{"id":9327,"date":"2020-05-22T13:00:16","date_gmt":"2020-05-22T16:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/lavits.bemvindo.co\/lavits_covid19_7-dados-e-narrativas-territorializadas-em-tempos-de-pandemia-global\/"},"modified":"2022-05-19T17:22:13","modified_gmt":"2022-05-19T20:22:13","slug":"lavits_covid19_7-dados-e-narrativas-territorializadas-em-tempos-de-pandemia-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lavits.org\/es\/lavits_covid19_7-dados-e-narrativas-territorializadas-em-tempos-de-pandemia-global\/","title":{"rendered":"#7: dados e narrativas territorializadas em tempos de pandemia global"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Gilberto Vieira, Debora Pio e Rodrigo Firmino*<\/em><\/p>\n<blockquote>\n<h4 style=\"text-align: right;\"><\/h4>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u201cO ator proposto \u2212 pensado literalmente de baixo para cima, corporificado e territorializado \u2212, corresponde, potencialmente, ao circuito inferior reconhecido por Milton Santos, em <a href=\"https:\/\/www.edusp.com.br\/loja\/produto\/462\/espaco-dividido,-o--os-dois-circuitos-da-economia-urbana-dos-paises-subdesenvolvidos\">O Espa\u00e7o Dividido<\/a> (1979), para a compreens\u00e3o \u00edntegra da economia urbana. Mas, este ator tamb\u00e9m corresponde \u00e0s formas sociais sobreviventes das sucessivas moderniza\u00e7\u00f5es e \u00e0s formas mais modernas que tiveram, historicamente, a capacidade de interagir com pr\u00e1ticas ancestrais, como aquelas produ\u00e7\u00f5es e com\u00e9rcios em que a negocia\u00e7\u00e3o predomina sobre a conquista e a destrui\u00e7\u00e3o do outro. Existe, portanto, uma vida de rela\u00e7\u00f5es, resistente e tenaz, que se op\u00f5e a\u0300 abstra\u00e7\u00e3o exigida pela opera\u00e7\u00e3o sist\u00eamica da concep\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica de mercado.\u201d<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>(<a href=\"http:\/\/www.observatoriogeograficoamericalatina.org.mx\/egal10\/Geografiasocioeconomica\/Ordenamientoterritorial\/41.pdf\">Ana Clara Torres Ribeiro, 2005, 12468<\/a>)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em \u00ab<a href=\"http:\/\/www.observatoriogeograficoamericalatina.org.mx\/egal10\/Geografiasocioeconomica\/Ordenamientoterritorial\/41.pdf\">Territ\u00f3rio Usado e Humanismo Concreto: o Mercado Socialmente Necess\u00e1rio<\/a>\u00ab, Ana Clara Torres Ribeiro exalta a centralidade do territ\u00f3rio na busca por novos horizontes de resist\u00eancia. Na verdade, ao lado de Milton Santos, Ana Clara j\u00e1 nos alertava, pelo menos desde os anos 1980, para a import\u00e2ncia de compreendermos a for\u00e7a do \u00abterrit\u00f3rio usado\u00bb como campo de constru\u00e7\u00e3o de utopias sob a ideia de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Em um pa\u00eds marcado pela injusti\u00e7a e desigualdade social, n\u00e3o \u00e9 novidade que o novo coronav\u00edrus aumente exponencialmente os desafios para fam\u00edlias que vivem em territ\u00f3rios populares como favelas, aldeias ind\u00edgenas, quilombos e assentamentos. Dados do munic\u00edpio do Rio de Janeiro de maio de 2020 (conhecidamente subnotificados) indicam que o n\u00famero de mortes por Covid-19 nas favelas cariocas <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/saude\/ultimas-noticias\/redacao\/2020\/05\/10\/coronavirus-mortes-em-favelas-do-rio-aumentam-oito-vezes-em-um-mes.htm\">cresceu mais de 10 vezes em apenas um m\u00eas<\/a>. A \u00abnormalidade\u00bb, nestes casos, j\u00e1 est\u00e1 pautada, h\u00e1 muito tempo, pela dificuldade de acesso a empregos formais, programas sociais, educa\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia m\u00e9dica de qualidade, assim como condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de saneamento b\u00e1sico (<a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/reportagens-especiais\/a-favela-pede-agua\/#tematico-1\">incluindo abastecimento regular de \u00e1gua<\/a>, esgoto e coleta apropriada de lixo). No Brasil <a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/25882-extrema-pobreza-atinge-13-5-milhoes-de-pessoas-e-chega-ao-maior-nivel-em-7-anos\">s\u00e3o 13,5 milh\u00f5es de pessoas<\/a> sobrevivendo com at\u00e9 145 reais mensais. No contexto da crise global de enfrentamento a pandemia, uma quest\u00e3o de sa\u00fade, no Brasil, pode facilmente e rapidamente tornar-se uma trag\u00e9dia sanit\u00e1ria e humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em situa\u00e7\u00f5es de exce\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma tend\u00eancia de maior receptividade a experimenta\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas e acr\u00edticas com todos os tipos de inova\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. A f\u00e9 na ci\u00eancia e na tecnologia aumenta, e todos tornam-se impacientes por respostas r\u00e1pidas e solu\u00e7\u00f5es definitivas para a crise ou para criar amenidades que forne\u00e7am uma sensa\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria de normalidade. Nesse cen\u00e1rio de desespero, tamb\u00e9m surgem posi\u00e7\u00f5es negacionistas e irrespons\u00e1veis no tratamento da crise: tratar a doen\u00e7a como uma <a href=\"https:\/\/congressoemfoco.uol.com.br\/governo\/gripezinha-e-histeria-cinco-vezes-em-que-bolsonaro-minimizou-o-coronavirus\/\">\u00abgripezinha\u00bb<\/a>, culpabilizar o governo chin\u00eas pela <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/colunas\/tales-faria\/2020\/03\/16\/bolsonaro-esta-convencido-de-que-coronavirus-e-plano-do-governo-chines.htm\">suposta fabrica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus como parte de um plano de domina\u00e7\u00e3o comunista global<\/a>, elevar a\u00a0 <a href=\"https:\/\/economia.uol.com.br\/noticias\/reuters\/2020\/03\/21\/bolsonaro-anuncia-aumento-de-producao-de-cloroquina-uso-contra-coronavirus-nao-e-comprovado.htm\">hidroxicloroquina<\/a> e o <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/colunas\/diogo-schelp\/2020\/04\/16\/saude-aprovou-pesquisa-com-annita-segredo-de-pontes-contra-covid-19.htm\">verm\u00edfugo Annita<\/a> como drogas salvadoras, ou definir o <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-52043112\">\u201cisolamento vertical\u201d<\/a> como estrat\u00e9gia econ\u00f4mica, para citar apenas alguns exemplos mais recentes.<\/p>\n<p>E a\u00ed que nos deparamos com ondas di\u00e1rias de artigos distorcidos, \u00e1udios inventados, not\u00edcias manipuladas. A estrat\u00e9gia de disseminar desinforma\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das m\u00eddias sociais \u00e9 ferramenta poderosa desde os \u00faltimos pleitos pelo mundo. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais segredo que as elei\u00e7\u00f5es de 2018 no Brasil foram definidas pelos grupos no WhatsApp com altas doses de mentiras e manipula\u00e7\u00f5es criminosas. \u00c9 tr\u00e1gico e curioso ver como uma estrat\u00e9gia de marketing desenhada para a disputa eleitoral ganhou sobrevida em uma nova roupagem, passando a ser empregada como a\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de governo, <a href=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/ensaio\/2020\/Seria-o-%E2%80%98gabinete-do-%C3%B3dio%E2%80%99-a-verdadeira-%E2%80%98Abin-paralela%E2%80%99\">com estrutura t\u00e9cnica e administrativa refor\u00e7ada e gabinete no Pal\u00e1cio do Planalto<\/a>. N\u00e3o seria exagero dizer que o WhatsApp tornou-se ferramenta de governo.<\/p>\n<p>Mas nem s\u00f3 de fake news \u00e9 feito o \u00abzap\u00bb. Essa cren\u00e7a nas tecnologias \u00e9 tamb\u00e9m um canal de inova\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o de qualidade e solidariedade. Isso parece nos interessar mais em contextos de crise. A pandemia extrapolou o que muita gente j\u00e1 sabia: as desigualdades hist\u00f3ricas que o Brasil atravessa desde sua \u00abfunda\u00e7\u00e3o\u00bb s\u00f3 ficaram mais evidentes em um contexto excepcional. Para os moradores de favelas, que sempre tiveram que lutar para garantir o m\u00ednimo, n\u00e3o foi diferente. Logo que a pandemia se tornou uma realidade no Brasil, muitos deles perguntaram \u00abo que vai acontecer quando o v\u00edrus chegar \u00e0s favelas?\u00bb Essas localidades, que historicamente s\u00e3o vistas pelo poder p\u00fablico sob a \u00f3tica da aus\u00eancia, seguem sem receber investimentos que deem conta de suas especificidades no contexto da crise. Por isso, moradoras e moradores se organizam para, mais uma vez, criarem suas pr\u00f3prias alternativas. As iniciativas v\u00e3o desde grupos de informa\u00e7\u00e3o no WhatsApp a campanhas de financiamento coletivo e distribui\u00e7\u00e3o de insumos. Fica ainda mais evidente que tecnologias como essa s\u00e3o apropriadas de formas distintas, em contextos e arranjos sociot\u00e9cnicos com prop\u00f3sitos completamente diferentes.<\/p>\n<p>H\u00e1 in\u00fameros exemplos. A lista de transmiss\u00e3o <a href=\"https:\/\/wa.me\/5511959600372\">Coronanews<\/a> dispara diariamente no WhatsApp checagem de informa\u00e7\u00f5es falsas que circulam pelos grupos de fam\u00edlia. O grupo <a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/EPAlw0cNzY9GGhqKNDDeRx\">Corona nas Periferias<\/a> \u00e9 uma biblioteca de m\u00eddia que re\u00fane servi\u00e7os e not\u00edcias sobre a pandemia com foco nas periferias e favelas. O canal da <a href=\"http:\/\/bit.ly\/olamural\">Ag\u00eancia Mural <\/a>\u00a0distribui todas as manh\u00e3s um podcast curto com relatos de quem vive a quarentena nas quebradas de S\u00e3o Paulo. Al\u00e9m dos canais p\u00fablicos,\u00a0 grupos de ativistas, jornalistas, profissionais da sa\u00fade, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, vizinhos e parentes se organizam para prestar apoio a quem est\u00e1 mais vulner\u00e1vel. Desde o come\u00e7o da quarentena, no mundo todo, o WhatsApp foi a m\u00eddia social que mais cresceu em tr\u00e1fego de dados, com <a href=\"https:\/\/www.kantar.com\/Inspiration\/Coronavirus\/COVID-19-Barometer-Consumer-attitudes-media-habits-and-expectations\">aumento de uso estimado em 40%<\/a>.<\/p>\n<p>As t\u00e1ticas de financiamento coletivo multiplicaram-se rapidamente, quase todos com o mesmo apelo: arrecadar dinheiro para garantir cestas b\u00e1sicas, \u00e1gua, produtos de higiene e limpeza, aux\u00edlio transporte para trabalhadores, log\u00edstica de entrega de materiais, compra de EPIs (Equipamentos de Prote\u00e7\u00e3o Individual) etc. N\u00e3o por acaso, essas iniciativas assumem responsabilidades que deveriam ser do Estado. O <a href=\"https:\/\/www.meurio.org.br\/\">Meu Rio<\/a>, organiza\u00e7\u00e3o que desenvolve tecnologias e mobiliza\u00e7\u00f5es para aproximar os cidad\u00e3os da tomada de decis\u00e3o pol\u00edtica, fez o esfor\u00e7o de reunir oito coletivos de diferentes favelas da regi\u00e3o metropolitana (Acari, Complexo do Alem\u00e3o, Complexo da Mar\u00e9, Duque de Caxias, Santa Cruz, Sepetiba, Vila Kennedy e Viradouro) para fazer uma vaquinha unificada. A organiza\u00e7\u00e3o arrecadou, at\u00e9 maio de 2020, R$130 mil para distribuir entre os coletivos, e decidiu que a campanha continuar\u00e1 enquanto a pandemia e o cen\u00e1rio de emerg\u00eancia permanecer. Neste per\u00edodo j\u00e1 foram atendidas mais de 1.200 fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Pol\u00edtica, tecnologia, comunica\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia social d\u00e3o o tom em todos esses movimentos. Nas periferias de grandes cidades, muitas organiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o criando melhores maneiras e ferramentas para ajudar-se mutuamente. O <a href=\"https:\/\/casafluminense.org.br\/organizacoes-e-liderancas-da-baixada-fluminense-lancam-manifesto-cobrando-medidas-de-prevencao-ao-coronavirus\/\">#CoronaNaBaixada<\/a> re\u00fane cerca de 100 organiza\u00e7\u00f5es na Baixada Fluminense, e suas a\u00e7\u00f5es se dividem em tr\u00eas frentes: (1) compartilhar experi\u00eancias de solidariedade local; (2) disseminar estrat\u00e9gias para orientar os residentes a ficar em casa; (3) estabelecer contatos com os meios de comunica\u00e7\u00e3o e autoridades p\u00fablicas, a fim de tornar vis\u00edveis os problemas enfrentados por esses territ\u00f3rios e monitorar as medidas que est\u00e3o sendo adotadas.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o metropolitana de Curitiba, o <a href=\"https:\/\/terradedireitos.org.br\/noticias\/noticias\/fotografia-da-resistencia-mapa-virtual-reune-iniciativas-solidarias-e-comunidades-vulneraveis-de-curitiba\/23304\">Mapa da Solidariedade<\/a> (organizado por pesquisadores da UTFPR, do Centro de Forma\u00e7\u00e3o Urbano Rural Irm\u00e3 Ara\u00fajo e Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles &#8211; Curitiba) organiza dados e informa\u00e7\u00f5es georreferenciadas sobre vulnerabilidades e a\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia \u00e0 crise do Covid-19 na periferia. O mapa \u00e9 ferramenta essencial ao dar visibilidade a um grande n\u00famero de iniciativas de pequeno porte e desconhecidas de boa parte da popula\u00e7\u00e3o, e ao desconstruir a narrativa de que a periferia \u00e9 desorganizada e passiva no enfrentamento \u00e0 pandemia.<\/p>\n<p>No Complexo de favelas da Mar\u00e9, um bairro com 140 mil habitantes da Zona Norte da capital fluminense, o <a href=\"http:\/\/datalabe.org\">data_labe<\/a>, uma organiza\u00e7\u00e3o de m\u00eddia, dados e educa\u00e7\u00e3o formada por 15 jovens de diversos territ\u00f3rios e repert\u00f3rios, vem desenvolvendo, desde antes da pandemia, o <a href=\"http:\/\/cocozap.datalabe.org\">Coc\u00f4zap<\/a> \u2013 um projeto de mapeamento, incid\u00eancia e participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 sobre saneamento b\u00e1sico em favelas. Atrav\u00e9s de den\u00fancias dos moradores via WhatsApp o projeto mapeia viola\u00e7\u00f5es de direitos sanit\u00e1rios, promove encontros comunit\u00e1rios e produz reportagens com base em dados p\u00fablicos e hist\u00f3rias da comunidade.\u00a0 O data_labe pode ser entendido como um desses novos movimentos sociais, organizados pela juventude a partir de suas refer\u00eancias conceituais e est\u00e9ticas que aproximam tecnologia e consci\u00eancia de classe; empoderamento racial e pol\u00edticas p\u00fablicas; direitos humanos e empreendedorismo, horizontalidade e modelo de neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>No contexto da pandemia, diante da impossibilidade das articula\u00e7\u00f5es corpo a corpo, o arranjo sociot\u00e9cnico que sustenta o Coc\u00f4zap (e, indiretamente, os problemas de saneamento da Mar\u00e9, assim como as pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es do data_labe) precisou ser reconsiderado. Desde a implementa\u00e7\u00e3o das medidas de isolamento social no Rio, o grupo tem se articulado para produzir narrativas sobre a centralidade dos debates e dados envolvendo a precariza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os sanit\u00e1rios nas favelas do pa\u00eds e as consequ\u00eancias disso para a sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis. \u00c9 uma tentativa, tamb\u00e9m, de se conectar \u00e0s redes de solidariedade, informa\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes, e fortalecer la\u00e7os que j\u00e1 existiam, como mencionamos anteriormente.<\/p>\n<p>Os dados e as a\u00e7\u00f5es (pol\u00edticas e de solidariedade), mediadas por algumas ferramentas, parecem estar formando uma nova frente de ativismo pol\u00edtico nas favelas e periferias. V\u00e1rias das iniciativas que levantamos aqui fazem parte do que temos entendido como \u201crevolu\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica dos dados\u201d que assume um papel importante no engajamento e na capacidade de incid\u00eancia dos moradores de favelas e periferias nas pol\u00edticas locais. A ideia central dos coletivos, organiza\u00e7\u00f5es e projetos parecem disputar a narrativa que se criou em torno dos dados: num extremo, vulnerabiliza os usu\u00e1rios das plataformas digitais, redes sociais e aplicativos de todo tipo; e noutro, credibiliza quem quer que apresente dados para comprovar fal\u00e1cias e mentiras na rede.<\/p>\n<p>Todas essas a\u00e7\u00f5es e possibilidades de articula\u00e7\u00e3o, mediadas ou n\u00e3o por tecnologias, parecem se alinhar a um dos cen\u00e1rios propostos por Rafael Evangelista no segundo texto da s\u00e9rie Lavits_Covid-19, <a href=\"https:\/\/lavits.org\/lavits_covid19-02-a-distopia-da-aceleracao-esta-a-caminho\/\">\u00aba distopia de acelera\u00e7\u00e3o est\u00e1 a caminho?\u00bb<\/a>, que se desenham em meio \u00e0 emerg\u00eancia de rea\u00e7\u00e3o \u00e0 crise: o de ruptura. A pandemia global e in\u00e9dita que estamos vivendo \u00e9 resultado de cat\u00e1strofes ambientais, pol\u00edticas econ\u00f4micas pr\u00e9 anunciadas e que agora exigem rupturas. Certamente ser\u00e1 uma disputa injusta diante dos contextos de exce\u00e7\u00e3o e acelera\u00e7\u00e3o apresentados por Rafael. Elas podem vir desorganizadas diante das estruturas criadas pelos sistemas financeiros e pelas grandes corpora\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 nas periferias que as rupturas se tornam concretas, no \u00abterrit\u00f3rio usado\u00bb e no \u00abhumanismo concreto\u00bb de Ana Clara Torres Ribeiro. Os exemplos que trouxemos aqui s\u00e3o parte de um movimento ainda desigual mas fundamental para o entendimento de um futuro pr\u00f3ximo cuja centralidade deveria ser a conquista de comunidades mais justas, sustent\u00e1veis e felizes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*<b>Gilberto Vieira<\/b> \u00e9 co-fundador e gestor do <a href=\"http:\/\/datalabe.org\">data_labe<\/a>, mestre em Cultura e Territorialidades pela <a href=\"http:\/\/www.ppcult.uff.br\">Universidade Federal Fluminense<\/a>.<\/p>\n<p>*<b>Debora Pio<\/b> \u00e9 doutoranda em Comunica\u00e7\u00e3o na UFRJ, pesquisadora do <a href=\"http:\/\/medialabufrj.net\/\">Medialab<\/a> e coordenadora do <a href=\"https:\/\/www.nossas.org\/\">Nossas<\/a>, laborat\u00f3rio de ativismo do qual o Meu Rio faz parte.<\/p>\n<p>*<b>Rodrigo Firmino<\/b> \u00e9 doutor em Planejamento Urbano pela <a href=\"http:\/\/www.ncl.ac.uk\">Newcastle University<\/a>, pesquisador do <a href=\"https:\/\/www.pucpr.br\/escola-de-arquitetura-e-design\/mestrado-doutorado\/gestao-urbana\/\">Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o Urbana<\/a>, da <a href=\"http:\/\/www.pucpr.br\">Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 (PUCPR)<\/a>, e membro da Rede Lavits. Em parceria com Andres Luque-Ayala (Durham University), Rodrigo coordena pesquisa sobre ativismo digital e ambientes urbanos, financiada pela British Academy, e que tem o data_labe e o Coc\u00f4Zap como estudos de caso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><b>S\u00e9rie Lavits_Covid19<\/b><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A <strong>Lavits_Covid19: Pandemia, tecnologia e capitalismo de vigil\u00e2ncia<\/strong> \u00e9 um exerc\u00edcio de reflex\u00e3o sobre as respostas tecnol\u00f3gicas, sociais e pol\u00edticas que v\u00eam sendo dadas \u00e0 pandemia do novo coronav\u00edrus, com especial aten\u00e7\u00e3o aos processos de controle e vigil\u00e2ncia. Tais respostas levantam problemas que se furtam a sa\u00eddas simples. A s\u00e9rie nos convoca a reinventar ideias, corpos e conex\u00f5es em tempos de pandemia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Gilberto Vieira, Debora Pio e Rodrigo Firmino* \u201cO ator proposto \u2212 pensado literalmente de baixo para cima, corporificado e territorializado \u2212, corresponde, potencialmente, ao circuito inferior reconhecido por Milton [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":8292,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"_EventAllDay":false,"_EventTimezone":"","_EventStartDate":"","_EventEndDate":"","_EventStartDateUTC":"","_EventEndDateUTC":"","_EventShowMap":false,"_EventShowMapLink":false,"_EventURL":"","_EventCost":"","_EventCostDescription":"","_EventCurrencySymbol":"","_EventCurrencyCode":"","_EventCurrencyPosition":"","_EventDateTimeSeparator":"","_EventTimeRangeSeparator":"","_EventOrganizerID":[],"_EventVenueID":[],"_OrganizerEmail":"","_OrganizerPhone":"","_OrganizerWebsite":"","_VenueAddress":"","_VenueCity":"","_VenueCountry":"","_VenueProvince":"","_VenueState":"","_VenueZip":"","_VenuePhone":"","_VenueURL":"","_VenueStateProvince":"","_VenueLat":"","_VenueLng":"","_VenueShowMap":false,"_VenueShowMapLink":false,"footnotes":""},"categories":[978],"tags":[],"tematica":[914,911,920,924,926,936,940,944],"destaque":[],"class_list":["post-9327","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-lavits_covid19-es","tematica-infraestruturas-tecnologicas-es","tematica-infraestruturas-urbanas-es","tematica-lutas-sociais-es","tematica-politicas-publicas-es","tematica-protecao-de-dados-es","tematica-tecnologia-e-sociedade-es","tematica-tecnopoliticas-es","tematica-urbano-es"],"blocksy_meta":{"styles_descriptor":{"styles":{"desktop":"","tablet":"","mobile":""},"google_fonts":[],"version":6}},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9327","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9327"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9327\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9328,"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9327\/revisions\/9328"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8292"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9327"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9327"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9327"},{"taxonomy":"tematica","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tematica?post=9327"},{"taxonomy":"destaque","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/destaque?post=9327"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}