{"id":9355,"date":"2020-02-05T18:17:02","date_gmt":"2020-02-05T21:17:02","guid":{"rendered":"https:\/\/lavits.bemvindo.co\/whatsapp-e-desinformacao-foram-ingredientes-para-o-sucesso-eleitoral-de-bolsonaro\/"},"modified":"2020-02-05T18:17:02","modified_gmt":"2020-02-05T21:17:02","slug":"whatsapp-e-desinformacao-foram-ingredientes-para-o-sucesso-eleitoral-de-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lavits.org\/en\/whatsapp-e-desinformacao-foram-ingredientes-para-o-sucesso-eleitoral-de-bolsonaro\/","title":{"rendered":"WhatsApp e desinforma\u00e7\u00e3o foram ingredientes para o sucesso eleitoral de Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro (sem partido) para presidente, em 2018, surpreendeu muita gente. Seu discurso inflamado de misoginia, racismo, xenofobia, homofobia e toda ordem de preconceitos parecia exagerado at\u00e9 mesmo para um pa\u00eds desigual e violento como o Brasil. Ele e sua agenda pol\u00edtica, ultraconservadora e neoliberal, venceram, entretanto. Aos estudiosos, analistas e militantes pol\u00edticos, ficou a complexa tarefa de compreender &#8211; ainda que parcialmente e provisoriamente &#8211; quais fatores e quais estrat\u00e9gias contribu\u00edram para o sucesso da candidatura. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O artigo <\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>WhatsApp and political instability in Brazil: targeted messages and political radicalisation<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">, escrito por Rafael Evangelista e Fernanda Bruno, pesquisadores da <strong>Rede Latino-americana de Estudos sobre Vigil\u00e2ncia, Tecnologia e Sociedade (LAVITS)<\/strong>, se inscreve como parte desses esfor\u00e7os. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Publicado no Dossi\u00ea <\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Data-driven elections<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">, uma edi\u00e7\u00e3o especial da <\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Internet Policy Review<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">, editada por Colin J. Bennett e David Lyon, o trabalho busca, a partir da apresenta\u00e7\u00e3o da conjuntura nacional e das estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o da campanha de Bolsonaro, compreender como a distribui\u00e7\u00e3o de mensagens microdirecionadas no aplicativo WhatsApp contribuiu para a vit\u00f3ria eleitoral do atual presidente. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Para a constru\u00e7\u00e3o dessa an\u00e1lise, Rafael Evangelista j\u00e1 vinha acompanhando grupos de WhatsApp desde a greve dos caminhoneiros, de maio de 2018. Supostamente esse grupos teriam sido montados pela pr\u00f3pria categoria para fins de mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, mas, a partir da imers\u00e3o neles, o pesquisador p\u00f4de come\u00e7ar a perceber uma tentativa da extrema-direita de ocupar esses espa\u00e7os. De acordo com ele, era raro encontrar grupos que fossem, de fato, de caminhoneiros. No geral, tratavam-se de articuladores pol\u00edticos que reivindicavam, sobretudo, interven\u00e7\u00e3o militar no Brasil. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Com a proximidade e chegada do per\u00edodo eleitoral, alguns desses grupos se converteram em grupos pr\u00f3-Bolsonaro e neles circularam convites, por meio de links, para outros com a mesma orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Al\u00e9m da coleta de dados provenientes dessa imers\u00e3o, Evangelista e Bruno utilizaram outros materiais para a an\u00e1lise, buscando compreender quais pontos foram tensionados e radicalizados no discurso pol\u00edtico da campanha vitoriosa. Um deles foi o trabalho de <a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/lupa\/2018\/10\/18\/imagens-falsas- whatsapp-presidenciaveis-lupa-ufmg-usp\/\">monitoramento<\/a> realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), que acompanharam 347 grupos p\u00fablicos de WhatsApp, entre 16 de agosto e 7 de outubro, mapeando as imagens mais compartilhadas nessas conversas e apontando quais delas j\u00e1 haviam sido detectadas como falsas por ag\u00eancias de verifica\u00e7\u00e3o<!-- Essa explica\u00e7\u00e3o entre travess\u00f5es t\u00e1 muito longa e t\u00e1 engasgando o texto (tem gente da usp no texto do resende? Eu n\u00e3o me lembrava) -->. <\/span><\/span><\/p>\n<h2 align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Segmenta\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, centraliza\u00e7\u00e3o de gerenciamento e radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica <\/b><\/span><\/span><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O monitoramento realizado por pesquisadores da UFMG e da USP apontou caracter\u00edsticas da din\u00e2mica de opera\u00e7\u00e3o desses grupos. Alguns membros, inscritos em diversos deles, espalhavam a mesma mensagem massivamente. O sujeito que adentra o espa\u00e7o, entretanto, n\u00e3o necessariamente tem conhecimento de que uma parte das pessoas que est\u00e1 ali se organiza para distribuir conte\u00fados pol\u00edticos de interesse de certos grupos. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\u201c<span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Para n\u00f3s, dos estudos de vigil\u00e2ncia, isso \u00e9 interessante porque \u00e9 uma quest\u00e3o de invisibilidade. Voc\u00ea est\u00e1 sendo vigiado sem saber. Voc\u00ea est\u00e1 achando que est\u00e1 em um grupo que \u00e9 org\u00e2nico, que \u00e9 aut\u00eantico, e na verdade voc\u00ea est\u00e1 sendo manipulado. Essa estrutura superior a voc\u00ea \u00e9 invis\u00edvel. Isso \u00e9 extremamente assim\u00e9trico. Voc\u00ea est\u00e1 em uma condi\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica\u201d, afirma Evangelista. Para ele, essa atividade demonstra que o WhatsApp n\u00e3o \u00e9 operado somente enquanto um mensageiro instant\u00e2neo, mas sim como uma rede social. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Nesses grupos, formados a partir da segmenta\u00e7\u00e3o por interesses, circularam conte\u00fados tamb\u00e9m segmentados. Para Bruno e Evangelista, essa segmenta\u00e7\u00e3o foi importante para a radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica vivenciada no contexto eleitoral. \u201cEssa \u00e9 uma das hip\u00f3teses que n\u00f3s temos. A de que houve um processo de radicaliza\u00e7\u00e3o e que ele tem a ver com a exist\u00eancia de desinforma\u00e7\u00e3o direcionada para certos grupos\u201d, destaca Evangelista. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\u201c<span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O microdirecionamento n\u00e3o \u00e9 um direcionamento individual. \u00c9 sobre conseguir mapear um determinado grupo, muito espec\u00edfico, e fazer aquela mensagem voltada para ele. O esc\u00e2ndalo da <\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Cambridge Analytic<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> \u00e9 sobre isso, sobre produzir milhares de propagandas, <\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">uma <\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">para cada nicho espec\u00edfico. Uma das hip\u00f3teses \u00e9 que isso aconteceu nas elei\u00e7\u00f5es de 2018\u201d, explica ele. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O pesquisador entende que algumas caracter\u00edsticas espec\u00edficas da plataforma contribuem para o sucesso desse tipo de estrat\u00e9gia comunicativa. Citando as conclus\u00f5es do<a href=\"https:\/\/www.academia.edu\/40047992\/Populismo_digital_neoliberalismo_e_p%C3%B3s-verdade_fala_na_VII_ReACT_\"> trabalho<\/a> de Leticia Cesarino<\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">, Evangelista pondera que o os grupos de WhatsApp muitas vezes envolvem amigos e familiares, o que faz com que aquilo que \u00e9 recebido ali seja encarado com mais confian\u00e7a, o que tamb\u00e9m tem a ver com a limita\u00e7\u00e3o no n\u00famero de participantes desses grupos. Outra quest\u00e3o \u00e9 que embora hoje seja poss\u00edvel reconhecer uma mensagem que foi encaminhada, a plataforma n\u00e3o mostra a origem da mensagem que circula desse modo.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\u201c<span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Voc\u00ea pode receber um conte\u00fado e achar que a pessoa que te enviou foi quem criou aquela mensagem. Muitas vezes ela havia recebido a imagem, por exemplo, de grupos como esses de conte\u00fado pol\u00edtico segmentado, que est\u00e3o sendo cooptados ou ocupados por quem tem essa estrat\u00e9gia de segmenta\u00e7\u00e3o\u201d, explica o pesquisador.<\/span><\/span><\/p>\n<h2 align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b><em>Zero-rating<\/em> e desinforma\u00e7\u00e3o<\/b><\/span><\/span><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Quem utiliza dados m\u00f3veis pelo celular sabe que acessar determinadas aplica\u00e7\u00f5es acaba rapidamente com a franquia de dados. Continuar a usar algumas delas gratuitamente ou mesmo n\u00e3o ser tarifado pelo acesso pode parecer uma \u00f3tima pol\u00edtica das grandes corpora\u00e7\u00f5es de telefonia. Dizer que sim ou que n\u00e3o sobre isso \u00e9 uma tarefa ingl\u00f3ria, mas cabe olhar com aten\u00e7\u00e3o para o chamado <em>zero-rating<\/em>.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Alguns servi\u00e7os como o WhatsApp, eventualmente o Facebook, a Uber ou Twitter n\u00e3o s\u00e3o descontados da franquia de dados dos usu\u00e1rios e seguem funcionando ap\u00f3s o t\u00e9rmino delas. O fato de n\u00e3o poder utilizar fontes de pesquisa e, portanto, de verifica\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es recebidas nessas plataformas, faz com que o sujeito a distribuia mesmo sem saber se ela \u00e9 falsa. Essa \u00e9 uma hip\u00f3tese apontada por pesquisadores. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Para Rafael Evangelista, entretanto, h\u00e1 outras quest\u00f5es a serem analisadas sobre a rela\u00e7\u00e3o entre desinforma\u00e7\u00e3o e o <em>zero-rating<\/em>. Uma delas \u00e9 que essa pol\u00edtica afeta majoritariamente um perfil social. Quem s\u00e3o essas pessoas? Aquelas que t\u00eam um plano mais barato, em que a franquia acaba mais r\u00e1pido. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\u201c<span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Mas al\u00e9m disso, \u00e9 preciso olhar para a quest\u00e3o com um olhar mais antropol\u00f3gico. As pessoas passam a consumir informa\u00e7\u00e3o s\u00f3 de certos canais depois que a franquia delas acaba. Ela \u00e9 empurrada para os grupos de Whatsapp. \u00c9 s\u00f3 andar pelas ruas e olhar as pessoas numa fila, esperando, est\u00e1 todo mundo olhando para o celular, porque o celular se tornou quase uma mini-televis\u00e3o quando voc\u00ea n\u00e3o tem nada para fazer ou mesmo quando voc\u00ea quer relaxar\u201d, afirma o pesquisador.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\u201c<span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Por ess<\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">as caracter\u00edsticas <\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">do WhatsApp \u00e9 como se ele funcionasse como uma multiplicidade de canais. Isso \u00e9 favorecido pelo <em>zero-rating<\/em>, que certas plataformas tenham essa especificidade, esse benef\u00edcio de terem um acordo com as empresas de telefonia para o conte\u00fado fique ali circulando de gra\u00e7a. Isso empurra as pessoas para determinados servi\u00e7os, inclusive contrariando uma perspectiva de economia liberal. Voc\u00ea n\u00e3o tem competi\u00e7\u00e3o justa se voc\u00ea tem duas empresas de fun\u00e7\u00f5es, raz\u00f5es e prop\u00f3sitos diferentes se aliando para mutuamente se beneficiarem <\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">em detrimento dos competidores<\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">\u201d, completa ele. <\/span><\/span><\/p>\n<h2 align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>O ecossistema da (des)informa\u00e7\u00e3o no Brasil<\/b><\/span><\/span><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Um fen\u00f4meno notado por Bruno e Evangelista \u00e9 que havia conte\u00fados sendo espalhados por WhatsApp, assumindo um n\u00edvel maior de radicalidade pol\u00edtica, que foram originados pela m\u00eddia tradicional. O que isso diz sobre a controversa rela\u00e7\u00e3o entre m\u00eddia tradicional, a campanha eleitoral e a figura de Jair Bolsonaro? Como a estrat\u00e9gia comunicativa da candidatura que saiu vitoriosa das elei\u00e7\u00f5es de 2018 se inscreve no ecossistema da (des)informa\u00e7\u00e3o no Brasil?<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">S\u00e3o perguntas ainda sem respostas definitivas, mas que proporcionam especula\u00e7\u00f5es anal\u00edticas interessantes sobre a comunica\u00e7\u00e3o no Brasil. Ao ser questionado sobre sua opini\u00e3o acerca do tema, o pesquisador Rafael Evangelista devolve a pergunta. \u201cSer\u00e1 que esse sil\u00eancio do Bolsonaro na TV, ou seja, o fato que ele s\u00f3 tinha 30 segundos [de tempo de TV na campanha], n\u00e3o acabou o beneficiando?\u201d, provoca ele. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Bruno e Evangelista afirmam que a estrat\u00e9gia comunicativa da campanha de Jair Bolsonaro, especialmente quanto ao uso de mensagens segmentadas no WhatsApp, n\u00e3o \u201coperou no v\u00e1cuo\u201d. \u201cPor exemplo, o antipetismo que emerge nesses grupos opera a partir de migalhas ou restos de materiais da m\u00eddia tradicional. Voc\u00ea tem uma produ\u00e7\u00e3o de um antipetismo durante anos, que n\u00e3o come\u00e7a com o golpe, \u00e9 anterior, que consistentemente vai produzindo essa associa\u00e7\u00e3o entre a esquerda, e o PT especificamente, \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e a certas supostas imoralidades\u201d, diz Evangelista.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\u201c<span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">N\u00e3o vamos nos esquecer que o kit gay foi dado como not\u00edcia pelo Reinaldo Azevedo que era colunista da Veja. As mentiras que circularam depois nos grupos de WhatsApp t\u00eam uma base na m\u00eddia tradicional, que foi parceira nisso. Depois voc\u00ea tem um processo em que essas coisas saem do controle. Parecia que essa produ\u00e7\u00e3o ia beneficiar a centro-direita e acabou beneficiando a extrema-direita, que conseguiu pegar aquilo e tornar mais extremo e falar para um p\u00fablico que tinha a possibilidade de se radicalizar\u201d, completa ele.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O artigo pode ser acessado e baixado <a href=\"https:\/\/policyreview.info\/articles\/analysis\/whatsapp-and-political-instability-brazil-targeted-messages-and-political\">aqui<\/a>.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro (sem partido) para presidente, em 2018, surpreendeu muita gente. 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