{"id":9562,"date":"2018-01-29T21:24:36","date_gmt":"2018-01-30T00:24:36","guid":{"rendered":"https:\/\/lavits.bemvindo.co\/quatro-perguntas-para-marta-peirano-o-fim-da-neutralidade-da-rede-tal-como-a-conhecemos-marca-o-principio-de-uma-era-mais-opaca\/"},"modified":"2018-01-29T21:24:36","modified_gmt":"2018-01-30T00:24:36","slug":"quatro-perguntas-para-marta-peirano-o-fim-da-neutralidade-da-rede-tal-como-a-conhecemos-marca-o-principio-de-uma-era-mais-opaca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lavits.org\/en\/quatro-perguntas-para-marta-peirano-o-fim-da-neutralidade-da-rede-tal-como-a-conhecemos-marca-o-principio-de-uma-era-mais-opaca\/","title":{"rendered":"Marta Peirano fala sobre o fim da neutralidade da rede como a conhecemos e o in\u00edcio de uma era mais opaca"},"content":{"rendered":"<p>Em sua confer\u00eancia durante o 5\u00ba Simp\u00f3sio Lavits, Marta Peirano falou sobre topografias de rede e a import\u00e2ncia dos v\u00ednculos comunit\u00e1rios para a resili\u00eancia da infraestrutura da internet. &#8220;Acredito que \u00e9 importante que as redes de comunica\u00e7\u00e3o perten\u00e7am \u00e0 cidadania&#8221;, defendeu a jornalista e escritora. Para puxar uma extens\u00e3o dessa conversa, ela responde aqui algumas quest\u00f5es que guardamos como uma mem\u00f3ria desse encontro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma met\u00e1fora frequentemente usada para falar de internet \u00e9 a da autoestrada, como se ela pudesse ser definida pelo fato de que ali as informa\u00e7\u00f5es &#8220;viajam&#8221; com mais velocidade. Voc\u00ea fala da internet em termos de arquitetura urbana, o que permite pensar nela como um fluxo que possui intersec\u00e7\u00f5es, ou seja, mais de dois sentidos, al\u00e9m da ida e da volta. De que modo isso as substitui\u00e7\u00e3o das met\u00e1foras poderiam ajudar a disseminar a no\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade desses fluxos de informa\u00e7\u00e3o?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que as met\u00e1foras s\u00e3o um dos nossos principais problemas, incluindo a das autoestradas da informa\u00e7\u00e3o. Porque nos impedem de entender o funcionamento das infraestruturas e essa cegueira nos converte em v\u00edtimas f\u00e1ceis da desinforma\u00e7\u00e3o e da manipula\u00e7\u00e3o. Acredito que uma compreens\u00e3o geral do sistema \u00e9 fundamental para se proteger dos abusos do sistema. Sem essa vis\u00e3o somos todos os analfabetos do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em um dos seus textos no di\u00e1rio voc\u00ea diz que a depend\u00eancia que temos da internet comercial se converteu em uma vulnerabilidade. Voc\u00ea entende que essa convers\u00e3o aconteceu em algum momento espec\u00edfico?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A Internet n\u00e3o \u00e9 libre nem democr\u00e1tica nem nunca foi. Tampouco tem sido neutra. As infraestruturas de rede s\u00e3o limitadas e pertencem a um n\u00famero limitado de empresas. Os primeiros cabos submarinos pertenciam a grandes cons\u00f3rcios de empresas estatais, seguindo o modelo que caracterizou o desenvolvimento de infraestruturas do s\u00e9culo XX como o telefone, o tel\u00e9grafo, as redes ferrovi\u00e1rias, etc. Por\u00e9m, com a bolha no final dos anos 90, essas empresas se privatizaram e muitas outras se arruinaram, eliminando a jurisdi\u00e7\u00e3o estatal sobre as telecomunica\u00e7\u00f5es. Os novos projetos pertencem fundos de investimento \u00e1rabes ou a gigantes como Google e Facebook. A rede nunca foi livre mas agora \u00e9 menos que em qualquer outro momento, e o fim da \u201cneutralidade\u201d tal como a conhecemos marca o princ\u00edpio de uma era mais obscura, de mais opacidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Seus trabalhos dizem respeito tanto aos aspectos macroestruturais quanto indicam modos de se proteger individualmente na internet \u2013 caso do pequeno livro roxo do ativista em rede. Voc\u00ea considera que h\u00e1 possibilidades para aqueles que voc\u00ea chama de \u201cdissidentes\u201d contidas na infraestrutura atual da internet comercial?<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que o final da neutralidade da rede marca uma nova era, para mal mas tamb\u00e9m para o bem, porque a perda dessas estruturas para a cidadania tem alavancado o interesse pelos projetos de infraestruturas cidad\u00e3s. Em projetos baseados na constru\u00e7\u00e3o de cada membro \u00e9 um n\u00f3 e a rede cresce de maneira org\u00e2nica, aumentando, redistribuindo sua capacidade, sua responsabilidade e sua pot\u00eancia com cada n\u00f3 que se incorpora. N\u00e3o apenas porque \u00e9 a \u00fanica resposta poss\u00edvel para o controle governamental e a espionagem massiva, mas porque \u00e9 a \u00fanica capas de res responder aos desafios do aquecimento global. Quando chegar o desastre \u2013 e sabemos que chegar\u00e1, \u00e9 melhor que n\u00e3o nos aconte\u00e7a como o que se passou em Nova Orleans com Katrina e em Porto Rico com Irma e Harvey, de onde seguem majoritariamente desconectados porque todas as infraestruturas arrasadas pelos furac\u00f5es pertencem a uma empresa estadunidense que tem outras prioridades. Nossos sistemas devem ser comunit\u00e1rios e distribu\u00eddos, muito menos vulner\u00e1veis e facilmente reconstru\u00edveis pela comunidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea postou no twitter sobre como o fim do mundo \u00e9 um dos seus assuntos preferidos. Voc\u00ea acha que h\u00e1 algo de fascinante na perspectiva do fim do mundo?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um dos meus temas favoritos porque revela muito sobre nossa sociedade. Agora mesmo, o retrato que emerge \u00e9 o de uma sociedade aterrorizada que reza para que um milagre nos salve antes do desastre. Por exemplo, uma arca de No\u00e9 que nos levar\u00e1 a Marte, um projeto de geo-engenharia que dissolver\u00e1 o di\u00f3xido de carbono, o projeto de mapa cerebral que nos permitir\u00e1 viver eternamente conectados a um computador. Somos capazes de crer em qualquer coisa contanto que n\u00e3o mude nada. O certo \u00e9 que as grandes empresas tecnol\u00f3gicas est\u00e3o trabalhando nas col\u00f4nias, mas n\u00e3o para nos levar at\u00e9 Marte e sim para sobreviver aqui, quando a terra for Marte, um planeta hostil com uma atmosfera irrespir\u00e1vel. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio acrescentar que nessas col\u00f4nias n\u00e3o caberemos todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em sua confer\u00eancia durante o 5\u00ba Simp\u00f3sio Lavits, Marta Peirano falou sobre topografias de rede e a import\u00e2ncia dos v\u00ednculos comunit\u00e1rios para a resili\u00eancia da infraestrutura da internet. &#8220;Acredito que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":7375,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"_EventAllDay":false,"_EventTimezone":"","_EventStartDate":"","_EventEndDate":"","_EventStartDateUTC":"","_EventEndDateUTC":"","_EventShowMap":false,"_EventShowMapLink":false,"_EventURL":"","_EventCost":"","_EventCostDescription":"","_EventCurrencySymbol":"","_EventCurrencyCode":"","_EventCurrencyPosition":"","_EventDateTimeSeparator":"","_EventTimeRangeSeparator":"","_EventOrganizerID":[],"_EventVenueID":[],"_OrganizerEmail":"","_OrganizerPhone":"","_OrganizerWebsite":"","_VenueAddress":"","_VenueCity":"","_VenueCountry":"","_VenueProvince":"","_VenueState":"","_VenueZip":"","_VenuePhone":"","_VenueURL":"","_VenueStateProvince":"","_VenueLat":"","_VenueLng":"","_VenueShowMap":false,"_VenueShowMapLink":false,"footnotes":""},"categories":[1013],"tags":[],"tematica":[896,913,919,923],"destaque":[],"class_list":["post-9562","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-v-simposio-internacional-lavits-en","tematica-economia-politica-en","tematica-infraestruturas-tecnologicas-en","tematica-lutas-sociais-en","tematica-politicas-publicas-en"],"blocksy_meta":{"styles_descriptor":{"styles":{"desktop":"","tablet":"","mobile":""},"google_fonts":[],"version":6}},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9562","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9562"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9562\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7375"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9562"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9562"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9562"},{"taxonomy":"tematica","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tematica?post=9562"},{"taxonomy":"destaque","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/destaque?post=9562"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}