{"id":9782,"date":"2015-08-26T17:11:29","date_gmt":"2015-08-26T20:11:29","guid":{"rendered":"https:\/\/lavits.bemvindo.co\/a-louca-logica-do-capitalismo-de-vigilancia\/"},"modified":"2022-05-19T17:28:54","modified_gmt":"2022-05-19T20:28:54","slug":"a-louca-logica-do-capitalismo-de-vigilancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lavits.org\/en\/a-louca-logica-do-capitalismo-de-vigilancia\/","title":{"rendered":"A louca l\u00f3gica do capitalismo de vigil\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p>* <strong>por Rafael Evangelista<\/strong><\/p>\n<p>Em julho, fui convidado para uma mesa sobre direitos humanos e internet no F\u00f3rum da Internet, realizado pelo Comit\u00ea Gestor (CGI). Na ocasi\u00e3o defendi, entre outros pontos, que os grandes neg\u00f3cios da internet de hoje se baseiam em vigil\u00e2ncia e, no limite, em uma viola\u00e7\u00e3o cotidiana da privacidade dos usu\u00e1rios das diversas plataformas. Na mesa estava tamb\u00e9m um representante do Google, que recha\u00e7ou a afirma\u00e7\u00e3o, apontando que, tecnicamente, juridicamente, n\u00e3o se tratava de viola\u00e7\u00e3o de privacidade, pois todos aceitamos termos de uso que autorizam as empresas a coletar dados.<\/p>\n<p>Parte da audi\u00eancia protestou, n\u00e3o reconhecendo esse car\u00e1ter \u201cvolunt\u00e1rio\u201d da ades\u00e3o aos termos de uso. S\u00e3o longos, complexos, abusivos e feitos para n\u00e3o serem lidos. Usar ou n\u00e3o usar essas plataformas est\u00e1 longe de ser uma escolha livre das pessoas, somos levados a aceitar os termos n\u00e3o porque concordamos com eles, mas porque estar fora de muitas dessas redes sociais e plataformas da internet em parte significa isolar-se socialmente e mesmo profissionalmente.<\/p>\n<p>Mas, para al\u00e9m dos termos de uso, esse debate nos permite discutir aspectos importantes do mercado atual de internet, mostrando como os dados trocados entre as pessoas na rede s\u00e3o o combust\u00edvel que alimenta o motor de lucro das grandes empresas.<\/p>\n<p>\u00c9 lugar comum nos cursos de comunica\u00e7\u00e3o o professor perguntar aos alunos, logo quando ingressam, qual \u00e9 o real produto vendido pelo jornal. Com misto de incredulidade e surpresa, ouvem que a mercadoria ali n\u00e3o \u00e9 a not\u00edcia, mas o leitor. \u00c9 ele, a mirada de seus olhos no papel, que ser\u00e1 vendida ao anunciante. Da mesma forma, \u00e9 a aten\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de pessoas presas \u00e0 tela da tev\u00ea que vai justificar os milhares de reais pagos pelos vendedores de produtos \u00e0s emissoras que exploram o espectro eletromagn\u00e9tico e fazem televis\u00e3o.<\/p>\n<p>At\u00e9 a\u00ed, sem muita novidade, na internet isso tamb\u00e9m acontece. \u201cNo Facebook o produto \u00e9 voc\u00ea\u201d \u00e9 uma frase popular e igualmente verdadeira: quanto mais usu\u00e1rios na rede social, mais valor de mercado ganha a empresa. \u00c9 aspecto da economia dos sistemas de informa\u00e7\u00e3o, a escassez de aten\u00e7\u00e3o que se d\u00e1 pelo excesso de produ\u00e7\u00e3o informativa. Nosso tempo consumindo m\u00eddia se tornou um bem escasso, j\u00e1 que h\u00e1 tanta produ\u00e7\u00e3o de m\u00eddia por a\u00ed.<\/p>\n<p>Prender a aten\u00e7\u00e3o das pessoas \u00e9 algo crucial e essa \u00e9 uma das raz\u00f5es que fazem as redes sociais viverem mexendo nos algoritmos que determinam o que vemos e o que n\u00e3o vemos nos nossos feeds, nas nossas linhas do tempo. Num pol\u00eamico estudo, o Facebook\u00a0alterou\u00a0os posts que seriam vistos normalmente pelos usu\u00e1rios, para testar como variaria seu humor. \u201cPara n\u00f3s, \u00e9 importante o impacto emocional do Facebook nas pessoas que o usam, por isso fizemos o estudo. Sent\u00edamos que era importante avaliar se ver conte\u00fado positivo dos amigos os fazia continuar dentro, ou se o fato de que o que se contava era negativo os convidada a n\u00e3o visitar o Facebook. N\u00e3o quer\u00edamos irritar ningu\u00e9m\u201d, <a href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/destaques\/a-louca-logica-do-capitalismo-de-vigilancia\/%28http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/06\/30\/tecnologia\/1404108700_038585.html%29\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">escreveu um dos coautores<\/a> do estudo<\/p>\n<p>Ter contato com algo muito contr\u00e1rio ao que acreditamos nos causa cansa\u00e7o, repulsa; algo muito semelhante \u00e0 nossa opini\u00e3o nos d\u00e1 t\u00e9dio, \u00e9 repeti\u00e7\u00e3o. Como um cassino que quer prender os jogadores o m\u00e1ximo de tempo em frente aos ca\u00e7a-n\u00edqueis, as redes querem os usu\u00e1rios deslizando os dedos na tela, buscando por incessantes novidades de seus \u201camigos\u201d.<\/p>\n<p>Contudo, a elogiada interatividade da internet, a troca em m\u00e3o dupla das informa\u00e7\u00f5es na rede, d\u00e1 novas caracter\u00edsticas a essa rela\u00e7\u00e3o comercial da economia da aten\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de receberem informa\u00e7\u00f5es, os usu\u00e1rios tamb\u00e9m as enviam, mesmo involuntariamente, e isso \u00e9 incorporado pelas empresas numa espiral de valoriza\u00e7\u00e3o que vai al\u00e9m dos mecanismos tradicionais. Seus pr\u00f3prios dados de usu\u00e1rio n\u00e3o t\u00eam valor comercial para quem os produz, mas ao serem circulados pelas empresas tornam-se um produto com valor de mercado ou um insumo ao aprimoramento da publicidade. Ningu\u00e9m em s\u00e3 consci\u00eancia pensaria em cobrar por um post no Facebook, ou pela visualiza\u00e7\u00e3o de uma foto no Instagram ou por uma piadinha no Twitter. Para o amigo que v\u00ea aquilo tem valor de uso, informa ou diverte. Mas, se o produtor tentasse cobrar por isso dificilmente encontraria compradores. \u00a0J\u00e1 dados de navega\u00e7\u00e3o, lista de amigos, buscas na internet s\u00e3o de valor ainda menos evidente e imposs\u00edveis de serem colocados no mercado, por seus pr\u00f3prios produtores, em unidades comercializ\u00e1veis. Por\u00e9m, quando organizadas em grandes conjuntos, pelas plataformas que se tornam legalmente propriet\u00e1rias dos dados que doamos ao assinarmos os famigerados termos de uso, essas informa\u00e7\u00f5es viram algo muito bem pago.<\/p>\n<p>Recentemente, o Facebook <a href=\"https:\/\/lavits.org\/patente-do-facebook-pode-permitir-que-sistemas-de-credito-discriminem-usuarios\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">obteve direitos comerciais exclusivos<\/a> sobre a maneira como os usu\u00e1rio est\u00e3o conectados em uma rede. Basicamente, patenteou a possibilidade de uso comercial das listas de amigos. Uma das aplica\u00e7\u00f5es imediatas, registrada na patente, \u00e9 o <em>digital redlining<\/em>, a pr\u00e1tica de usar a informa\u00e7\u00e3o sobre quem s\u00e3o seus amigos para conceder ou negar cr\u00e9dito. Como o Facebook n\u00e3o est\u00e1 no ramo de emprestar dinheiro, sup\u00f5e-se que ele v\u00e1 vender esse servi\u00e7o a bancos, ou seja, lucrar\u00e1 com a informa\u00e7\u00e3o sobre quem s\u00e3o os nossos amigos na rede.<\/p>\n<p>Quando acusadas, durante o caso Snowden, de coletarem dados pessoais de seus usu\u00e1rios, os mesmos que acabaram sendo utilizados pela NSA, as empresas defenderam-se afirmando a anonimiza\u00e7\u00e3o, o que quer dizer que elas retirariam a liga\u00e7\u00e3o entre o dado de identifica\u00e7\u00e3o e os dados produzidos pelos usu\u00e1rios. Por\u00e9m, anonimizados ou n\u00e3o, os dados, manipulados como metadados (dados sobre dados), s\u00e3o \u00fateis para tornarem a publicidade mais direcionada e efetiva e, por isso, com maior valor de mercado. N\u00e3o apenas o fato de algu\u00e9m marcar o seu time do cora\u00e7\u00e3o com um like, ou dizer que assistiu o filme x ou y \u00e9 algo incorporado, mas os coment\u00e1rios sobre a mais recente vit\u00f3ria do Palmeiras ou a men\u00e7\u00e3o feita a um amigo sobre o \u00faltimo show visto ajudam a melhorar a precis\u00e3o da publicidade, que agora \u00e9 individualizada. Tudo o que se faz ou diz nas redes, toda produ\u00e7\u00e3o ou exibi\u00e7\u00e3o de gosto pessoal, acaba servindo ao marketing ou \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o de bens vendidos no mercado.<\/p>\n<p>O mesmo vale para a navega\u00e7\u00e3o rastreada por cookies, aquelas pistas que vamos deixando dos sites acessados e que se tornam informa\u00e7\u00e3o usada para direcionar a publicidade. Esta em geral nem ser\u00e1 vista ali, por onde se passou, mas no site de um terceiro.<\/p>\n<p>Ao ser lan\u00e7ado, o hoje hegem\u00f4nico Gmail causou um certo inc\u00f4modo p\u00fablico, j\u00e1 que seu modelo de neg\u00f3cio, a maneira escolhida para financiar o ent\u00e3o in\u00e9dito espa\u00e7o de armazenamento oferecido ao usu\u00e1rio, passa por um bisbilhotar ativo do que se escrevem na mensagem. Ainda que por um rob\u00f4, toda comunica\u00e7\u00e3o trocada via Gmail \u00e9 lida e informa os bancos de dados do Google. A princ\u00edpio, isso \u00e9 utilizado para mostrar uma publicidade direcionada ao pr\u00f3prio usu\u00e1rio, mas nada impede que seja tamb\u00e9m usada como um term\u00f4metro do mercado. Pode servir para antecipar a produ\u00e7\u00e3o de algum produto, cuja demanda potencial foi medida e estaria prestes a aumentar. Ou at\u00e9 mesmo orientar a compra de a\u00e7\u00f5es da empresa respons\u00e1vel por essa produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O usu\u00e1rio n\u00e3o precisa nem apertar da tecla \u201center\u201d de seu computador para ter a informa\u00e7\u00e3o processada, como mostram as sugest\u00f5es de complemento para as buscas feitas automaticamente pelo Google Search. O mesmo vale para textos no Facebook, que <a href=\"http:\/\/sauvik.me\/system\/papers\/pdfs\/000\/000\/004\/original\/self-censorship_on_facebook_cameraready.pdf?1369713003\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">j\u00e1 usou a autocensura dos usu\u00e1rios<\/a>, aquilo que eles escrevem mas acabam n\u00e3o enviando, como objeto de estudo. Seja em pesquisas, seja em melhoramento direto e automatizado do mecanismo de busca, essas entradas de dados dos usu\u00e1rios servem para melhorar \u2013 e valorizar comercialmente \u2013 as plataformas de busca e sociais.<\/p>\n<p>Google, Facebook, Twitter e outros n\u00e3o produzem conte\u00fado, apenas intermediam trocas comunicativas e operam sele\u00e7\u00f5es personalizadas sobre o que \u00e9 trocado. O objetivo \u00e9 reter a aten\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, estimular mais produ\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o entre os usu\u00e1rios, que entret\u00eam a si mesmos, seja com produ\u00e7\u00e3o criativa pr\u00f3pria, seja com sele\u00e7\u00e3o de material jornal\u00edstico, informativo, art\u00edstico ou de entretenimento encontrado na web pelas pr\u00f3prias pessoas.<\/p>\n<p>O lucro, por sua vez, n\u00e3o est\u00e1 somente na intermedia\u00e7\u00e3o, mas em um conjunto de pr\u00e1ticas de rastreio, vigil\u00e2ncia, armazenamento, processamento e apropria\u00e7\u00e3o privada de dados. S\u00e3o elas que permitem o melhoramento dos servi\u00e7os das plataformas e a constitui\u00e7\u00e3o de novos produtos informacionais, que servem a todo um conjunto de atores do mercado capitalista.<\/p>\n<p>As empresas de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o est\u00e3o hoje entre as maiores do mundo, junto com bancos e empresas de petr\u00f3leo, e se sobressaem por sua lucratividade aliada ao baixo uso de m\u00e3o de obra. Entender melhor a natureza do enriquecimento dessas empresas, buscando destrinchar no que se baseia esse crescimento \u00e9 vital para enfrentar em lutas concretas as desigualdades que o capitalismo produz.<\/p>\n<p>Texto publicdo originalmente no site <a href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/destaques\/a-louca-logica-do-capitalismo-de-vigilancia\/\">Outras Palavras<\/a><\/p>\n<p>Rafael Evangelista \u00e9 membro da Rede Lavits, doutor em antropologia social e professor do Mestrado em Divulga\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Cultural da Unicamp.<\/p>\n<p><b>\u2013<br \/>\nVeja tamb\u00e9m<\/b><\/p>\n<p>Vieira, Miguel Said and Evangelista, Rafael de Almeida, A m\u00e1quina de explora\u00e7\u00e3o mercantil da privacidade e suas conex\u00f5es sociais (The Mercantile Privacy-Exploiting Machine and Its Social Connections) (May 12, 2015). 3rd International LAVITS Symposium, Rio de Janeiro, 2015. Available at SSRN:<a href=\"http:\/\/ssrn.com\/abstract=2608251\"> http:\/\/ssrn.com\/abstract=2608251<\/a> or<a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.2139\/ssrn.2608251\"> http:\/\/dx.doi.org\/10.2139\/ssrn.2608251<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* por Rafael Evangelista Em julho, fui convidado para uma mesa sobre direitos humanos e internet no F\u00f3rum da Internet, realizado pelo Comit\u00ea Gestor (CGI). 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