{"id":9297,"date":"2020-07-13T18:18:56","date_gmt":"2020-07-13T21:18:56","guid":{"rendered":"https:\/\/lavits.bemvindo.co\/lavits_covid19_12-o-dispositivo-monitoramento-como-tecnologia-politica-e-seus-usos-na-pandemia-de-covid-19\/"},"modified":"2020-07-13T18:18:56","modified_gmt":"2020-07-13T21:18:56","slug":"lavits_covid19_12-o-dispositivo-monitoramento-como-tecnologia-politica-e-seus-usos-na-pandemia-de-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lavits.org\/en\/lavits_covid19_12-o-dispositivo-monitoramento-como-tecnologia-politica-e-seus-usos-na-pandemia-de-covid-19\/","title":{"rendered":"#12: o dispositivo monitoramento como tecnologia pol\u00edtica e seus usos na pandemia de Covid-19"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Ac\u00e1cio Augusto*<\/em><\/p>\n<h6><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u201cSe \u00e9 certo que o desenvolvimento de tecnologias eficazes nos permite <\/em><em>viajar de um lugar para o outro, que as comodidades tornaram f\u00e1cil a nossa movimenta\u00e7\u00e3o pelo planeta, tamb\u00e9m \u00e9 certo que essas facilidades s\u00e3o acompanhadas por uma perda de sentido dos nossos deslocamentos.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Ailton Krenak<\/strong> em <em>Ideias para adiar o fim do mundo<\/em>, 2019<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diversos estudos e pesquisas contempor\u00e2neas colocam quest\u00f5es e problemas relativos ao uso de novas tecnologias. Neles, h\u00e1 variadas maneiras de caracterizar e nomear como vivemos na sociedade contempor\u00e2nea: sociedades de controle, Imp\u00e9rio, capitalismo de vigil\u00e2ncia, capitalismo algor\u00edtmico, cognitivo e\/ou de dados, sociedade de hiperconectividade, sociedade l\u00edquida, sociedade em rede etc. Apesar da diversidade de perspectivas de an\u00e1lise e de referenciais te\u00f3ricos, o comum nessas diversas caracteriza\u00e7\u00f5es \u00e9 o foco nas tecnologias computo-informacionais como elemento decisivo de transforma\u00e7\u00e3o, metamorfoses e, para alguns, at\u00e9 de determina\u00e7\u00e3o de nossa sociabilidade hoje (nota 1).<\/p>\n<p>De fato, as tecnologias computo-informacionais ocupam e modulam todas as dimens\u00f5es da exist\u00eancia de um vivente no s\u00e9culo XXI. \u00c9 muito dif\u00edcil reconhecer e at\u00e9 imaginar algo que escape \u00e0 media\u00e7\u00e3o dos fluxos nas telas de aparelhos eletr\u00f4nicos: mundo do trabalho, pol\u00edticas de seguran\u00e7a, fluxo financeiro, redes sociais e de amizades, novos e antigos relacionamentos amorosos, produ\u00e7\u00e3o e consumo de m\u00fasica e artes visuais, educa\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o, entretenimento e mais um monte de etcs. que acontecem <em>no<\/em> ou <em>por meio<\/em> do chamado \u201cmundo digital\u201d, que em nada se op\u00f5e a que seria o \u201cmundo real\u201d, quest\u00e3o j\u00e1 superada. Inevitavelmente amplas dimens\u00f5es da vida est\u00e3o no arco de governo dos algoritmos. No entanto, n\u00e3o custa lembrar o tru\u00edsmo de que n\u00e3o h\u00e1 tecnologia neutra e que, no caso da internet, sua hist\u00f3ria mostra que n\u00e3o se trata de disput\u00e1-la e\/ou politiz\u00e1-la. Desde suas proced\u00eancias, derivadas da Segunda Guerra Mundial e seu tratado de paz com a Carta de S\u00e3o Francisco (1945), a internet se mostra afeita aos controles que transitam entre o militar e o civil, sempre atualiz\u00e1vel por varia\u00e7\u00f5es de zonas de seguran\u00e7a mediadas por protocolos \u2013 uma forma de diplomacia digital n\u00e3o necessariamente mediada por Estados-na\u00e7\u00e3o. Em suma: a an\u00e1lise cr\u00edtica das tecnologias computo-informacionais implica, antes, uma an\u00e1lise hist\u00f3rico-geneal\u00f3gica das pr\u00e1ticas e formas de governo das condutas como tecnologias pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Este texto objetiva apresentar o <em>dispositivo monitoramento<\/em> (nota 2) como uma tecnologia pol\u00edtica e seus efeitos em meio \u00e0 pandemia de Covid-19. Ainda que as pr\u00e1ticas de monitoramento estejam conectadas \u00e0s tecnologias computo-informacionais, \u00e0 internet e uma s\u00e9rie de aparelhos inicialmente usados pelas For\u00e7as Armadas e posteriormente civilizados \u2013 como <em>drones<\/em>, GPS, mapas de calor para controle de corpos em movimento e banco de dados \u2013, elas operam e acionam uma pol\u00edtica bastante heterog\u00eanea e n\u00e3o exclusiva dos controles eletr\u00f4nicos ou de a\u00e7\u00f5es militares. Trata-se de uma orienta\u00e7\u00e3o de governo de condutas, pessoais e institucionais, que realiza o objetivo de controlar a c\u00e9u aberto, regular em movimento, em fluxos, e modular formas de penaliza\u00e7\u00f5es a c\u00e9u aberto.<\/p>\n<p>Por essas raz\u00f5es caracterizo o monitoramento a partir da no\u00e7\u00e3o de dispositivo elaborada por Michel Foucault. Segundo o fil\u00f3sofo franc\u00eas, dispositivo \u00e9 um termo que tenta \u201cdemarcar, em primeiro lugar, um conjunto decididamente heterog\u00eaneo que engloba discursos, institui\u00e7\u00f5es, organiza\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas, decis\u00f5es regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados cient\u00edficos, proposi\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas, morais, filantr\u00f3picas. Em suma, o dito e n\u00e3o dito s\u00e3o os elementos do dispositivo. O dispositivo \u00e9 a rede que se pode estabelecer entre esses elementos. (&#8230;) Entre esses elementos, discursivos ou n\u00e3o, existe um tipo de jogo, ou seja, mudan\u00e7as de posi\u00e7\u00e3o, modifica\u00e7\u00f5es de fun\u00e7\u00f5es, que tamb\u00e9m podem ser muito diferentes. (&#8230;) Entendo dispositivo como um tipo de forma\u00e7\u00e3o que, em um determinado momento hist\u00f3rico, teve como fun\u00e7\u00e3o principal responder a uma urg\u00eancia. O dispositivo tem, portanto, uma fun\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica dominante&#8221; (nota 3).<\/p>\n<p>\u00c9 cumprindo uma fun\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de responder a uma urg\u00eancia, portanto, referente aos novos controles a c\u00e9u aberto, que o <em>dispositivo monitoramento <\/em>e seus desdobramentos como formas da <em>democracia securit\u00e1ria <\/em>e das condutas do <em>cidad\u00e3o-pol\u00edcia <\/em>ser\u00e1 ent\u00e3o localizado e apresentado. Diante do acontecimento pand\u00eamico, sem d\u00favida uma urg\u00eancia, observa-se uma intensifica\u00e7\u00e3o oportuna para os controles do <em>dispositivo monitoramento<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>O dispositivo monitoramento na pandemia<\/strong><\/h2>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>As tecnologias pol\u00edticas e computo-informacionais contempor\u00e2neas guardam suas proced\u00eancias no final da Segunda Guerra Mundial, quando aparecem os primeiros investimentos em pesquisas e desenvolvimento tecnol\u00f3gico que, nos 30 anos seguintes, ir\u00e3o transformar decididamente as formas de nascer, produzir, amar e morrer. \u00c9 tamb\u00e9m na metade do s\u00e9culo XX que os investimentos militares voltados para a guerra e a defesa nacional come\u00e7am a se deslocar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 busca por seguran\u00e7a e a produ\u00e7\u00e3o de uma seguran\u00e7a internacional, com a emerg\u00eancia dos Estudos Estrat\u00e9gicos como campo de investiga\u00e7\u00e3o e de saber n\u00e3o restrito aos militares (nota 4). Nesse momento da hist\u00f3ria do planeta, dois acontecimentos se tornam decisivos para as transforma\u00e7\u00f5es seguintes e que chegam at\u00e9 n\u00f3s: a capacidade t\u00e9cnica real de destrui\u00e7\u00e3o de todo o planeta, com o desenvolvimento das bombas at\u00f4micas com ogivas nucleares, e as viagens espaciais e o lan\u00e7amento de sat\u00e9lites que permitem, a partir de ent\u00e3o, observar toda vida do planeta de \u201cfora\u201d, de cima.<\/p>\n<p>Em um breve texto de 1990, o fil\u00f3sofo Gilles Deleuze delineia um quadro de an\u00e1lise bastante preciso, e ao mesmo tempo amplo, dessas transforma\u00e7\u00f5es e muta\u00e7\u00f5es das tecnologias pol\u00edticas e de governo das condutas. Partindo da caracteriza\u00e7\u00e3o das tecnologias pol\u00edticas modernas de poder feita for Michel Foucault acerca das sociedades disciplinares, Deleuze tra\u00e7a <em>um hist\u00f3rico<\/em>, <em>uma l\u00f3gica<\/em> e <em>um programa<\/em> do que seriam as tecnologias contempor\u00e2neas de poder e de governo das condutas, as quais nomeia de \u201csociedades de controle\u201d, em refer\u00eancia a uma obra de William Burroughs. Primeiramente, descreve uma hist\u00f3ria que nos informa que sociedade disciplinar \u00e9 o que estamos deixamos de ser em meio a uma \u201ccrise generalizada de todos os meios de confinamento [caracter\u00edsticos da sociedade disciplinar], pris\u00e3o, hospital, f\u00e1brica, escola, fam\u00edlia\u201d (nota 5). Essas novas for\u00e7as, que v\u00e3o se instalando em meio \u00e0 crise, n\u00e3o operam por moldes, mas por modula\u00e7\u00f5es; s\u00e3o digitais e, portanto, num\u00e9ricas, algor\u00edtmicas. Suas m\u00e1quinas correspondentes s\u00e3o as da inform\u00e1tica, \u201ccujo o perigo passivo \u00e9 a interfer\u00eancia, e o ativo, a pirataria e a introdu\u00e7\u00e3o de v\u00edrus\u201d. No entanto, a muta\u00e7\u00e3o nas tecnologias pol\u00edticas n\u00e3o s\u00e3o causadas por essas novas m\u00e1quinas, pois \u201cn\u00e3o \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica sem ser, mais profundamente, uma muta\u00e7\u00e3o do capitalismo\u201d (nota 6). E decorre disso todos os efeitos pol\u00edticos e sociais como resposta \u00e0s crises dos meios de confinamento: predomin\u00e2ncia dos servi\u00e7os sobre a produ\u00e7\u00e3o que faz da dispersiva forma-empresa a resposta ao confinamento e concentra\u00e7\u00e3o fabril; a propaganda torna-se instrumento de controle social; o controle se d\u00e1 de forma r\u00e1pida, descontinua e infinita; a forma\u00e7\u00e3o continuada atravessa o confinamento escolar; a fam\u00edlia \u00e9 modulada em suas formas e arranjos como resposta \u00e0s novas rela\u00e7\u00f5es amorosas \u2013 importa apenas que a fam\u00edlia se constitua como centro de investimento em capital humano; a riqueza n\u00e3o se mede mais pela capacidade de acumular e\/ou poupar, mas pelo poder de cr\u00e9dito, capacidade de prometer, projetar um futuro que \u00e9 o mesmo que o presente, s\u00f3 que pretensamente mais rico; por fim, a produ\u00e7\u00e3o subjetiva do vivente que passa de um espa\u00e7o de confinamento a outro se metamorfoseia em um sujeito controlado em tr\u00e2nsito, em meio aberto, que acumula d\u00edvidas \u2013 import\u00e2ncia, nas sociedades de controle, do homem endividado. Algu\u00e9m poderia argumentar que as coisas mudaram muito nos trinta anos seguintes ao texto de Deleuze, mas o que vimos foi muito mais a intensifica\u00e7\u00e3o dessa l\u00f3gica e amplia\u00e7\u00e3o dessa program\u00e1tica do que propriamente uma transforma\u00e7\u00e3o, seja no que diz respeito \u00e0s m\u00e1quinas algor\u00edtmicas, seja em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tecnologias pol\u00edticas e de governo das condutas dos viventes em todo planeta.<\/p>\n<p>\u00c9 neste plano estrat\u00e9gico das tecnologias pol\u00edticas contempor\u00e2neas de governo das condutas que o <em>dispositivo monitoramento<\/em> est\u00e1 localizado. E se, como aponta Foucault, um dispositivo \u00e9 o que responde a uma urg\u00eancia, vemos no texto Deleuze a qual urg\u00eancia o <em>dispositivo monitoramento<\/em> responde contemporaneamente. Ao final da breve exposi\u00e7\u00e3o sobre a l\u00f3gica das sociedades de controle, e antes de descrever seu programa, o fil\u00f3sofo coloca um problema que, antes de ser da ordem das tecnologias computo-informacionais, \u00e9 um problema pol\u00edtico e social do capitalismo, pois ele \u201cmanteve como constante a extrema mis\u00e9ria de tr\u00eas quartos da humanidade, pobres demais para a d\u00edvida, numerosos demais para o confinamento: o controle n\u00e3o s\u00f3 ter\u00e1 que enfrentar a dissipa\u00e7\u00e3o das fronteiras, mas tamb\u00e9m a explos\u00e3o dos guetos e favelas\u201d (nota 7). O <em>dispositivo monitoramento<\/em> emerge como resposta a esse enfrentamento que se colocou diante do controle.<\/p>\n<p>Isso vale para a condi\u00e7\u00e3o dos Estados-na\u00e7\u00e3o com a \u201cdissipa\u00e7\u00e3o das fronteiras\u201d e os correspondentes novos protocolos diplom\u00e1ticos para fluxo de pessoas; as formas contempor\u00e2nea da guerra com os chamados \u201cconflitos de baixa intensidade\u201d, os \u201cataques cir\u00fargicos\u201d, as \u201cguerras de quarta gera\u00e7\u00e3o\u201d e os \u201cestados de viol\u00eancia\u201d; os controles via sat\u00e9lite e seus aparelhos v\u00e1rios, como GPSs, para a produ\u00e7\u00e3o de mapas georrefenciados, mapas de calor e programas de espionagem eletr\u00f4nica; al\u00e9m de toda a discursividade em torno do que se\u00a0 nomeia, no \u00e2mbito das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, de \u201cnovas amea\u00e7as\u201d, que v\u00e3o do combate ao chamado narcotr\u00e1fico ao combate do terrorismo transterritorial. A resposta do <em>dispositivo monitoramento <\/em>tamb\u00e9m atinge \u201ca explos\u00e3o de guetos e favelas\u201d e os programas de \u201cneg\u00f3cios sociais\u201d. Esse dispositivo atravessa esses espa\u00e7os junto \u00e0s in\u00fameras ferramentas produtoras de \u201cmapas de vulnerabilidades\u201d; programas de pol\u00edcias comunit\u00e1rias e de pacifica\u00e7\u00e3o; programas culturais de empoderamento, de empreendedorismo social e de si e de controle de consumo de drogas; enfim, uma s\u00e9rie de iniciativas que visam manter as pessoas em seus locais e\/ou regular seus fluxos de deslocamentos. Uma forma de manter contingentes humanos em locais definidos, mas m\u00f3veis e, ao mesmo tempo, controlar seus fluxos, sejam eles puramente informacionais, sejam deslocamentos com virtual rastreamento e, se necess\u00e1rio, intercepta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que se v\u00ea com a imposi\u00e7\u00e3o surpreendente da pandemia em 2020 \u00e9 que j\u00e1 havia capacidade tecnopol\u00edtica suficiente para esses controle em fluxo, via a rede de elementos que foram o dispositivo monitoramento. Para al\u00e9m disso, como mostra Naomi Klein em texto de maio de 2020 (nota 8), a pandemia foi rapidamente percebida como uma janela de oportunidade por gente como Eric Schmidt, diretor executivo da Google, conselheiro no <em>DefenseInnovationBord<\/em>, do Departamento de Defesa dos EUA (nota 9) e presidente da NSCAI(Comiss\u00e3o de Seguran\u00e7a Nacional para Intelig\u00eancia Artificial), que assessora o congresso no mesmo pa\u00eds. V\u00ea-se que as chamadas corpora\u00e7\u00f5es do Vale do Sil\u00edcio n\u00e3o esquecem as proced\u00eancias pol\u00edtico-militares de seus neg\u00f3cios. Ao lado de Andrew Cuomo, governador de Nova Iorque, Schmidte e outros CEOs de empresas como Oracle, Amazon, Microsoft e Facebook, viram na pandemia a oportunidade de emplacar tr\u00eas pontos que j\u00e1 estavam na cartela de prioridades dos neg\u00f3cios e <em>lobbys <\/em>governamentais: 1) o reconhecimento da import\u00e2ncia geoestrat\u00e9gica das empresas de tecnologia computo-informacionais; 2) a intensifica\u00e7\u00e3o dessas tecnologias em servi\u00e7os educacionais; 3) a amplia\u00e7\u00e3o do uso dessas tecnologias nos controles urbanos.<\/p>\n<p>Por essas caracter\u00edsticas que o <em>dispositivo monitoramento<\/em> pode ser descrito como forma de governo das ruas na cidade contempor\u00e2nea, agora com novas potencialidades abertas pela pandemia. Se nas rela\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas de poder e governo das condutas da sociedade disciplinar a cidade era a cidade carcer\u00e1ria, na qual os perigosos eram vigiados de perto, na sociedade de controle ou de seguran\u00e7as de governo das condutas, estamos entre a <em>cidade carcer\u00e1ria<\/em> e a <em>cidade monitorada<\/em>. Invers\u00e3o do pan\u00f3ptico acontecendo, se colocando como nova tecnologia pol\u00edtica. Todos ou quase todos os cidad\u00e3os e quase-cidad\u00e3os s\u00e3o suspeitos, rastre\u00e1veis pelos c\u00e1lculos algor\u00edtmicos. Todos s\u00e3o virtuais terroristas, sediciosos, focos de perigo e, agora, de contamina\u00e7\u00e3o viral. Mas, tamb\u00e9m, todos devem participar dos monitoramentos e serem monitorados: do <em>smartphone<\/em> no bolso ao sat\u00e9lite no espa\u00e7o que orienta os GPSs de carros, do colega ao vizinho, ao morador de rua, o virtual infrator, os escolares, os que n\u00e3o respeitam o distanciamento social&#8230;(nota 1o)<\/p>\n<p>Muitos deles possuem um equipamento eletr\u00f4nico ou est\u00e3o capturados em tecnologias de poder que monitoraram as ruas e vielas. Os equipamentos eletr\u00f4nicos do <em>dispositivo monitoramento<\/em> encontram-se, hoje, devidamente profanados, e sua utiliza\u00e7\u00e3o estendida ao uso comum dos homens, mulheres, jovens, crian\u00e7as e velhos. Encontra-se mais do que dispon\u00edvel. O <em>dispositivo monitoramento<\/em> \u00e9 compartilhado e compartilh\u00e1vel; um comum na partilha dos controles e da seguran\u00e7a dentro e fora da cidade, do pa\u00eds, dos continentes. A emerg\u00eancia do ingovern\u00e1vel n\u00e3o est\u00e1, portanto, na atitude que inverte seu uso eletr\u00f4nico para ativar a revolta. Ser\u00e1 que a resist\u00eancia talvez esteja em sua destitui\u00e7\u00e3o, desativa\u00e7\u00e3o, numa atitude de desist\u00eancia ou desengajamento?<\/p>\n<p>O <em>dispositivo monitoramento<\/em> \u00e9 uma tecnologia pol\u00edtica e de governo das condutas que n\u00e3o se resume aos controles eletr\u00f4nicos, c\u00e2meras de circuito interno, mapeamentos georreferenciados por celulares, mapas de calor computo-informacionais e panor\u00e2micas de setor feitas por <em>drones<\/em>. Trata-se de uma tecnologia pol\u00edtica que opera pela \u201cconvoca\u00e7\u00e3o \u00e0 participa\u00e7\u00e3o\u201d (nota 11), produzindo um pastorado horizontal de governos de todos sobre todos. As den\u00fancias, os acionamentos de autoridades policiais e judici\u00e1rias e as regula\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias das condutas v\u00e3o compondo a forma subjetiva das <em>democracias securit\u00e1rias <\/em>(nota 12): o cidad\u00e3o-pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Se o <em>dispositivo monitoramento<\/em> passa, inevitavelmente pelo governo dos algoritmos, \u00e9 como tecnologia pol\u00edtica de governo das condutas que faz funcionar a <em>democracia securit\u00e1ria<\/em> e responde aos desejos do <em>cidad\u00e3o-pol\u00edcia<\/em>. Assim, ainda que opere na imaterialidade dos controles computo-informacionais, o <em>dispositivo monitoramento<\/em> faz funcionar um programa assassino que atinge a materialidade dos corpos. O que \u00e9 poss\u00edvel verificar, no caso do Brasil, pela distribui\u00e7\u00e3o desigual das condi\u00e7\u00f5es para a pr\u00e1tica do distanciamento social e o engajamento das for\u00e7as de seguran\u00e7a na gest\u00e3o da epidemia. Mais do que falhas ou descaso, o que se observa no Brasil \u00e9 uma distribui\u00e7\u00e3o racional do <em>deixar morrer<\/em> e uma entrega do poder civil das institui\u00e7\u00f5es governamentais aos militares, inclusive o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Essa distribui\u00e7\u00e3o desigual das mortes e das formas de lidar com elas est\u00e1 sendo mapeada pelo <em>Boletim Extraordin\u00e1rio CAAF-Unifesp de enfrentamento da covid-19 <\/em>(nota 13)<em>.<\/em> O engajamento dos militares no governo civil e democraticamente eleito do Brasil, um dos elementos das <em>democracias securit\u00e1rias<\/em>, intensificado no contexto da pandemia, est\u00e1 sendo registrado pelo <em>Boletim extraordin\u00e1rio semanal do LASInTec sobre os efeitos securit\u00e1rios da atual pandemia<\/em> (nota 14)<em>. <\/em>Nesse sentido, n\u00e3o h\u00e1 exatamente descaso ou incompet\u00eancia do governo brasileiro no trato dos efeitos da pandemia no Brasil, mas uma forma espec\u00edfica, racional e radical de combina\u00e7\u00e3o entre expans\u00e3o de controles variados, interven\u00e7\u00f5es violentas e distribui\u00e7\u00e3o de mortes orientada.<\/p>\n<p><em>T\u00e1 dominado, t\u00e1 tudo dominado?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<h2><strong>Breve nota sobre a revolta contra os monitoramentos na pandemia<\/strong><\/h2>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A pandemia \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o social, muito mais do que um mero dado biol\u00f3gico e\/ou viral, por isso seu acontecimento se imp\u00f4s como como uma encruzilhada social e pol\u00edtica. Da mesma maneira, o dispositivo monitoramento \u00e9 viabilizado pela expans\u00e3o dos controles computo-informacionais, mas se operacionaliza como uma tecnologia pol\u00edtica. O encontro desses dois elementos tem apontado at\u00e9 o momento para uma intensifica\u00e7\u00e3o dos controles e a coloniza\u00e7\u00e3o definitiva de como amamos, nos relacionamos, aprendemos, fazemos sexo, vivemos e morremos.<\/p>\n<p>Como coloca o texto j\u00e1 referido aqui de Naomi Klein, \u201cdemorou algum tempo para ela se formar, mas algo parecido com uma Doutrina de Choque da Pandemia est\u00e1 come\u00e7ando a aparecer. Chame de <em>\u2018Screen New Deal\u2019<\/em>. Muito mais <em>high-tech<\/em> do que qualquer coisa que vimos nos desastres anteriores, o futuro que est\u00e1 surgindo \u00e0 medida que os cad\u00e1veres ainda se acumulam est\u00e1 tratando nossas \u00faltimas semanas de isolamento [ela fala de Nova Iorque] n\u00e3o como uma necessidade dolorosa para salvar vidas, mas como um laborat\u00f3rio vivo para um futuro permanente \u2014 e altamente lucrativo \u2014 sem contato f\u00edsico\u201d (nota 15). Mas \u00e9 sempre bom lembrar, na esteira de autores mobilizados nesse breve texto, que n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o de poder sem resist\u00eancias, pois trata-se de uma rela\u00e7\u00e3o agon\u00edstica.<\/p>\n<p>Se a pandemia \u00e9 antes uma rela\u00e7\u00e3o social e o monitoramento, uma tecnologia pol\u00edtica, tamb\u00e9m a vida n\u00e3o se resume a uma fato biol\u00f3gico. H\u00e1 sempre a possibilidade de algu\u00e9m, em algum lugar, em algum momento, produzir um desacerto, uma revolta. Neste instante a tela se apaga. Pisca-se o olho, engole-se a saliva na boca seca, engasga-se e o fogo se alastra. O fogo consome e produz, depois vira brasa ardente a ser avivada em outro momento de enfretamento&#8230; Responde ao intoler\u00e1vel dos controles e monitoramentos, desnorteando-os. Na efic\u00e1cia tecnol\u00f3gica, multifacet\u00e1ria e polivalente do <em>dispositivo monitoramento<\/em>, desativ\u00e1-los totalmente \u00e9 uma quimera, talvez uma utopia conservadora e democr\u00e1tica dos dias de hoje. Mas enfrent\u00e1-lo \u00e9 sempre uma possibilidade. Enfrentar essa m\u00e1quina de controle e morte \u00e9 provocar o ingovern\u00e1vel, uma revolta antipol\u00edtica.<\/p>\n<p>Provocar o ingovern\u00e1vel \u00e9 desorientar, deixar, ao menos por um tempo, as pr\u00e1ticas de governo sem saber o que fazer, para onde apontar, o que registrar e o que apagar, qual dire\u00e7\u00e3o seguir ou estancar, o que valorizar e que desproteger. A\u00ed, talvez, se possa, n\u00e3o desativar ou destituir os controles, mas quebr\u00e1-los. E at\u00e9 que algu\u00e9m conserte os dispositivos, \u00e9 poss\u00edvel experimentar um (des)concerto inventivo que provoque mais que um pouco de liberdade no espa\u00e7o da <em>cidade monitorada<\/em>, quando ela fica desgovernada. N\u00e3o h\u00e1 tecnologia de poder e governo das condutas, reitero, sem pr\u00e1ticas de resist\u00eancias, e essas tamb\u00e9m n\u00e3o se resumem \u00e0s tecnologias computo-informacionais. E mesmo que muitas vezes implique quebr\u00e1-las, n\u00e3o se confunde com uma forma de tecnofobia, primitivismo ou mesmo um neo-luddismo, mas ato da vontade de ser livre, mesmo que por pouco tempo (nota 16). Abertura de pot\u00eancia em ato e gesto.<\/p>\n<p>Durante a situa\u00e7\u00e3o de pandemia esse gesto apareceu em diversos momentos, desde a dissemina\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas de autocuidado, que liberam pessoas e grupos da gest\u00e3o governamental da sa\u00fade, at\u00e9 enfretamentos e protestos de rua que se se reinventaram diante da necessidade de cuidados m\u00fatuos (nota 17). Diante dos exemplos mobilizados nesse texto dois atos d\u00e3o mostras disso.<\/p>\n<p>O primeiro ato se d\u00e1 nos EUA, da Google e de Donald Trump: a execu\u00e7\u00e3o de um homem negro, George Floyd, pela pol\u00edcia, disparou uma onda de protestos que tomou as ruas de diversas cidades do pa\u00eds, inclusive da Nova Iorque de Cuomo. Mesmo com os riscos de cont\u00e1gio, milhares de pessoas foram \u00e0s ruas, tomando os cuidados que achavam necess\u00e1rios, para dizer que \u201cvidas negras importam\u201d. Para al\u00e9m disso, colocaram algo que at\u00e9 ent\u00e3o era inimagin\u00e1vel: a aboli\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia. A mesma pol\u00edcia na qual a cidadania das democracias securit\u00e1rias se espelha e que constitui, entre os dispositivos de seguran\u00e7a, a proced\u00eancia geneal\u00f3gica do contempor\u00e2neo <em>dispositivo monitoramento<\/em>.<\/p>\n<p>O segundo ato, ocorreu aqui, no Brasil de Jair Bolsonaro e sua ruidosa minoria de fascistas que, desde o in\u00edcio da chegada da pandemia nessas terras, foram \u00e0s ruas para dizer que o novo coronav\u00edrus era um inven\u00e7\u00e3o do globalismo e fazer amea\u00e7as de todas sorte. E por um tempo foi assim, at\u00e9 que uma manifesta\u00e7\u00e3o antifa, chamada por torcidas de futebol, resolveu enfrentar, nas ruas, a presen\u00e7a dos fascistas. Esse gesto, ainda que muitos possam dizer que outros fatores concorrem junto a ele, foi decisivo para que amea\u00e7as de golpe de Estado, regulamente sugerido pela milit\u00e2ncia bolsonarista e membros do governo junto ao presidente, arrefecessem e que diversas for\u00e7as da oposi\u00e7\u00e3o se movessem. Al\u00e9m disso, a decis\u00e3o de dar a esses atos um car\u00e1ter antifascista colocam em evidencia a pol\u00edtica de morte ainda curso do governo brasileiro.<\/p>\n<p>Um leitor mais pragm\u00e1tico poder\u00e1 dizer que esses dois exemplos, sinteticamente mobilizados aqui, em nada muda na marcha de expans\u00e3o dos controles intensificada pela pandemia. E ele pode at\u00e9 ter raz\u00e3o, mas o fato \u00e9 que foi a mobiliza\u00e7\u00e3o dos corpos nas ruas da cidade monitorada que veio lembrar aos atento que nem tudo est\u00e1 dominado. Resistir, mesmo em meio aos controles d\u00e3o sofisticados, \u00e9 um ato de sa\u00fade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*Ac\u00e1cio Augusto \u00e9 professor no Departamento de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UNIFESP e coordenador do LASInTec (Laborat\u00f3rio de An\u00e1lise em Seguran\u00e7a Internacional e Tecnologias de Monitoramento). Pesquisador no Nu-Sol\/PUC-SP e professor no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia Institucional da UFES. Autor de Pol\u00edtica e pol\u00edcia: cuidados, controles e penaliza\u00e7\u00f5es de jovens, Rio de Janeiro: Lamparina, 2013, Anarqui\u0301a y lucha antipol\u00edtica &#8211; ayer y hoy, Barcelona:NoLibros, 2019 e coautor de Ecopol\u00edtica, S\u00e3o Paulo: Hedra, 2019. Coordenador da COLE\u00c7\u00c3O ATAQUE, Editora Circuito, Rio de Janeiro, desde 2018.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Notas<\/strong><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[1] Algumas dessas discuss\u00f5es e an\u00e1lises nesse sentido podem ser encontradas na colet\u00e2nea organizada por Fernanda Bruno et. al. (orgs.). <em>Tecnopol\u00edticas da vigil\u00e2ncia: perspectivas da margem<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2018.<\/p>\n<p>[2] Esta no\u00e7\u00e3o foi desenvolvida no interior do Projeto Tem\u00e1tico FAPESP <em>Ecopol\u00edtica: governamentalidade planet\u00e1ria, novas institucionaliza\u00e7\u00f5es e resist\u00eancias na sociedade de controle<\/em> (Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.pucsp.br\/ecopolitica\/index.html\">https:\/\/www.pucsp.br\/ecopolitica\/index.html<\/a>). Sua consolida\u00e7\u00e3o pode ser consultada no livro: Edson Passetti, Ac\u00e1cio Augusto<em>et. al<\/em>.<em>Ecopol\u00edtica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Hedra, 2019, pp. 259-298.<\/p>\n<p>[3] Michel Foucault. \u201cSobre a hist\u00f3ria da sexualidade\u201d. In: Roberto Machado (org. e trad.). <em>Microf\u00edsica do poder<\/em>. Rio de Janeiro: Edi\u00e7\u00f5es Graal, 1979, p. 244.<\/p>\n<p>[4] Cf. Barry Buzan e Lene Hansen. <em>A evolu\u00e7\u00e3o do Estudos em Seguran\u00e7a Internacional<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o Fl\u00e1vio Lira. S\u00e3o Paulo: Ed. UNESP, 2012, pp. 33-50.<\/p>\n<p>[5] Gilles Deleuze. \u201cPost-scriptum sobre as sociedades de controle\u201d. In: <em>Conversa\u00e7\u00f5es<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Peter PalPelbart. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 1992, p. 220.<\/p>\n<p>[6] Idem, p. 223.<\/p>\n<p>[7] Ibidem, p. 224.<\/p>\n<p>[8] Naomi Klein. \u201cCoronav\u00edrus pode construir uma distopia tecnol\u00f3gica\u201d, In <em>The Intercept Brasil<\/em>, 13 de maio de 2020. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/theintercept.com\/2020\/05\/13\/coronavirus-governador-nova-york-bilionarios-vigilancia\/\">https:\/\/theintercept.com\/2020\/05\/13\/coronavirus-governador-nova-york-bilionarios-vigilancia\/<\/a> Consultado em 5\/07\/2020.<\/p>\n<p>[9] Cf.DefenseInnovationBoard, in:<a href=\"https:\/\/innovation.defense.gov\/Media\/Biographies\/Bio-Display\/Article\/1377390\/eric-schmidt\/\">https:\/\/innovation.defense.gov\/Media\/Biographies\/Bio-Display\/Article\/1377390\/eric-schmidt\/<\/a> Consultado em 5\/07\/2020.<\/p>\n<p>[10] Sobre essa ades\u00e3o policial dos cidad\u00e3os ao controle da conduta do outro em meio a pandemia no Brasil, ver: Marie Declercq. \u201cPandemia: \u2018santa ceciliers\u2019 fiscalizam e vaiam pedestres do Minhoc\u00e3o\u201d. In <em>TAB UOL<\/em>, 27 de mar\u00e7o de 2020. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/tab.uol.com.br\/noticias\/redacao\/2020\/03\/27\/coronavirus-santa-ceciliers-fiscalizam-e-vaiam-pedestres-do-minhocao.htm%20Consultado%20em%204\/5\/2020\">https:\/\/tab.uol.com.br\/noticias\/redacao\/2020\/03\/27\/coronavirus-santa-ceciliers-fiscalizam-e-vaiam-pedestres-do-minhocao.htm Consultado em 4\/5\/2020<\/a>.<\/p>\n<p>[11] Ver Edson Passetti. <em>Anarquismos e sociedade de controle<\/em>. S\u00e3o Paulo: Ed. Cortez, 2003.<\/p>\n<p>[12] Esta no\u00e7\u00e3o \u00e9 desenvolvida pela pesquisa em andamento no LASInTec (Laborat\u00f3rio de An\u00e1lise em Seguran\u00e7a Internacional e Tecnologias de Monitoramento): <em>Pol\u00edticas de seguran\u00e7a: a conforma\u00e7\u00e3o transterritorial das democracias securit\u00e1rias (2019-2021)<\/em> (Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/lasintec.milharal.org\/pesquisa-ensino\/\">https:\/\/lasintec.milharal.org\/pesquisa-ensino\/<\/a>).\u00a0 A pesquisa n\u00e3o possui financiamento e integra o programa de extens\u00e3o LASInTec do Departamento de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da EPPEN-UNIFESP Campus Osasco. Sobre algumas elabora\u00e7\u00f5es iniciais a respeito da <em>democracia securit\u00e1ria<\/em>, ver: Ac\u00e1cio Augusto e Helena Wilke. \u201cRacionalidade neoliberal e seguran\u00e7a: embates entre <em>democracia securit\u00e1ria<\/em> e anarquia\u201d. In: Margareth Rago e Mauricio Pelegrini (orgs.). <em>Neoliberalismo, feminismos e contracondutas<\/em>. P<em>erspectivas foucaultianas<\/em>. S\u00e3o Paulo: Intermeios, 2019, pp. 225-245.<\/p>\n<p>[13] A cole\u00e7\u00e3o de boletins do CAAF pode ser consultada em <a href=\"https:\/\/www.unifesp.br\/reitoria\/caaf\/boletim-caaf-unifesp\/158-boletim-caaf-unifesp\">https:\/\/www.unifesp.br\/reitoria\/caaf\/boletim-caaf-unifesp\/158-boletim-caaf-unifesp<\/a>Consultado em 2\/7\/2020.<\/p>\n<p>[14] A cole\u00e7\u00e3o de boletins do LASInTec pode ser consultada em <a href=\"https:\/\/lasintec.milharal.org\/boletim\/\">https:\/\/lasintec.milharal.org\/boletim\/<\/a> Consultado em 2\/7\/2020.<\/p>\n<p>[15] Naomi Klein, op. cit., 2020.<\/p>\n<p>[16] Sobre o embate entre revolta como antipol\u00edtica e o <em>dispositivo monitoramento<\/em>, ver Ac\u00e1cio Augusto. <em>Pol\u00edtica e antipol\u00edtica: anarquia contempor\u00e2nea, revolta e cultura libert\u00e1ria<\/em>. Tese de Doutorado. S\u00e3o Paulo: PUC-SP, 2013.<\/p>\n<p>[17] Para um invent\u00e1rio extenso dessas pr\u00e1ticas anticapitalistas e antiestatais em todo o planeta, consultar os dossi\u00eas \u201cA Luta \u00e9 Pela Vida\u201d partes I e II, com textos e relatos diversos. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/faccaoficticia.noblogs.org\/post\/2020\/04\/13\/a-luta-e-pela-vida-parte-ii\/\">https:\/\/faccaoficticia.noblogs.org\/post\/2020\/04\/13\/a-luta-e-pela-vida-parte-ii\/<\/a> Consultado em 1\/7\/2020.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>S\u00e9rie Lavits_Covid19<\/strong><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A <strong>Lavits_Covid19: Pandemia, tecnologia e capitalismo de vigil\u00e2ncia<\/strong> \u00e9 um exerc\u00edcio de reflex\u00e3o sobre as respostas tecnol\u00f3gicas, sociais e pol\u00edticas que v\u00eam sendo dadas \u00e0 pandemia do novo coronav\u00edrus, com especial aten\u00e7\u00e3o aos processos de controle e vigil\u00e2ncia. Tais respostas levantam problemas que se furtam a sa\u00eddas simples. A s\u00e9rie nos convoca a reinventar ideias, corpos e conex\u00f5es em tempos de pandemia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ac\u00e1cio Augusto* &nbsp; \u201cSe \u00e9 certo que o desenvolvimento de tecnologias eficazes nos permite viajar de um lugar para o outro, que as comodidades tornaram f\u00e1cil a nossa movimenta\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":8356,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"_EventAllDay":false,"_EventTimezone":"","_EventStartDate":"","_EventEndDate":"","_EventStartDateUTC":"","_EventEndDateUTC":"","_EventShowMap":false,"_EventShowMapLink":false,"_EventURL":"","_EventCost":"","_EventCostDescription":"","_EventCurrencySymbol":"","_EventCurrencyCode":"","_EventCurrencyPosition":"","_EventDateTimeSeparator":"","_EventTimeRangeSeparator":"","_EventOrganizerID":[],"_EventVenueID":[],"_OrganizerEmail":"","_OrganizerPhone":"","_OrganizerWebsite":"","_VenueAddress":"","_VenueCity":"","_VenueCountry":"","_VenueProvince":"","_VenueState":"","_VenueZip":"","_VenuePhone":"","_VenueURL":"","_VenueStateProvince":"","_VenueLat":"","_VenueLng":"","_VenueShowMap":false,"_VenueShowMapLink":false,"footnotes":""},"categories":[977],"tags":[],"tematica":[870,872,913,919,931,945],"destaque":[],"class_list":["post-9297","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-lavits_covid19-en","tematica-contracultura-en","tematica-covid-19-e-tecnologia-en","tematica-infraestruturas-tecnologicas-en","tematica-lutas-sociais-en","tematica-seguranca-en","tematica-vigilancia-en"],"blocksy_meta":{"styles_descriptor":{"styles":{"desktop":"","tablet":"","mobile":""},"google_fonts":[],"version":6}},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9297","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9297"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9297\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8356"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9297"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9297"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9297"},{"taxonomy":"tematica","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tematica?post=9297"},{"taxonomy":"destaque","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/destaque?post=9297"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}