{"id":9380,"date":"2019-10-30T09:19:07","date_gmt":"2019-10-30T12:19:07","guid":{"rendered":"https:\/\/lavits.bemvindo.co\/da-investigacao-de-problemas-a-construcao-de-artefatos-politica-do-prototipo\/"},"modified":"2019-10-30T09:19:07","modified_gmt":"2019-10-30T12:19:07","slug":"da-investigacao-de-problemas-a-construcao-de-artefatos-politica-do-prototipo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lavits.org\/es\/da-investigacao-de-problemas-a-construcao-de-artefatos-politica-do-prototipo\/","title":{"rendered":"Da investiga\u00e7\u00e3o de problemas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de artefatos: pol\u00edtica do prot\u00f3tipo"},"content":{"rendered":"<p>Texto originalmente publicado no site do <a href=\"https:\/\/trama.pimentalab.net\/archives\/122\"><strong>Pimentalab<\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"entry-content\">\n<p>Na primeira metade do nosso percurso mapeamos e investigamos alguns problemas que nos tocam e que atravessam nossos territ\u00f3rios existenciais. Desde os preparativos para nosso primeiro encontro\u00a0 (quando lan\u00e7amos algumas perguntas); nas atividades coletivas realizadas (dias 1-3), e durante uma primeira experimenta\u00e7\u00e3o de campo (dia 4), procuramos criar situa\u00e7\u00f5es que promovessem algum tipo de deslocamento experiencial. Neste fase inicial era importante promover a cria\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos sens\u00edveis entre pessoas desconhecidas integrantes do lab, e tamb\u00e9m criar algum conhecimento compartilhado sobre alguns aspectos do territ\u00f3rio e como eles nos afetam.<\/p>\n<p>Agora ensaiamos outro passo. Queremos experimentar a hip\u00f3tese segundo a qual a passagem de um fazer anal\u00edtico-discursivo (no qual estamos muito habituados) para um fazer pr\u00e1tico-experimental nos proporcionar\u00e1 outros caminhos de investiga\u00e7\u00e3o e de modos de associa\u00e7\u00e3o (formas de estar juntxs). Enquanto pesquisadorxs nossa aposta \u00e9 que a cria\u00e7\u00e3o de um prot\u00f3tipo oferecer\u00e1 situa\u00e7\u00f5es interessantes (inter-esses) de produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos e de a\u00e7\u00e3o. Denominamos essa pr\u00e1tica de \u201cpol\u00edtica do prot\u00f3tipo\u201d:<\/p>\n<p>\u201cPrototipar \u00e9 uma pr\u00e1tica que torna o laborat\u00f3rio o espa\u00e7o de uma dupla experimenta\u00e7\u00e3o: um modo de conhecer e um modo de intervir politicamente no mundo. \u00c9 isso que torna o laborat\u00f3rio, na acep\u00e7\u00e3o de Lafuente e diversos grupos que atuam neste campo, um espa\u00e7o de inven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O prot\u00f3tipo \u00e9 aqui compreendido como express\u00e3o da passagem de uma cultura do protesto para uma cultura da experimenta\u00e7\u00e3o\u201d [Sobre <a href=\"https:\/\/pimentalab.milharal.org\/2017\/12\/04\/a-politica-do-comum-e-do-prototipo-duas-alternativas-ao-mal-estar-contemporaneo\/\">Pol\u00edtica do Comum e do Prot\u00f3tipo<\/a>]<\/p>\n<p>Em nosso pr\u00f3ximo encontro (02\/11) pretendemos escolher uma\/duas propostas de a\u00e7\u00e3o coletiva que possam disparar um fazer-prot\u00f3tipo. Afinal, o laborat\u00f3rio \u00e9 tamb\u00e9m o local de uma opera\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica, onde se fabricam coisas, rela\u00e7\u00f5es, artefatos, comunidades.<\/p>\n<p>Quando nos propormos a fazer algo juntxs somos obrigadxs a resolver muitas coisas e para isso precisamos de conhecimentos e habilidades diversas. Pra come\u00e7ar (e talvez a mais dif\u00edcil): como habitar um problema e enfrent\u00e1-lo coletivamente? A realiza\u00e7\u00e3o de algo juntx implica na necessidade de inven\u00e7\u00e3o de uma linguagem, acordos, ritmos e infraestruturas compartilhadas. Temos que fabricar um mundo comum e as infraestruturas que lhe d\u00e3o suporte e exist\u00eancia durante essa a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para fazer algo juntxs tamb\u00e9m somos \u201cobrigados\u201d a colocar em suspens\u00e3o um conjunto de diverg\u00eancias que, no plano discursivo s\u00e3o infinitas. Este fazer nos convida, portanto, a uma certa generosidade que podemos denominar convivialidade. As tecnologias de produ\u00e7\u00e3o do Comum s\u00e3o tecnologias conviviais!<\/p>\n<p>Para este encontro precisamos levar algumas id\u00e9ias\/propostas de a\u00e7\u00e3o que possam ser trabalhadas na forma de um prot\u00f3tipo: uma a\u00e7\u00e3o coletiva provis\u00f3ria, tentativa, inacabada, mas que proponha experimentar no aqui-agora uma outra forma de \u201chabitar\u201d o territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Uma das maneiras que propomos de fazer isso \u00e9 atrav\u00e9s da inven\u00e7\u00e3o de algum arranjo sociot\u00e9cnico: uma nova rela\u00e7\u00e3o social, um artefato, uma tecnologia, uma forma de cuidar, uma nova rede de intera\u00e7\u00f5es, um contra-dispositivo etc. E para criar algo temos que pesquisar o existente, os problemas, os recursos necess\u00e1rios, suas t\u00e9cnicas e regula\u00e7\u00f5es, os bloqueios, enfim, compreender como fazer as coisas \u201cfuncionarem\u201d a nosso favor. S\u00f3 assim podemos encontrar e fabricar brechas inesperadas, contra-dispositivos.<\/p>\n<p>\u201co problema de cada pr\u00e1tica \u00e9 como ampliar sua pr\u00f3pria for\u00e7a, fazer presente o que provoca os praticantes a pensar, sentir e agir. \u00c9 um problema que pode produzir um tipo de agrupamento experimental entre pr\u00e1ticas, uma din\u00e2mica de aprendizado pragm\u00e1tico sobre o que funciona e como funciona. Um tipo de est\u00edmulo\/suporte (fostering) ativo \u201cdo meio\u201d que os praticantes necessitam para serem capazes de responder aos desafios e experimentar mudan\u00e7as, ou seja, desdobrar sua pr\u00f3pria for\u00e7a\u201d (tradu\u00e7\u00e3o nossa, Stengers, 2005, p.195).<\/p>\n<p>Imaginamos uma a\u00e7\u00e3o em tr\u00eas dimens\u00f5es n\u00e3o lineares: 1. Conhecer melhor o problema; 2. Reconhecer e mapear as pot\u00eancias de cria\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o do Comum j\u00e1 existentes: conhecimentos\/saberes; pr\u00e1ticas; espa\u00e7os, pessoas; 3. Imaginar\/prototipar modos de promo\u00e7\u00e3o\/fortalecimento das pot\u00eancias identificadas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m indicamos alguns requisitos para nossos prot\u00f3tipos: demanda uma a\u00e7\u00e3o que esteja ao meu alcance, responsabilizo-me pela realiza\u00e7\u00e3o daquilo que proponho; interdepend\u00eancia e colabora\u00e7\u00e3o, uma a\u00e7\u00e3o que promova a coopera\u00e7\u00e3o dos demais participantes do laborat\u00f3rio; trata problemas que nos afetam e nos interpelam, e se relacionam aos nossos territ\u00f3rios existenciais.<br \/>\nNo encontro deste s\u00e1bado as pessoas poder\u00e3o apresentar as propostas de prot\u00f3tipos.<\/p>\n<p>Durante a atividade, vamos trabalhar mais no esbo\u00e7o dos prot\u00f3tipos que deve conter minimamente: a descri\u00e7\u00e3o do problema\/situa\u00e7\u00e3o sobre o qual ele atua; a descri\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de sua realiza\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 necess\u00e1rio para ele existir, funcionar?; um plano de cria\u00e7\u00e3o: como ele pode ser produzido?;quais conhecimentos, rela\u00e7\u00f5es e habilidades s\u00e3o necess\u00e1rias?<\/p>\n<p>Em seguida os esbo\u00e7os devem ser submetidos \u00e0 \u201cprova\u201d. A discuss\u00e3o aqui deve ajudar a proponente a elaborar uma vis\u00e3o mais complexa do seu prot\u00f3tipo. Uma fez realizada as apresenta\u00e7\u00f5es devemos escolher os prot\u00f3tipos que melhor respondem \u00e0s nossas necessidades e desejos. Evidentemente isso vai gerar um bom conflito, mas vamos nos esfor\u00e7ar pra criar converg\u00eancias, misturas e contamina\u00e7\u00f5es entre os prot\u00f3tipos. O ideal \u00e9 que possamos chegar a um ou dois projetos que poder\u00e3o ser trabalhados entre todxs, evitamos assim a dispers\u00e3o e mantemos um ambiente de aprendizado coletivo.<\/p>\n<p>Teremos o restante do percurso do laborat\u00f3rio destinado \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o dos prot\u00f3tipos, modelos concretos que \u201cfuncionem\u201d (os indicadores de \u201cfuncionamento\u201d s\u00e3o tamb\u00e9m decis\u00f5es pol\u00edticas e coletivas). O esfor\u00e7o de prototipar \u00e9 portador de uma outra sensibilidade pol\u00edtica. Atuar no sentido de realizar um prot\u00f3tipo e verificar as condi\u00e7\u00f5es de sua viabilidade exige uma pr\u00e1tica a favor do mundo, que acontece com este mundo. Inspirados em Simondon aprendemos a levar a s\u00e9rio a t\u00e9cnica e os modos de associa\u00e7\u00e3o entre humanos e n\u00e3o-humanos:<\/p>\n<p>\u201ca tecnicidade faz parte do mundo, ela n\u00e3o \u00e9 somente um conjunto de meios, mas um conjunto de condicionamentos da a\u00e7\u00e3o e de incita\u00e7\u00f5es \u00e0 a\u00e7\u00e3o; por estarem permanentemente \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, a ferramenta ou o instrumento n\u00e3o t\u00eam poder normativo; o poder normativo das redes t\u00e9cnicas aumenta junto com a resson\u00e2ncia interna da atividade humana nas realidades t\u00e9cnicas (Simondon apud Ferreira, 2015, p.121).<\/p>\n<p>Acredita-se demasiadamente no poder discursivo e na capacidade da mobiliza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. Mas o poder \u00e9 sobretudo log\u00edstico, \u00e9 maqu\u00ednico, funcional, pragm\u00e1tico. Em nossas vidas o poder se inscreve e se realiza mediante dispositivos materiais-simb\u00f3licos, humanos e n\u00e3o-humanos. Nossas a\u00e7\u00f5es realizam-se com t\u00e9cnicas e artefatos. Cotidianamente nos confrontamos com pr\u00e1ticas, procedimentos e tecnologias que se instalam em nossa vida como dispositivos que se apresentam como neutros (\u201cp\u00f3s-ideol\u00f3gicos\u201d). Todavia, h\u00e1 evidentemente princ\u00edpios e valores que participam das rela\u00e7\u00f5es tecnicamente mediadas. A capacidade de captura e ades\u00e3o a um dispositivo depende de sua efic\u00e1cia pr\u00e1tica e de sua capacidade de tornar-se desej\u00e1vel, uma arte de composi\u00e7\u00e3o junto \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es emergentes num campo de poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Por isso, interessa-nos essas experi\u00eancias que transbordam da a\u00e7\u00e3o exclusivamente reivindicativa para a constru\u00e7\u00e3o de prot\u00f3tipos e novos arranjos sociot\u00e9cnicos. Isso n\u00e3o \u00e9 novidade! Muitos coletivos e comunidades sempre fizeram isso e s\u00f3 continuam existindo como coletivos porque s\u00e3o capazes de reinventar continuamente as infraestruturas que d\u00e3o suporte a seus modos de exist\u00eancia.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto originalmente publicado no site do Pimentalab &nbsp; Na primeira metade do nosso percurso mapeamos e investigamos alguns problemas que nos tocam e que atravessam nossos territ\u00f3rios existenciais. 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