{"id":9314,"date":"2020-06-24T11:07:12","date_gmt":"2020-06-24T14:07:12","guid":{"rendered":"https:\/\/lavits.bemvindo.co\/lavits_covid19_10-hipervisibilidade-e-camuflagem-no-pandemonio\/"},"modified":"2022-05-19T17:22:04","modified_gmt":"2022-05-19T20:22:04","slug":"lavits_covid19_10-hipervisibilidade-e-camuflagem-no-pandemonio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lavits.org\/en\/lavits_covid19_10-hipervisibilidade-e-camuflagem-no-pandemonio\/","title":{"rendered":"#10: hipervisibilidade e camuflagem no pandem\u00f4nio"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por Paola Barreto (a.k.a. Dr. Fantasma)*<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Esse texto, ainda em processo, foi desenvolvido a partir de notas para minha participa\u00e7\u00e3o na mesa \u201cBiopol\u00edtica digital e pandemia: o novo normal de governos, fronteiras, dados e m\u00e1scaras\u201d, a convite do Professor Messias Bandeira, Diretor do IHAC. A mesa est\u00e1 dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jSR4Ew3W9R8\">aqui<\/a>.\u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Duas express\u00f5es t\u00eam sido comuns nas reflex\u00f5es sobre o isolamento social e a explos\u00e3o de atividades <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">online<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, entre outras mudan\u00e7as sociais impostas pela pandemia do novo coronav\u00edrus. Por um lado, a busca pela constru\u00e7\u00e3o de um \u201cnovo normal\u201d resultante da quarentena; e, por outro, a preocupa\u00e7\u00e3o com os \u201cdireitos individuais\u201d, considerando os dispositivos de controle de corpos e fronteiras que se fortalecem em nosso chamado capitalismo de vigil\u00e2ncia. Orientada justamente pelas quest\u00f5es da (a)normalidade e dos direitos (ou da falta deles), trago essa breve reflex\u00e3o sobre regimes de (in)visibilidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 10 anos atr\u00e1s, em uma pesquisa art\u00edstica desenvolvida junto a Dani Lima, artista pesquisadora da dan\u00e7a radicada no Rio de Janeiro, realizamos um estudo videogr\u00e1fico e coreogr\u00e1fico sobre padr\u00f5es de movimento e comportamentos considerados normais em espa\u00e7os p\u00fablicos, dependendo de como, onde e por quem observados. Do mesmo modo levantamos repert\u00f3rios de gestos e a\u00e7\u00f5es que poderiam ser considerados desviantes, suspeitos ou indesej\u00e1veis. O resultado dessa pesquisa resultou no projeto multiplataforma <a href=\"http:\/\/coreogthere.blogspot.com\/p\/o-projeto.html\">\u201cCoreografia para pr\u00e9dios, pedestres e pombos\u201d<\/a><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, que explorou po\u00e9ticas do cotidiano, despertando o sentido extraordin\u00e1rio de movimentos considerados ordin\u00e1rios, deslocando a percep\u00e7\u00e3o para uma observa\u00e7\u00e3o mais cuidadosa do mundo a nossa volta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esta explora\u00e7\u00e3o po\u00e9tica apontou n\u00e3o apenas para as m\u00faltiplas dimens\u00f5es de nossa cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica; seus desdobramentos sens\u00edveis provocaram igualmente nos espectadores do trabalho um reposicionamento do olhar para o que \u00e9 invis\u00edvel ou hipervis\u00edvel em nossa normalidade cotidiana. Recupero aqui a sensa\u00e7\u00e3o de retirada de um v\u00e9u dos olhos que esse projeto proporcionou, para retomar a perspectiva da observa\u00e7\u00e3o cuidadosa, bem como a reflex\u00e3o sobre o que seja considerado normal &#8211; ou anormal, em tempos pand\u00eamicos, e como essas considera\u00e7\u00f5es fazem seu cruzo com os sistemas de vigil\u00e2ncia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_3773\" aria-describedby=\"caption-attachment-3773\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-8323\" src=\"https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/CoreogPPP-400x282.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"282\" srcset=\"https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/CoreogPPP-400x282.jpg 400w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/CoreogPPP-768x541.jpg 768w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/CoreogPPP.jpg 1024w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/CoreogPPP-820x577.jpg 820w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/CoreogPPP-150x106.jpg 150w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/CoreogPPP-80x56.jpg 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3773\" class=\"wp-caption-text\">Fig. 1 Coreografia para pr\u00e9dios pedestres e pombos \u00a0(2010)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Comecemos essa observa\u00e7\u00e3o pelos padr\u00f5es de comportamento abusivo perpetrados por agentes p\u00fablicos em nosso pa\u00eds, habitualmente categorizados como exce\u00e7\u00f5es que n\u00e3o condizem com a norma, mas que se tornaram, sim, normais. No Rio de Janeiro, por exemplo, \u00e9 normal policiais militares pararem um \u00f4nibus cheio de jovens que v\u00eam do sub\u00farbio a caminho da praia, ordenando que os de pele escura des\u00e7am e se submetam a uma revista permeada por desrespeito, viol\u00eancia e humilha\u00e7\u00e3o.\u00a0 \u00c9 tamb\u00e9m normal que um ve\u00edculo dirigido por um homem negro seja alvejado por 80 tiros em uma barreira policial, matando um m\u00fasico, pai de fam\u00edlia, com requintes de deboche e descaso no socorro \u00e0 fam\u00edlia pelos envolvidos no crime. E continua sendo normal, em meio \u00e0 pandemia do novo coronav\u00edrus, que um menino negro de 14 anos seja morto, dentro de casa, em uma a\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia. \u00c9 importante dizer que a morte desse menino s\u00f3 foi inclu\u00edda na pauta da grande imprensa devido a enorme press\u00e3o de midiativistas e midialivristas que exigem respostas e rea\u00e7\u00f5es dos governos e da sociedade nas redes sociais. Mas, al\u00e9m dele, h\u00e1 muitos outros, cujas mortes permanecem invisibilizadas e naturalizadas. A cada 23 minutos morre um jovem negro no Brasil. Quando voc\u00ea chegar ao final da leitura desse artigo, ter\u00e1 morrido mais um.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Alguns dir\u00e3o que falta intelig\u00eancia, falta equipamento, falta tecnologia, aludindo \u00e0 necessidade de aperfei\u00e7oamento das t\u00e1ticas policiais e de seguran\u00e7a. Mas como pensar somente em termos de aprimoramento e investimento tecnol\u00f3gico, se a efici\u00eancia dos aparatos de controle e monitoramento est\u00e1 justamente direcionada a sujeitos e corpos espec\u00edficos? Se a pr\u00f3pria normalidade se assenta em uma verdadeira engenharia de morte, cujo objetivo \u00e9 o controle, quando n\u00e3o o exterm\u00ednio, de certa parte da popula\u00e7\u00e3o? Como os pesquisadores <a href=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/\">Tarc\u00edzio Silva<\/a><\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> e <a href=\"https:\/\/www.pretalab.com\/\">Sil Bahia<\/a><\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> t\u00eam apontado, os algoritmos s\u00e3o nova e sofisticada plataforma do racismo, acentuando a hipervisibilidade dos corpos racializados (e generificados) pelo sistema penal em um plano digital. O que significa dizer que tecnologias pervasivas e seus softwares atuam de modo a perpetuar um modelo de controle populacional que reproduz o racismo estrutural de nossa sociedade e o seu carrego colonial. Nesse sentido vale retomar tamb\u00e9m as reflex\u00f5es da pesquisadora canadense Simone Browne (apresentadas na Confer\u00eancia de abertura do VI Simp\u00f3sio Internacional da Rede Lavits em Salvador, em 2019),<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0que utiliza n\u00e3o o pan\u00f3ptico de Bentham, mas o navio negreiro e a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">plantation<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> para pensar o desenvolvimento de tecnologias de vigil\u00e2ncia em nosso contexto panamericano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dispomos de sat\u00e9lites, c\u00e2meras e redes computacionais que coletam e mineram dados, mas como interpretamos &#8211; ou deixamos de interpretar\u00a0 &#8211; esses dados? A quem servem? De que modo? Temos <a href=\"https:\/\/www.clacso.org\/pandemia-racismo-e-genocidio-indigena-e-negro-no-brasil-coronavirus-e-a-politica-de-exterminio\/\">dados<\/a> de que as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas s\u00e3o as mais atingidas durante a pandemia: a taxa de letalidade do coronav\u00edrus em pessoas ind\u00edgenas \u00e9 de aproximadamente 16% enquanto a m\u00e9dia nacional \u00e9 de 6%<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Do mesmo modo temos dados de que o n\u00famero de pessoas acometidas pela Covid-19 \u00e9 maior em popula\u00e7\u00f5es negras, o que exp\u00f5e a desigualdade no acesso ao saneamento b\u00e1sico, tratamento hospitalar, possibilidade de isolamento social e renda. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 a falta de dados, informa\u00e7\u00f5es ou tecnologias o que impede a a\u00e7\u00e3o de governos, mas a decis\u00e3o (necro)pol\u00edtica de agir &#8211; ou n\u00e3o agir &#8211; a partir dos dados que se t\u00eam, diretamente matando, ou deixando morrer, uma parte da popula\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><b>Big Mother Brasil<\/b><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diante da omiss\u00e3o dos governos, as comunidades mesmas se auto organizam. Muito se tem falado sobre as redes solid\u00e1rias que se fortalecem no atual contexto pand\u00eamico, com sistemas de distribui\u00e7\u00e3o de itens de higiene, alimentos e formas de apoio aos mais vulner\u00e1veis. Diversos setores da sociedade civil, e tamb\u00e9m de corpora\u00e7\u00f5es e empresas privadas, t\u00eam contribu\u00eddo com doa\u00e7\u00f5es, em a\u00e7\u00f5es por vezes atravessadas pelo discurso promocional do marketing e da propaganda. Contudo, para as popula\u00e7\u00f5es e territ\u00f3rios marginalizados e invisibilizados, onde a emerg\u00eancia se constitui como estado natural de coisas, o senso comunit\u00e1rio e a pr\u00e1tica das trocas solid\u00e1rias sempre foi a t\u00f4nica. Nas favelas e nas comunidades ind\u00edgenas e quilombolas, a sobreviv\u00eancia e a organiza\u00e7\u00e3o social est\u00e3o intimamente ligadas \u00e0 no\u00e7\u00e3o de cuidado coletivo e outros modos de aquilombamento, entendendo o quilombo, como Beatriz Nascimento<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> (2006)\u00b9 e Abdias do Nascimento<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> (2002)\u00b2 sugerem, como for\u00e7a civilizat\u00f3ria ecol\u00f3gica. Ou seja, estamos falando de tecnologias de resist\u00eancia que se forjaram na colonialidade, tecnologias do cuidado e do autocuidado que n\u00e3o s\u00e3o novas, mas ancestrais, e que possibilitaram a sobreviv\u00eancia dessas comunidades \u00e0s quais direitos v\u00eam sendo continuamente negados; ontem pelo estado colonial, hoje pelo estado capitalista.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tomemos por exemplo o caso recente de Parais\u00f3polis, uma das maiores favelas de S\u00e3o Paulo, com quase cem mil habitantes. Atrav\u00e9s de uma iniciativa comunit\u00e1ria, 420 moradores foram nomeados \u201cpresidentes de rua\u201d. Eles s\u00e3o respons\u00e1veis por monitorar grupos de 50 casas para detectar casos de Covid-19. Esse <a href=\"https:\/\/ponte.org\/favela-cria-seus-proprios-presidentes-para-combater-o-coronavirus\/\">monitoramento<\/a> \u00e9 uma forma de cuidado, onde se realiza tamb\u00e9m a orienta\u00e7\u00e3o sobre medidas de higiene e isolamento, al\u00e9m de log\u00edstica para a distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas para as fam\u00edlias mais pobres.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0 Em favelas do Rio e Salvador, moradores integram redes de solidariedade para distribuir alimentos \u00e0s fam\u00edlias mais pobres e a pessoas que perderam suas ocupa\u00e7\u00f5es devido \u00e0 quarentena. Sem falar na cria\u00e7\u00e3o de canais digitais para o atendimento sanit\u00e1rio aos moradores, que tamb\u00e9m funcionam para den\u00fancia de irregularidades policiais e outras amea\u00e7as \u00e0 comunidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De modo que a atitude solid\u00e1ria e o comunalismo n\u00e3o s\u00e3o um \u201cnovo\u201d normal, pois j\u00e1 existiam como tecnologia que manteve os povos preto, ind\u00edgena e quilombola vivos, contra o genoc\u00eddio colonial capitalista. Tampouco constituem um \u201coutro\u201d normal, uma vez que j\u00e1 estavam postos antes do processo de coloniza\u00e7\u00e3o categoriz\u00e1-los como alteridade. Vamos chamar de \u201cnosso\u201d normal: contra a invisibiliza\u00e7\u00e3o e sua pol\u00edtica de morte, o cuidado com nossas vidas, com nossos corpos e com nossas redes; redes que sustentam a vida, e que podem sim ser desdobradas digitalmente, a partir de uma potente a\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria promovendo as tr\u00eas ecologias preconizadas por Guattari: das subjetividades, das rela\u00e7\u00f5es sociais e do meio ambiente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A tecnologia do \u201cvelar sobre\u201d (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">surveillance<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">), nesse sentido, pode ser definida n\u00e3o a partir do modelo do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Big Brother<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> orwelliano, mas de uma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Big Mother <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">iorubana<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">que cuida da casa, das crian\u00e7as, dos idosos e dos doentes &#8211; tarefas historicamente atribu\u00eddas \u00e0s mulheres. A partir da figura dessa <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Grande M\u00e3e, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">uma pol\u00edtica de aten\u00e7\u00e3o e cuidados pode ser pensada, sem esquecer que a luta anticapitalista \u00e9 tamb\u00e9m luta interseccional contra o patriarcado colonial e suas formas de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o de sujeitos humanos e n\u00e3o humanos. Nessa pol\u00edtica, o pr\u00f3prio planeta pode ser experienciado como uma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Grande M\u00e3e<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, ideia comum a povos diversos do continente americano e para a qual o l\u00edder ind\u00edgena Ailton Krenak <a href=\"https:\/\/artebrasileiros.com.br\/featured\/ailton-krenak-livro-covid19-quarentena\/\">tem chamado a aten\u00e7\u00e3o<\/a> nessa pandemia: \u201co que estamos vivendo pode ser a obra de uma m\u00e3e amorosa que decidiu fazer o filho calar a boca pelo menos por instante. N\u00e3o porque n\u00e3o goste dele, mas por querer lhe ensinar alguma coisa. \u2018Filho, sil\u00eancio\u2019.\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> A <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Grande M\u00e3e<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, em suas m\u00faltiplas faces, configura n\u00e3o apenas a express\u00e3o do zelo protetor, mas tamb\u00e9m for\u00e7a guerreira, cujo poder \u00e9 temido e respeitado. Como as<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> Iy\u00e1 Mi<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, do candombl\u00e9 ketu, ou como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Gaia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, da mitologia grega, a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Grande M\u00e3e<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 for\u00e7a que d\u00e1 e toma a vida.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Gaia \u00e9 precisamente o <a href=\"https:\/\/osmilnomesdegaia.eco.br\/sobre\/\">nome da teoria<\/a> desenvolvida pelo qu\u00edmico James Lovelock e a bi\u00f3loga Lynn Margulis nos anos setenta e retomada por diversos cientistas contempor\u00e2neos para pensar a crise clim\u00e1tica e seus desdobramentos<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Se partimos da hip\u00f3tese que descreve nosso planeta como um sistema complexo autorregul\u00e1vel, n\u00e3o faz muito sentido considerar a centralidade do personagem humano, como sugere o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Antropoceno<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, termo cunhado para definir o impacto da a\u00e7\u00e3o humana no planeta como equivalente a uma mudan\u00e7a de era geol\u00f3gica. Levando em conta a capacidade que esse sistema autorregul\u00e1vel (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Grande M\u00e3e<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">) teria para corrigir o desequil\u00edbrio causado por esse filho rebelde, talvez fizesse mais sentido hoje falarmos em um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Virusceno<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, uma vez que o impacto causado pela amea\u00e7a da Covid-19 \u00e9 o que parece agora redefinir o comportamento humano em escala planet\u00e1ria.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O coronav\u00edrus se camufla no interior das c\u00e9lulas humanas. Com suas prote\u00ednas revestidas de a\u00e7\u00facares ele se disfar\u00e7a no organismo, desligando sinalizadores das c\u00e9lulas para que o sistema imunol\u00f3gico n\u00e3o entre em alerta. E assim se espalha. A camuflagem \u00e9 o que est\u00e1 dando passagem para o v\u00edrus se tornar \u201cinvis\u00edvel\u201d e avan\u00e7ar no territ\u00f3rio de nossos corpos. O que podemos aprender com isso?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><b>Tecnologias de obscurescimento<\/b><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A camuflagem \u00e9 uma tecnologia da natureza, desenvolvida por organismos que se mimetizam em seus ambientes de modo a escapar de predadores ou enganar presas, garantindo assim sua sobreviv\u00eancia como indiv\u00edduos e a perpetua\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. Como tecnologia de guerra tem uma longa hist\u00f3ria que atravessa povos e culturas, garantindo por vezes a vit\u00f3ria de ex\u00e9rcitos com menos poder de fogo contra a artilharia de grandes ex\u00e9rcitos &#8211; caso emblem\u00e1tico da guerra do Vietn\u00e3, por exemplo. Como forma de contravigil\u00e2ncia tem sido bastante explorada por artistas e ativistas, que se valem de tecnologias anal\u00f3gicas ou digitais para hackear sistemas e provocar, literalmente, desaparecimentos. Um <a href=\"https:\/\/i-d.vice.com\/en_uk\/article\/jge5jg\/dazzle-club-surveillance-activists-makeup-marches-london-interview\">bom exemplo<\/a> \u00e9 o design de maquiagens para driblar circuitos de v\u00eddeo inteligentes<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> e seus algoritmos de reconhecimento facial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os algoritmos, como sabemos, n\u00e3o s\u00e3o neutros, e podem reproduzir opress\u00f5es dirigidas a sujeitos espec\u00edficos. Diante das opress\u00f5es,\u00a0 sociais, raciais e ou heteronormativas, que se n\u00e3o s\u00e3o a norma, se tornaram tristemente normais em nosso tempo, muito se fala sobre passabilidade. Passabilidade \u00e9 a capacidade de passar-se por uma categoria identit\u00e1ria diferente da sua. Dentro de uma cultura de privil\u00e9gios, a passabilidade pode ser entendida como uma forma de camuflagem, uma maneira do corpo dissidente ficar invis\u00edvel aos radares seletivos do controle, escapando assim da morte.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Retomando a reflex\u00e3o sobre normalidade e direitos, parece mesmo um tanto esquizofr\u00eanica a conviv\u00eancia entre a hipervisibilidade, por um lado conferida a certos marcadores de corpos e sujeitos pelos sistemas de vigil\u00e2ncia e controle; e de outro lado a invisibilidade desses mesmos corpos e sujeitos, categorizados como dissidentes, no que diz respeito \u00e0s garantias de suas liberdades e direitos individuais &#8211; incluindo a\u00ed o direito \u00e0 pr\u00f3pria vida.\u00a0 Nesse regime ambiguamente perverso, a camuflagem, como um manto de invisibilidade ativo, pode se tornar algo at\u00e9 mesmo desej\u00e1vel, como uma esp\u00e9cie de salvo conduto para o corpo dissidente passar despercebido por territ\u00f3rios conflagrados por opress\u00f5es. Vale a pena lembrar que a cultura dos negros escravizados sobreviveu \u00e0 escravid\u00e3o em seus corpos, em grande medida, devido \u00e0s irmandades, constitu\u00eddas a um s\u00f3 tempo como organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e religiosas associadas \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica. Neste sentido, o pr\u00f3prio sincretismo religioso \u00e9 uma forma de camuflagem, uma maneira de assegurar a sobreviv\u00eancia, sob a capa dos santos crist\u00e3os, do culto aos orix\u00e1s.\u00a0 As irmandades tamb\u00e9m desempenharam um papel preponderante na organiza\u00e7\u00e3o de revoltas, levantes e lutas pela liberdade que culminaram com a aboli\u00e7\u00e3o. Uma irmandade como a de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio dos Pretos, criada em 1685 em Salvador, na Bahia, por exemplo, se encarregava de uma ampla gama de atividades, como a compra de alforrias, a negocia\u00e7\u00e3o de compra e venda de terrenos, o financiamento de enterros e tratamentos m\u00e9dicos, entre outras fun\u00e7\u00f5es (SILVEIRA, 2006<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">). Como uma forma de conselho, prote\u00e7\u00e3o e cuidado da comunidade, a irmandade camuflou-se dentro da sociedade colonial.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Voltando ao trabalho \u201cCoreografia para pr\u00e9dios, pedestres e pombos\u201d, a camuflagem dos artistas em meio aos transeuntes e do gesto espont\u00e2neo em meio ao gesto coreografado foi o que conduziu o trabalho, evidenciando como certos movimentos, dependendo do corpo em quest\u00e3o, podem se sobressair ou se dissolver na multid\u00e3o. Um corpo negro correndo n\u00e3o \u00e9 lido do mesmo modo que um corpo branco correndo. Da mesma maneira, o grau de visibilidade da pessoa negra deitada no ch\u00e3o de uma pra\u00e7a n\u00e3o \u00e9 o mesmo de um corpo branco nas mesmas condi\u00e7\u00f5es, indicando graus de miopia associados \u00e0 racializa\u00e7\u00e3o. O jogo entre tornar-se invis\u00edvel e tornar-se o centro das aten\u00e7\u00f5es revelou din\u00e2micas trai\u00e7oeiras at\u00e9 mesmo para os performers, como no momento em que se deu um embate com as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua que viviam no espa\u00e7o da performance e sentiram sua casa\/vida invadida pelos artistas. De invis\u00edveis ou marginais os moradores de rua tornaram-se o centro da cena, e os artistas tornaram-se assim os verdadeiros marginais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa pequena digress\u00e3o nos traz de volta \u00e0 realidade do coronav\u00edrus, esse ser que nos roubou o protagonismo na cena planet\u00e1ria, colocando-nos como marginais de uma era geol\u00f3gica anunciada como nossa. Estamos, mais uma vez, aguardando que a ci\u00eancia nos traga respostas e nos salve desse pandem\u00f4nio. Mas certamente n\u00e3o para \u201cvoltarmos ao normal\u201d e muito menos a um \u201cnovo normal\u201d &#8211; que seria melhor definido como o \u201cvelho anormal\u201d. Precisamos de uma ci\u00eancia comprometida com a vida e com a comunidade, e essa comunidade inclui humanos e n\u00e3o humanos, e extrapola o bin\u00f4mio natureza\/cultura. Ainda que as dimens\u00f5es sociais telem\u00e1ticas estejam cada vez mais em evid\u00eancia com a circula\u00e7\u00e3o da Covid-19 entre n\u00f3s, a principal conex\u00e3o convocada n\u00e3o \u00e9 a fibra \u00f3tica da internet, mas a natureza de nossos pr\u00f3prios corpos e seu sistema respirat\u00f3rio, troca de gases que nos conecta diretamente ao sistema complexo de Gaia. O retorno ao corpo \u00e9 o que parece ser a grande convoca\u00e7\u00e3o pand\u00eamica. Ao corpo, em sua finitude marcada pela imin\u00eancia da morte, e que os corpos dissidentes, que convivem desde sempre com a amea\u00e7a constante de n\u00e3o poder respirar, conhecem muito bem. Mas esse corpo ao qual se retorna, n\u00e3o se encerra em uma \u00fanica identidade est\u00e1vel, esse corpo \u00e9 territ\u00f3rio de ancestrais, morada de esp\u00edritos e comunidades interespec\u00edficas, entre v\u00edrus e bact\u00e9rias, que se cruzam na l\u00f3gica de emaranhados (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">entanglements<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">), tecidos com o cuidado e o zelo de uma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Grande M\u00e3e<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A t\u00edtulo de considera\u00e7\u00e3o final, compartilho o trabalho da artista e fil\u00f3sofa baiana Ana Dumas, mixadora de ideais, conceitos e escreviv\u00eancias que fortalecem nossas redes e nossas ruas, articulando corpo, arte, vida e gesto micropol\u00edtico.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3775\" aria-describedby=\"caption-attachment-3775\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8326 size-medium\" src=\"https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image2-400x400.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image2-400x400.jpg 400w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image2-200x200.jpg 200w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image2-768x768.jpg 768w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image2-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image2-820x820.jpg 820w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image2-150x150.jpg 150w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image2-80x80.jpg 80w, https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image2.jpg 1999w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3775\" class=\"wp-caption-text\">Figura 2: Sant\u00edssima Trindade (2020) Graffiti da artista baiana <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/CBk-M9_F9kb\/\">Ana Dumas<\/a> &#8211; Campo da Doida &#8211; Quilombolha &#8211; Pandemia<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cCI\u00caNCIA porque para estarmos no mundo precisamos de conhecimento atento e profundo sobre o mundo e as coisas que nele est\u00e3o;<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">COMUNISMO porque a vida \u00e9 rede e precisamos pensar e agir pelo bem comum a todxs:<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">OMOLU porque ele \u00e9 o regente das doen\u00e7as e das curas, o zelador da humanidade.\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Omolu, orix\u00e1 que governa os territ\u00f3rios tanto da cura quanto da enfermidade, e que, por debaixo de sua palha, guarda o segredo do vis\u00edvel e do invis\u00edvel, saudamos: Atot\u00f4!<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Salvador, 24 de junho de 2020<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Notas<\/strong><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00b9\u00a0NASCIMENTO, Beatriz. Eu sou Atl\u00e2ntica. S\u00e3o Paulo: Imprensa Oficial, 2006.<br \/>\n\u00b2\u00a0NASCIMENTO, Abdias. O Quilombismo. Bras\u00edlia\/Rio: Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares\/ OR Editor, 2002.<br \/>\n\u00b3\u00a0SILVEIRA, Renato da. O candombl\u00e9 da Barroquinha: Processo de constitui\u00e7\u00e3o do primeiro terreiro baiano de ketu. Salvador: Edi\u00e7\u00f5es Maianga, 2006.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*Paola Barreto (a.k.a. Dr. Fantasma, Rio de Janeiro, 1971) \u00e9 artista pesquisadora e desde 2017 vive e trabalha em Salvador, como Professora de Artes, Est\u00e9ticas e Materialidades no Instituto de Humanidades, Artes e Ci\u00eancias Professor Milton Santos, da UFBA. Coordena o laborat\u00f3rio de pesquisa <a href=\"http:\/\/www.balaiofantasma.ihac.ufba.br\/\">Balaio Fantasma<\/a>, que atua na interface entre produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica e pr\u00e1ticas de cidadania, em di\u00e1logo com territ\u00f3rios f\u00edsicos e simb\u00f3licos que resistem a processos de invisibiliza\u00e7\u00e3o ou apagamento.<\/em><\/p>\n<h2><strong>S\u00e9rie Lavits_Covid19<\/strong><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Lavits_Covid19: Pandemia, tecnologia e capitalismo de vigil\u00e2ncia \u00e9 um exerc\u00edcio de reflex\u00e3o sobre as respostas tecnol\u00f3gicas, sociais e pol\u00edticas que v\u00eam sendo dadas \u00e0 pandemia do novo coronav\u00edrus, com especial aten\u00e7\u00e3o aos processos de controle e vigil\u00e2ncia. Tais respostas levantam problemas que se furtam a sa\u00eddas simples. A s\u00e9rie nos convoca a reinventar ideias, corpos e conex\u00f5es em tempos de pandemia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Paola Barreto (a.k.a. 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