{"id":9744,"date":"2015-12-03T22:41:18","date_gmt":"2015-12-04T01:41:18","guid":{"rendered":"https:\/\/lavits.bemvindo.co\/como-nasceu-a-militancia-pela-internet-livre\/"},"modified":"2015-12-03T22:41:18","modified_gmt":"2015-12-04T01:41:18","slug":"como-nasceu-a-militancia-pela-internet-livre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lavits.org\/en\/como-nasceu-a-militancia-pela-internet-livre\/","title":{"rendered":"Como nasceu a milit\u00e2ncia pela internet livre"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"documentAuthor\">Publicado por Observat\u00f3rio da Privacidade e Vigil\u00e2ncia na Revista <a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/como-nasceu-a-militancia-pela-internet-livre-8374.html\">Carta Capital<\/a> dia 02\/12\/2015 <\/span><\/p>\n<div id=\"textstructured\">\n<p>A \u00faltima segunda-feira marcou os 16 anos do protesto que ficou mundialmente conhecido como N30, ou a Batalha de Seattle, quando, no dia 30 de novembro de 1999, mais de 40 mil ativistas \u201cantiglobaliza\u00e7\u00e3o\u201d (entre membros de ONGs, anarquistas, sindicalistas, ambientalistas) se organizaram de maneira descentralizada para protestar contra Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC). Na cidade norte-americana, a OMC dava in\u00edcio \u00e0 rodada do mil\u00eanio para negociar maior abertura do com\u00e9rcio mundial, no auge do neoliberalismo. A manifesta\u00e7\u00e3o foi violentamente reprimida, mas terminou vitoriosa com o cancelamento da rodada.<\/p>\n<p>A Batalha de Seattle \u00e9 um dos marcos iniciais do uso da internet como ferramenta pol\u00edtica e espa\u00e7o de disputa: os manifestantes usaram uma improvisada rede de comunica\u00e7\u00e3o, com celulares, r\u00e1dios e notebooks, para publicar na rede imagens e relatos \u2013 pr\u00e1tica que \u00e9 hoje protocolar em qualquer organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u2013 inaugurando um formato de publica\u00e7\u00e3o que mais tarde se converteria e popularizaria nos blogs.<\/p>\n<p>Essa percep\u00e7\u00e3o da internet como ferramenta, mas tamb\u00e9m como espa\u00e7o de disputa, levaria ao surgimento de uma milit\u00e2ncia respons\u00e1vel justamente por desenvolver e aplicar ferramentas para a utiliza\u00e7\u00e3o de criptografia, navega\u00e7\u00e3o an\u00f4nima e outros mecanismos de seguran\u00e7a na internet, em um esfor\u00e7o de garantir a liberdade e a comunica\u00e7\u00e3o segura de organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais \u2013 s\u00e3o os chamados coletivos t\u00e9cnicos radicais.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s j\u00e1 sab\u00edamos que a pol\u00edcia invadia as contas de email de ativistas e, al\u00e9m disso, j\u00e1 que protest\u00e1vamos contra grandes corpora\u00e7\u00f5es, n\u00e3o quer\u00edamos depender delas para nos comunicar\u201d, conta Micah Anderson, americano nascido em Seattle e membro-fundador do coletivo americano <a href=\"https:\/\/help.riseup.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rise Up<\/a>, criado em 1999, durante os protestos.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, o Rise Up funciona como um servidor aut\u00f4nomo que oferece servi\u00e7os gratuitos de email, listas de discuss\u00e3o, servi\u00e7os de mensagem instant\u00e2neas, hospedagem de servidores, (todos seguros e criptografados), para movimentos sociais e ativistas. \u201cNaquele momento est\u00e1vamos mais preocupados em criar alternativas seguras e eficientes para nos comunicar na internet, do que com espionagem massiva\u201d, relembra.<\/p>\n<p>No mesmo per\u00edodo, junto com o surgimento dos coletivos t\u00e9cnicos radicais, surgiam tamb\u00e9m os coletivos de m\u00eddia independentes. Anderson tamb\u00e9m participou da cria\u00e7\u00e3o da rede Indymedia, que se espalhou em diversos coletivos locais pelo mundo, e chegou ao Brasil na forma do CMI, o Centro de M\u00eddia Independente. Foi de dentro do CMI que, em 2005, inspirado pelo Rise Up e outros coletivos que atuavam de maneira semelhante, nasceu o Sarav\u00e1.<\/p>\n<p>Segundo seus porta-vozes, o coletivo Sarav\u00e1 se mant\u00e9m organizado em torno destas quest\u00f5es, as quais denominam \u201ctecnopol\u00edticas\u201d. Eles explicam que \u201co escopo dos movimentos antiglobaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o era exclusivamente a defesa da internet livre ou do direito a privacidade\u201d, mas que essas pautas sempre foram e ainda s\u00e3o necess\u00e1rias para todos os coletivos que lutam por transforma\u00e7\u00e3o social. A atua\u00e7\u00e3o do Sarav\u00e1 e do Rise Up fornece, portanto, bases tecnol\u00f3gicas para as atividades pol\u00edticas destes grupos.<\/p>\n<p>Micah Anderson conta que se no in\u00edcio a preocupa\u00e7\u00e3o central da atua\u00e7\u00e3o do Rise Up sempre foi essa: \u201ctornou-se muito \u00f3bvio, muito r\u00e1pido, que a vigil\u00e2ncia chegaria a ter o alcance que sabemos que hoje ela tem\u201d, referindo-se \u00e0s revela\u00e7\u00f5es de espionagem internacional massiva feitas pelo ex-consultor da NSA (Ag\u00eancia Nacional de Seguran\u00e7a, dos EUA), Edward Snowden, em 2013.<\/p>\n<p><b>Distopias p\u00f3s-Snowden<\/b><\/p>\n<p>Anderson recorda que quando viram a r\u00e1pida ascens\u00e3o de ferramentas como o Google, se deram conta do perigo que as possibilidades de espionagem e monitoramento na internet representavam. \u201cPercebemos que as grandes corpora\u00e7\u00f5es haviam descoberto como a espionagem poderia ser economicamente rent\u00e1vel, e, h\u00e1 cerca de 10 anos, come\u00e7amos um esfor\u00e7o de debater e divulgar o perigo que isso representava\u201d, conta Anderson.<\/p>\n<p>\u201cSe, por um lado, Snowden nos ajudou a ter acesso a uma s\u00e9rie de documentos que comprovam a vigil\u00e2ncia por parte das ag\u00eancias governamentais, ainda precisamos destrinchar os meandros da vigil\u00e2ncia corporativa, que funciona como um modelo de neg\u00f3cio\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O Sarav\u00e1 cita o Facebook \u2013 que est\u00e1 em negocia\u00e7\u00f5es com o Estado Brasileiro para o fornecimento de servi\u00e7os de internet em regi\u00f5es ainda desprovidas de conex\u00e3o no Pa\u00eds <a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/tecnologia\/projeto-de-internet-gratuita-do-facebook-e-criticado-na-america-latina-4420.html\">atrav\u00e9s do Internet.org<\/a>\u00a0\u2013 como um exemplo bem acabado das estruturas de poder que operam na internet atrav\u00e9s da vigil\u00e2ncia: \u201co Facebook n\u00e3o inovou as comunica\u00e7\u00f5es, ele criou bolhas de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, social e econ\u00f4mica. Al\u00e9m de ser uma ferramenta abrangente de marketing e de publicidade, capaz de vigiar e analisar as tend\u00eancias das pessoas em tempo real\u201d, explicam.<\/p>\n<p>Para Anderson, a internet surgiu como uma \u201cutopia maluca e an\u00e1rquica\u201d de liberdade de organiza\u00e7\u00e3o e express\u00e3o que, no entanto, n\u00e3o se concretizou, pois \u201cfoi encapsulada pelas mesmas estruturas de poder que estavam fora dela\u201d.<\/p>\n<p>Apesar de ambos os coletivos observarem que h\u00e1 um interesse maior na milit\u00e2ncia pelo direito a privacidade e a seguran\u00e7a como resposta ao \u201ccen\u00e1rio dist\u00f3pico\u201d comprovado pelas revela\u00e7\u00f5es de Snowden, o Sarav\u00e1 nota que as pessoas t\u00eam muita dificuldade de aprender e levar adiante a utiliza\u00e7\u00e3o de ferramentas seguras de comunica\u00e7\u00e3o, porque \u201cqualquer preocupa\u00e7\u00e3o com a seguran\u00e7a da sua comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 acompanhada de algum n\u00edvel de perda de conforto\u201d, e ferramentas como Google e Facebook, que \u201ccapturaram a diversidade da internet em m\u00faltiplas bolhas\u201d, exercem uma esp\u00e9cie de \u201cencantamento\u201d por conta de sua efici\u00eancia e alcance.<\/p>\n<p>Tanto Anderson quanto o membros Sarav\u00e1 acreditam que enquanto as pessoas n\u00e3o se dispuserem a sair de sua zona de conforto para encarar o fato de que, al\u00e9m do Estado, empresas extraem enormes lucros de seus dados pessoais, n\u00f3s \u201cn\u00e3o conseguiremos nem fazer c\u00f3cegas na estrutura da vigil\u00e2ncia em massa\u201d.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado por Observat\u00f3rio da Privacidade e Vigil\u00e2ncia na Revista Carta Capital dia 02\/12\/2015 A \u00faltima segunda-feira marcou os 16 anos do protesto que ficou mundialmente conhecido como N30, ou a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"_EventAllDay":false,"_EventTimezone":"","_EventStartDate":"","_EventEndDate":"","_EventStartDateUTC":"","_EventEndDateUTC":"","_EventShowMap":false,"_EventShowMapLink":false,"_EventURL":"","_EventCost":"","_EventCostDescription":"","_EventCurrencySymbol":"","_EventCurrencyCode":"","_EventCurrencyPosition":"","_EventDateTimeSeparator":"","_EventTimeRangeSeparator":"","_EventOrganizerID":[],"_EventVenueID":[],"_OrganizerEmail":"","_OrganizerPhone":"","_OrganizerWebsite":"","_VenueAddress":"","_VenueCity":"","_VenueCountry":"","_VenueProvince":"","_VenueState":"","_VenueZip":"","_VenuePhone":"","_VenueURL":"","_VenueStateProvince":"","_VenueLat":"","_VenueLng":"","_VenueShowMap":false,"_VenueShowMapLink":false,"footnotes":""},"categories":[590],"tags":[],"tematica":[859,880,913,945],"destaque":[],"class_list":["post-9744","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-news","tematica-ativismo-digital-en","tematica-cultura-livre-en","tematica-infraestruturas-tecnologicas-en","tematica-vigilancia-en"],"blocksy_meta":{"styles_descriptor":{"styles":{"desktop":"","tablet":"","mobile":""},"google_fonts":[],"version":6}},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9744","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9744"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9744\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9744"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9744"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9744"},{"taxonomy":"tematica","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tematica?post=9744"},{"taxonomy":"destaque","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/destaque?post=9744"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}