde o tecnol\u00f3gico n\u00e3o \u00e9 externo ou apenas instrumento, mas uma das formas de viver o contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>\u201cCuidar de si mesma, cuidarmos umas das outras, deixarmo-nos ser cuidadas, retribuir o cuidado recebido; compartilhar as nossas emo\u00e7\u00f5es&#8230; enxergamos o cuidado entre as ativistas como um tipo de interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que nos possibilita lidar com elementos e situa\u00e7\u00f5es que bloqueiam nossas trajet\u00f3rias de transforma\u00e7\u00f5es subjetivas\u201d (OLIVEIRA E DORDEVIC, 2015, p. 16-17). O autocuidado entre mulheres (mulheres em sentido amplo, n\u00e3o cisheteronormativo nem etnoc\u00eantrico) pode ser um ato pol\u00edtico coletivo que contribua a fragilizar o pacto fratricida patriarcal branco do qual as plataformas corporativas de redes sociais s\u00e3o c\u00famplices e s\u00f3cias, instaurando uma outra interlocu\u00e7\u00e3o horizontal, talvez porque n\u00e3o, desconectada da Internet. Pelo menos, dessa Internet que virou ferramenta do amo, pura <em>due\u00f1idad.<\/em><\/p>\n<h3>Notas<\/h3>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-51511316\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-51511316<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/politica\/2020\/07\/30\/interna_politica,876991\/moraes-manda-twitter-bloquear-contas-de-investigados-no-stf.shtml\">https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/politica\/2020\/07\/30\/interna_politica,876991\/moraes-manda-twitter-bloquear-contas-de-investigados-no-stf.shtml<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/amnboficial\/\">https:\/\/www.facebook.com\/amnboficial\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-53030511\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-53030511<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-53541373\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-53541373<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> <a href=\"https:\/\/www.pikaramagazine.com\/2020\/05\/trolls-pandemicos\/\">https:\/\/www.pikaramagazine.com\/2020\/05\/trolls-pandemicos\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> <a href=\"https:\/\/www.safernet.org.br\/site\/institucional\/projetos\/cnd\">https:\/\/www.safernet.org.br\/site\/institucional\/projetos\/cnd<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> O <em>Instituto Nacional de Estad\u00edstica y Geograf\u00eda (INEGI)<\/em> de M\u00e9xico realiza, desde 2015 e em forma experimental, o <em>M\u00f3dulo sobre Ciberacoso<\/em> (MOCIBA). \u00c9 uma parte da <em>Encuesta Nacional sobre Disponibilidad y Uso de las Tecnolog\u00edas de la Informaci\u00f3n en los Hogares (ENDUTIH)<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> https:\/\/www.inegi.org.mx\/contenidos\/saladeprensa\/boletines\/2020\/EstSociodemo\/MOCIBA-2019.pdf<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> Projeto &#8220;Covid 19 &#8211; Violencia digital de g\u00e9nero en Brasil durante la pandemia&#8221;, coordenado por @Perif\u00e9ricas-SSA e o Grupo de Pesquisa Gig@\/UFBA, com apoio do <em>Fondo de Respuesta R\u00e1pida<\/em> da ONG <em>Derechos Digitales<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> Internet Governance Forum (IGF). 2015. <strong>Best Practice Forum (BPF) on Online Abuse and Gender-<\/strong><strong>Based Violence Against Women.<\/strong> Dispon\u00edvel em https:\/\/www.intgovforum.org\/cms\/documents\/best-practiceforums\/ 623-bpf-online-abuse-and-gbv-against-women\/file.<\/p>\n<p><sup>[12]<\/sup> <a href=\"https:\/\/revistaforum.com.br\/politica\/advogada-bolsonarista-publica-nas-redes-que-estuprem-e-matem-as-filhas-dos-ordinarios-ministros-do-stf\/\">https:\/\/revistaforum.com.br\/politica\/advogada-bolsonarista-publica-nas-redes-que-estuprem-e-matem-as-filhas-dos-ordinarios-ministros-do-stf\/<\/a><\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3>Refer\u00eancias<\/h3>\n<p>ACOSO.ONLINE. <strong>Domestic violence and its online manifestations in the context of a pandemic<\/strong>. A submission from Acoso.Online to the United Nations Special Rapporteur on violence against women, its causes and consequences. June 2020. <a href=\"https:\/\/acoso.online\/ar\/\">https:\/\/acoso.online\/ar\/<\/a><\/p>\n<p>ARA\u00daJO, D., PRADO, D., KANASHIRO, M. <strong>Lavits_Covid19_#11<\/strong>: viol\u00eancias contra as mulheres e o entrela\u00e7amento com as tecnologias: complexidades e reconfigura\u00e7\u00f5es no contexto das crises e da pandemia de COVID-19o, 2020. Dispon\u00edvel em <u>encurtador.com.br\/fmqyW<\/u><\/p>\n<p>ARTICULA\u00c7\u00c3O DE MULHERES NEGRAS BRASILEIRAS. <strong>Facebook<\/strong>, 9 Jun. 2020. <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/amnboficial\/\">https:\/\/www.facebook.com\/amnboficial\/<\/a><\/p>\n<p>CODING RIGHTS; INTERNETLAB. <strong>Viol\u00eancias contra mulher na internet: diagn\u00f3stico, solu\u00e7\u00f5es e desafios.<\/strong> Contribui\u00e7\u00e3o conjunta do Brasil para a relatora especial da ONU sobre viol\u00eancia contra a mulher. S\u00e3o Paulo, 2017. Dispon\u00edvel em http:\/\/www.internetlab.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Relatorio_ViolenciaGenero_ONU.pdf&gt;.<\/p>\n<p>DEMARTINI, Felipe, Hackers est\u00e3o invadindo confer\u00eancias do Zoom para exibir pornografia. CanalTech 21 Mar 2020. Dispon\u00edvel em <u>encurtador.com.br\/aoA14<\/u><\/p>\n<p>DRAGIEWICZ, M., BURGESS, J., MATAMOROS-FERN\u00c1NDEZ, A., SALTER,M., SUZOR, N., WOODLOCK, D., BRIDGET, H. Technology facilitated coercive control: domestic violence and the competing roles of digital media platforms. <strong>Feminist Media Studies<\/strong>, 2018, DOI: 10.1080\/14680777.2018.1447341<\/p>\n<p>FORUM. <strong>Advogada bolsonarista publica nas redes: \u201cQue estuprem e matem as filhas dos ordin\u00e1rios ministros do STF\u201d<\/strong>. 10 nov. 2019. Dispon\u00edvel em <u>encurtador.com.br\/ARUWY<\/u><\/p>\n<p>GOLDSMAN, Florencia e NATANSOHN, Graciela. Violencia de g\u00e9nero expandida: vigilancia y privacidad en red. <strong>Fronteiras Estudos Midi\u00e1ticos<\/strong>. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/revistas.unisinos.br\/index.php\/fronteiras\/article\/view\/fem.2018.203.10\">http:\/\/revistas.unisinos.br\/index.php\/fronteiras\/article\/view\/fem.2018.203.10<\/a><\/p>\n<p>GOLDSMAN, Florencia. Trolls Pand\u00e9micos. <strong>Pikara.<\/strong> 13 mai. 2020. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.pikaramagazine.com\/2020\/05\/trolls-pandemicos\/\">https:\/\/www.pikaramagazine.com\/2020\/05\/trolls-pandemicos\/<\/a><\/p>\n<p>GUIM\u00d3N, P. \u201cEl poder del hombre est\u00e1 correlacionado con su capacidad de silenciar a las mujeres\u201d. <strong>El Pa\u00eds.<\/strong> 11 fev. 2018. <a href=\"https:\/\/elpais.com\/cultura\/2018\/02\/09\/actualidad\/1518195599_638386.html\">https:\/\/elpais.com\/cultura\/2018\/02\/09\/actualidad\/1518195599_638386.html<\/a><\/p>\n<p>INEGI, 2019 . <u>https:\/\/www.inegi.org.mx\/contenidos\/saladeprensa\/boletines\/2020\/ <\/u><\/p>\n<p>INTERNET GOVERNANCE FORUM (IGF). 2015. <strong>Best Practice Forum (BPF) on Online Abuse and Gender-Based Violence Against Women.<\/strong> Dispon\u00edvel em <u>encurtador.com.br\/fpzY6<\/u><\/p>\n<p>LEMOS, Vin\u00edcius. &#8216;Isso n\u00e3o \u00e9 gente&#8217;: os \u00e1udios com ataques a ind\u00edgenas na pandemia que se tornaram alvos do MPF. <strong>BBC,<\/strong> 27 Jul 2020 <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-53541373\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-53541373<\/a><\/p>\n<p>OLIVEIRA, Guacira, DORDEVIC, Jelena. Cuidado entre ativistas, tecendo redes para a resist\u00eancia feminista. <strong>CFEMEA<\/strong>, 2015.<\/p>\n<p>PEREIRA, Pedro. Resenha do livro de Rita Segato \u2013 Las estructuras elementales de la violencia. <strong>cadernos pagu<\/strong> (29), julho-dezembro de 2007, p.459-468. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/pdf\/cpa\/n29\/a18n29.pdf\">https:\/\/www.scielo.br\/pdf\/cpa\/n29\/a18n29.pdf<\/a><\/p>\n<p>PERIF\u00c9RICAS, GIG@\/UFBA. Projeto &#8220;Covid 19 &#8211; Violencia digital de g\u00e9nero en Brasil durante la pandemia&#8221;, coordenado por @Perif\u00e9ricas-SSA e o Grupo de Pesquisa Gig@\/UFBA, com apoio do <em>Fondo de Respuesta R\u00e1pida<\/em> da ONG <em>Derechos Digitales<\/em>. 2020.<\/p>\n<p>RAMOS, Raphaela. Viol\u00eancia contra a mulher na internet cresce durante a pandemia. <strong>O Globo<\/strong>, 22 Mai 2020. Dispon\u00edvel em <u>encurtador.com.br\/bmp47<\/u><\/p>\n<p>ROSA, Natalie. Brasil registra aumento de 1.600% em den\u00fancias de crimes online contra mulheres. <strong>CanalTech<\/strong>, 05 de Fevereiro de 2019. Dispon\u00edvel em <u>encurtador.com.br\/gjpNY<\/u><\/p>\n<p>SAFERNET BRASIL <a href=\"https:\/\/www.safernet.org.br\/site\/institucional\/projetos\/cnd\">https:\/\/www.safernet.org.br\/site\/institucional\/projetos\/cnd<\/a><\/p>\n<p>SEGATO, Rita. Contra-pedagog\u00edas de la crueldad. Buenos Aires: Prometeo Libros, 2018.<\/p>\n<p>SEGATO, Rita. Las estructuras elementales de la violencia: ensayos sobre g\u00e9nero entre la antropolog\u00eda, el psicoanalisis y los derechos humanos. Buenos Aires: Prometeo Libros, 2010.<\/p>\n<p>SENRA, Ricardo. Invas\u00e3o com su\u00e1sticas e v\u00eddeos de decapita\u00e7\u00e3o interrompe reuni\u00e3o virtual de mulheres sobre racismo. BBC, 12 Jun 2020. <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-53030511\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-53030511<\/a><\/p>\n<p>VALLONE, Giulianna. Inspirado nos EUA, Bolsonaro adota t\u00e1tica de troll: testar limites para ganhar visibilidade, diz fil\u00f3sofo. BBC. 22 fev.2020 <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-51511316\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-51511316<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>* Graciela Natansohn \u00e9 Professora Associada da Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia e docente do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura Contempor\u00e2neas. Suas pesquisas e produ\u00e7\u00f5es concentram-se na interse\u00e7\u00e3o entre a comunica\u00e7\u00e3o digital e o feminismo: quest\u00f5es de g\u00eanero nas tecnologias digitais e no jornalismo; ciber-hack-transfeminismos e tecnofeminismos. Graduada em Jornalismo (Universidad Nacional de La Plata, Argentina,1984) e Licenciatura em Comunica\u00e7\u00e3o Social ( Universidad Nacional de La Plata, Argentina , 1987), mestrado (1998) e doutorado (2003) em Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura Contempor\u00e2neas pela Universidade Federal da Bahia. P\u00f3s-doutorados em Universidad Nacional de Buenos Aires\/UBA (Argentina, 2012-2013) e Universidad Nacional Aut\u00f3noma de M\u00e9xico\/UNAM (M\u00e9ixco, 2019-2020). Coordena o grupo de Pesquisa em G\u00eanero, Tecnologias Digitais e Cultura (GIG@\/UFBA).<\/em><\/p>\n<p>** Agrade\u00e7o a S\u00e9rgio Rodrigo S. Ferreira e a Thiane Neves pela leitura atenta e revis\u00e3o deste texto.<\/p>\n<h2><strong>S\u00e9rie Lavits_Covid19<\/strong><\/h2>\n<p>A <strong>Lavits_Covid19: Pandemia, tecnologia e capitalismo de vigil\u00e2ncia<\/strong> \u00e9 um exerc\u00edcio de reflex\u00e3o sobre as respostas tecnol\u00f3gicas, sociais e pol\u00edticas que v\u00eam sendo dadas \u00e0 pandemia do novo coronav\u00edrus, com especial aten\u00e7\u00e3o aos processos de controle e vigil\u00e2ncia. Tais respostas levantam problemas que se furtam a sa\u00eddas simples. A s\u00e9rie nos convoca a reinventar ideias, corpos e conex\u00f5es em tempos de pandemia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Graciela Natansohn* &nbsp; \u201cA hist\u00f3ria masculina \u00e9 a hist\u00f3ria da viol\u00eancia\u201d, afirma Rita Segato (2018). 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