{"id":9459,"date":"2019-06-04T14:43:46","date_gmt":"2019-06-04T17:43:46","guid":{"rendered":"https:\/\/lavits.bemvindo.co\/escolas-na-mira-das-corporacoes-da-internet\/"},"modified":"2022-05-19T17:23:49","modified_gmt":"2022-05-19T20:23:49","slug":"escolas-na-mira-das-corporacoes-da-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lavits.org\/es\/escolas-na-mira-das-corporacoes-da-internet\/","title":{"rendered":"Escolas na mira das corpora\u00e7\u00f5es da internet"},"content":{"rendered":"<p>\u201cCrie rimas sobre as ferramentas do <em>Google for Education<\/em>\u00a0e torne-se um Rap-baixador no Brasil\u201d. \u00c9 com esta chamada que o Google se dirige a professores, sugerindo que eles incentivem seus alunos a fazer rimas sobre as ferramentas do\u00a0<em>Google for Education<\/em>\u00a0e tamb\u00e9m que gravem suas manifesta\u00e7\u00f5es. A proposta, entretanto, n\u00e3o explicita como e nem para qu\u00ea os v\u00eddeos ser\u00e3o utilizados. Segundo especialistas, a falta de transpar\u00eancia e a aus\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es detalhadas \u00e9 exemplar do grau de liberdade com que as empresas de tecnologia t\u00eam atuado nas escolas brasileiras. No horizonte da empresa estaria a coleta de dados dos usu\u00e1rios norteada pelo capitalismo de vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p>As poucas informa\u00e7\u00f5es que constam no e-mail enviado aos professores dizem respeito \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es de envio das grava\u00e7\u00f5es, bem como a divulga\u00e7\u00e3o nas redes sociais. A empresa sugere os temas: inova\u00e7\u00e3o escolar, a import\u00e2ncia da tecnologia e da alfabetiza\u00e7\u00e3o digital e experi\u00eancias dos alunos utilizando as ferramentas do Google e\u00a0<em>Google for Education<\/em>. \u201cMas \u00e9 importante saber que n\u00e3o h\u00e1 limites: queremos suas m\u00fasicas, ideias, dan\u00e7as, mensagens mais interessantes e originais!\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com a comunica\u00e7\u00e3o, a escola cujos estudantes fizerem as rimas mais criativas ser\u00e1 convidada para participar de um evento em Bras\u00edlia, no dia 11 de junho, intitulado \u201cInovar para Brasil: Construindo a educa\u00e7\u00e3o do futuro em Bras\u00edlia\u201d. Segundo o chamado, o evento ir\u00e1 reunir l\u00edderes educacionais do pa\u00eds. No entanto, uma pesquisa no pr\u00f3prio buscador do Google n\u00e3o apresenta resultados sobre este evento.<\/p>\n<p>Para Jamila Venturini, que \u00e9 membra da Rede Latino-americana de Estudos sobre Vigil\u00e2ncia, Tecnologia e Sociedade (Lavits) e do coletivo Intervozes e autora do livro\u00a0<em>Recursos Educacionais Abertos no Brasil: o campo, os recursos e sua apropria\u00e7\u00e3o em sala de aula?<\/em>, a falta de transpar\u00eancia na proposta do Google \u00e9 uma amostra de como as corpora\u00e7\u00f5es atuam dentro das escolas no Brasil. \u201cElas v\u00e3o atuar dentro da escola do mesmo modo que atuam fora, ou seja, orientadas por interesses comerciais. S\u00e3o corpora\u00e7\u00f5es ligadas ao Norte Global, que n\u00e3o t\u00eam nenhuma rela\u00e7\u00e3o com as pol\u00edticas educacionais brasileiras e n\u00e3o compartilham as preocupa\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia no Brasil\u201d, pondera.<\/p>\n<p>A pesquisadora tamb\u00e9m aponta para uma \u201cpromiscuidade\u201d na rela\u00e7\u00e3o entre capital e Estado no que diz respeito \u00e0 liga\u00e7\u00e3o entre as corpora\u00e7\u00f5es e a educa\u00e7\u00e3o no Brasil. \u201cAl\u00e9m de terem a possibilidade de acumular dados que n\u00e3o sabemos como ser\u00e3o utilizados, eles est\u00e3o sugerindo que os usu\u00e1rios fa\u00e7am propaganda de forma volunt\u00e1ria\u201d, analisa. \u201c\u00c9 como se eles estivessem convocando uma massa de estudantes e professores para fazer propaganda para eles, gratuitamente. Isso tamb\u00e9m diz muito sobre o funcionamento dessas empresas, que acabam construindo seu valor a partir do trabalho n\u00e3o-remunerado dos pr\u00f3prios usu\u00e1rios\u201d, completa ela.<\/p>\n<p>Para Jamila, al\u00e9m de alimentar os bancos de dados das empresas, tornando-os mais acurados e precisos na forma\u00e7\u00e3o de perfis de consumo (o que resulta em um aumento do valor de mercado), as parcerias entre corpora\u00e7\u00f5es e educa\u00e7\u00e3o configuram uma forma de expans\u00e3o daquilo que \u00e9 chamado de capitalismo de vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Jamila tamb\u00e9m destaca a import\u00e2ncia de compreender o contexto de ascens\u00e3o dos acordos entre grandes empresas e escolas. \u201cNo in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, com a expans\u00e3o (desigual) das TICs e da Internet, novos agentes para al\u00e9m da academia passaram a pautar como deveria ocorrer a introdu\u00e7\u00e3o dessas tecnologias no espa\u00e7o escolar e com quais objetivos. O Banco Mundial adota a narrativa de que \u00e9 necess\u00e1rio preparar a for\u00e7a de trabalho (dos pa\u00edses do Sul) para a \u2018sociedade do conhecimento\u2019 e cria-se uma oposi\u00e7\u00e3o entre o que seria a \u2018aprendizagem tradicional\u2019 e a \u2018aprendizagem permanente\u2019\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com ela, essas narrativas v\u00e3o ser, posteriormente, base para o impulsionamento de propostas neoliberais para reformar a educa\u00e7\u00e3o, em diversos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. A pesquisadora acredita que a despolitiza\u00e7\u00e3o e instrumentaliza\u00e7\u00e3o das tecnologias abriram espa\u00e7os para que os interesses comerciais permeassem em grande parte os projetos de uso educacional das Tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o (TICs).<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre o Google e as escolas est\u00e1 circunscrita em uma s\u00e9rie de acordos que a empresa tem feito com as secretarias de educa\u00e7\u00e3o de estados e munic\u00edpios. O governo de S\u00e3o Paulo foi um dos primeiros a contratar o Google e suas aplica\u00e7\u00f5es educacionais, em 2013. Em 2015, o mesmo aconteceu em Rio Grande do Sul. Em 2017, foi a vez do Par\u00e1. Esses acordos pavimentam a entrada dos alunos nas aplica\u00e7\u00f5es Google, com todas as quest\u00f5es de privacidade e uso de dados derivadas. A Lavits j\u00e1 vem h\u00e1 algum tempo\u00a0<a href=\"https:\/\/lavits.org\/?s=google&amp;lang=pt\">acompanhando<\/a>\u00a0esses acordos.<\/p>\n<p>A Lavits questionou o Google sobre para qu\u00ea e como ser\u00e3o utilizados os v\u00eddeos que os professores enviarem, qual a finalidade deste chamado, se os participantes do \u201cconcurso\u201d t\u00eam informa\u00e7\u00f5es sobre as condi\u00e7\u00f5es em que os v\u00eddeos ser\u00e3o apresentados, qual a idade dos alunos que ser\u00e3o filmados e se a empresa orienta os professores a pedir autoriza\u00e7\u00e3o dos pais desses alunos. Al\u00e9m disso, a rede solicitou informa\u00e7\u00f5es sobre o evento \u201cConstruindo a educa\u00e7\u00e3o do futuro em Bras\u00edlia\u201d e sobre quem s\u00e3o \u201cos principais l\u00edderes educacionais do Brasil\u201d mencionados na mensagem. At\u00e9 o fechamento desta reportagem, as perguntas n\u00e3o haviam sido respondidas.<\/p>\n<h4><strong>Outros contextos, quest\u00f5es semelhantes<\/strong><\/h4>\n<p>O servi\u00e7o educacional do Google foi lan\u00e7ado em 2007 e atualmente conta com mais de 70 milh\u00f5es de usu\u00e1rios, entre alunos, professores e funcion\u00e1rios de institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o escolar b\u00e1sica, t\u00e9cnica e de ensino superior, privadas ou p\u00fablicas, em cerca de 190 pa\u00edses. No artigo\u00a0<em>Infraestruturas, Economia e Pol\u00edtica Informacional: o Caso do Google Suite For Education,<\/em>Henrique Zoqui Martins Parra (membro da Lavits), Leonardo Cruz (membro da Lavits), Tel Amiel e Jorge Machado indicam poss\u00edveis efeitos sociopol\u00edticos da ado\u00e7\u00e3o de infraestruturas e servi\u00e7os de tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o corporativos no ambiente universit\u00e1rio no Brasil.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, as escolhas pol\u00edticas\/tecnol\u00f3gicas feitas por institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de ensino devem ser refletidas criticamente, j\u00e1 que seus efeitos d\u00e3o forma ao capitalismo de vigil\u00e2ncia. \u201cOs modernos telefones celulares possuem diversos sensores que mapeiam nosso ambiente e geram informa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o prontamente utilizadas pelo mercado para estabelecer padr\u00f5es sobre nossos gostos, comportamentos, deslocamentos e h\u00e1bitos de compra \u2013 e, se poss\u00edvel, prediz\u00ea-los e control\u00e1-los. Portanto, mais do que monitorar, essas informa\u00e7\u00f5es d\u00e3o amplos subs\u00eddios para que nosso comportamento \u2013 econ\u00f4mico, pol\u00edtico e social \u2013 seja influenciado com diferentes fins\u201d, alertam.<\/p>\n<p>O artigo aponta para uma \u201cnaturaliza\u00e7\u00e3o\u201d das escolhas t\u00e9cnicas e pol\u00edticas. Quando uma plataforma\/servi\u00e7o passa a ser utilizada em massa, criando uma onda de ado\u00e7\u00e3o em rede, h\u00e1 uma constru\u00e7\u00e3o \u201cinvis\u00edvel\u201d de uma infraestrutura, que possui implica\u00e7\u00f5es que n\u00e3o est\u00e3o claras para o conjunto dos agrupamentos e da sociedade, de maneira geral. As op\u00e7\u00f5es ganham ares de \u201cinevitabilidade\u201d.<\/p>\n<p>Para Parra, Cruz, Amiel e Machado, o estabelecimento de uma infraestrutura est\u00e1 apoiado em um processo que implica, ao mesmo tempo, em efeitos imediatos e no ocultamento permanente de alternativas. \u00a0\u201cH\u00e1 dificuldade de apreender como as escolhas individuais participam da cria\u00e7\u00e3o de um grande arranjo sociot\u00e9cnico e os efeitos da ado\u00e7\u00e3o dessas tecnologias s\u00e3o raramente problematizados, numa aparente n\u00e3o-escolha, algo \u2018natural\u2019 ou uma \u2018realidade\u2019\u201d, afirmam.<\/p>\n<p>\u201cQuanto vale o gratuito?\u201d \u00e9 um importante questionamento apresentado no texto, porque a gratuidade \u00e9 um argumento bastante utilizado para a ado\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os\/plataformas de grandes corpora\u00e7\u00f5es como o Google e a Microsoft. As poss\u00edveis respostas incluem, de uma perspectiva cr\u00edtica, refletir sobre o fato de que \u201c(\u2026) a principal fonte de renda da empresa \u00e9 o marketing customizado para o usu\u00e1rio. Gra\u00e7as \u00e0 enorme capacidade de coletar, agregar e analisar informa\u00e7\u00f5es sobre padr\u00f5es de busca, de navega\u00e7\u00e3o, das formas de visualiza\u00e7\u00e3o, deslocamentos, enfim, tudo que fazemos quando estamos conectados atrav\u00e9s da plataforma Google ou com os sistemas Android em smartphones, a capacidade de coleta de dados torna-se gigantesca\u201d, como apontam os pesquisadores.<\/p>\n<p>Estes dados v\u00e3o servir para a cria\u00e7\u00e3o de perfis de consumos, que s\u00e3o conjuntos de informa\u00e7\u00f5es que interessam ao mercado. \u201cEm resumo, atrav\u00e9s da an\u00e1lise do que fazemos online (e tamb\u00e9m offline) o Google, como outras empresas (Facebook), vende publicidade sob diversas formas para o perfil identificado dos usu\u00e1rios. Mas Google tamb\u00e9m faz fortuna de outras maneiras: venda de servi\u00e7os pagos (aqueles gratuitos tamb\u00e9m s\u00e3o oferecidos comercialmente com algumas diferen\u00e7as), venda de dados para outras empresas, servi\u00e7os de mapas, an\u00e1lise de dados, dentre outros servi\u00e7os\u201d, completam eles.<\/p>\n<p>\u201cEsse conjunto de acordos reflete a vulnerabilidade especial dos pa\u00edses do Sul frente \u00e0 expans\u00e3o do capitalismo de vigil\u00e2ncia\u201d, afirma outro membro da Lavits, o antrop\u00f3logo Rafael Evangelista, do Laborat\u00f3rio de Estudos Avan\u00e7ados em Jornalismo da Unicamp. Segundo ele, os gestores p\u00fablicos dos pa\u00edses mais pobres e em crise s\u00e3o pressionados a reduzirem os investimentos em educa\u00e7\u00e3o num contexto de reformas neoliberalizantes. Assim, abdicariam de fortalecer infra-estruturas informacionais pr\u00f3prias e fazer investimentos em tecnologias em favor de solu\u00e7\u00f5es prontas e aparentemente gratuitas, o que s\u00f3 refor\u00e7a a assimetria de poder entre o Sul e o Norte Global. Evangelista \u00e9 autor de uma resenha do livro\u00a0<em>The Age of Surveillance Capitalism<\/em>\u00a0(A Era do Capitalismo de Vigil\u00e2ncia), de Shoshana Zuboff, que explora o conceito de capitalismo de vigil\u00e2ncia, e que foi\u00a0<a href=\"https:\/\/ojs.library.queensu.ca\/index.php\/surveillance-and-society\/article\/view\/13132\">publicada<\/a>\u00a0na revista\u00a0<em>Surveillance &amp; Society.<\/em><\/p>\n<p>Por <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/internetemdisputa\/escolas-na-mira-das-corporacoes-da-internet\/\"><strong>Outras Palavras<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cCrie rimas sobre as ferramentas do Google for Education\u00a0e torne-se um Rap-baixador no Brasil\u201d. \u00c9 com esta chamada que o Google se dirige a professores, sugerindo que eles incentivem seus [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":7758,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"_EventAllDay":false,"_EventTimezone":"","_EventStartDate":"","_EventEndDate":"","_EventStartDateUTC":"","_EventEndDateUTC":"","_EventShowMap":false,"_EventShowMapLink":false,"_EventURL":"","_EventCost":"","_EventCostDescription":"","_EventCurrencySymbol":"","_EventCurrencyCode":"","_EventCurrencyPosition":"","_EventDateTimeSeparator":"","_EventTimeRangeSeparator":"","_EventOrganizerID":[],"_EventVenueID":[],"_OrganizerEmail":"","_OrganizerPhone":"","_OrganizerWebsite":"","_VenueAddress":"","_VenueCity":"","_VenueCountry":"","_VenueProvince":"","_VenueState":"","_VenueZip":"","_VenuePhone":"","_VenueURL":"","_VenueStateProvince":"","_VenueLat":"","_VenueLng":"","_VenueShowMap":false,"_VenueShowMapLink":false,"footnotes":""},"categories":[644],"tags":[],"tematica":[865,897],"destaque":[],"class_list":["post-9459","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-clipping-2-es","tematica-capitalismo-de-plataforma-es","tematica-educacao-e-tecnologia-es"],"blocksy_meta":{"styles_descriptor":{"styles":{"desktop":"","tablet":"","mobile":""},"google_fonts":[],"version":6}},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9459","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9459"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9459\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9460,"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9459\/revisions\/9460"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7758"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9459"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9459"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9459"},{"taxonomy":"tematica","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tematica?post=9459"},{"taxonomy":"destaque","embeddable":true,"href":"https:\/\/lavits.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/destaque?post=9459"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}