{"id":9733,"date":"2016-02-05T09:58:14","date_gmt":"2016-02-05T12:58:14","guid":{"rendered":"https:\/\/lavits.bemvindo.co\/internet-territorio-perdido\/"},"modified":"2016-02-05T09:58:14","modified_gmt":"2016-02-05T12:58:14","slug":"internet-territorio-perdido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lavits.org\/es\/internet-territorio-perdido\/","title":{"rendered":"Internet, territ\u00f3rio perdido?"},"content":{"rendered":"<p><em>Talvez o esfor\u00e7o para dar sentido p\u00f3s-capitalista \u00e0s redes sociais seja v\u00e3o. Por sua pr\u00f3pria estrutura, elas prestam-se ao consumo e \u00e0 disputa f\u00fatil e egoica \u2014 mas n\u00e3o \u00e0 cr\u00edtica e \u00e0s alternativas<\/em><\/p>\n<p><em>Uma provoca\u00e7\u00e3o de Rafael Evangelista, publicado originalmente no site <a href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/posts\/internet-territorio-perdido\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">OutrasPalavra<\/a>s<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_1276\" aria-describedby=\"caption-attachment-1276\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/texto-rafa-internet-territorio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1276\" src=\"https:\/\/lavits.org\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/texto-rafa-internet-territorio-400x266.jpg\" alt=\"Cr\u00e9dito: Site OutrasPalavras\" width=\"400\" height=\"266\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1276\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Site OutrasPalavras<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que as redes sociais se mostram como uma fissura na represa de informa\u00e7\u00f5es dos grandes grupos de m\u00eddia, o di\u00e1logo que se d\u00e1 por meio delas parece cada vez mais confuso, por vezes violento e produtor de rupturas e rivalidades pouco construtivas. As pe\u00e7as de informa\u00e7\u00e3o alternativa, escritas a partir do ponto de vista dos sujeitos historicamente explorados, quando submetidas aos filtros sociais, de mercado, ou dos algoritmos das redes propriet\u00e1rias, v\u00e3o tendo dois destinos igualmente ruins: ou desaparecem num mar de irrelev\u00e2ncia e futilidades; ou s\u00e3o t\u00e3o simplificadas, para viralizarem ou se tornarem os populares memes, que pouco servem para produzir transforma\u00e7\u00f5es sociais necess\u00e1rias. Viram item para ati\u00e7ar torcidas, d\u00e3o margem a persegui\u00e7\u00f5es pessoalizadas que atingem desnecessariamente indiv\u00edduos quando deveriam mirar as estruturas. Propagam-se por serem de consumo f\u00e1cil, tendo como combust\u00edvel emo\u00e7\u00f5es exacerbadas.<\/p>\n<p>J\u00e1 faz uns anos, montei uma disciplina de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o que se prop\u00f5e \u2014 entre outras coisas, mas fundamentalmente \u2014 a analisar duas figuras populares da fic\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea: o ciborgue e o zumbi. Claro, os encontros s\u00e3o recheados de cenas de sangue e circuitos, miolos e chips, mas est\u00e3o baseados principalmente em dois textos acad\u00eamicos filiados aos estudos culturais: um \u00e9 o popular Manifesto Ciborgue (ou Manifesto para os Ciborgues, como preferem alguns), de Donna Haraway; e uma resposta ou cria\u00e7\u00e3o a partir dele, muito menos conhecida mas tamb\u00e9m interessante e provocativa, o Manifesto Zumbi, de Sarah Lauro e Karen Embry. Ciborgues e zumbis, como tratados a partir dessa literatura, podem nos ajudar a falar dessa balb\u00fardia que se tornou o di\u00e1logo pol\u00edtico contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>Ciborgues e zumbis<\/p>\n<p>Escrito em meados da d\u00e9cada de 1980, o Manifesto Ciborgue \u00e9 uma aposta no ru\u00eddo, contra os essencialismos e pela comunica\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 sintonizado com as quest\u00f5es do feminismo do per\u00edodo, que se indaga sobre as identidades \u2013 e divis\u00f5es \u2013 de classe, \u00e9tnicas e de origem. Contudo, suas respostas v\u00e3o muito al\u00e9m disso, colocando em xeque a separa\u00e7\u00e3o entre natureza e cultura. Pode parecer contradit\u00f3rio advogar pelo ru\u00eddo e falar em comunica\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo, mas trata-se de produzir novas s\u00ednteses que superem as categorias absolutas, fechadas. \u00c9 um trabalho em favor da racionalidade e que se constr\u00f3i a partir de condi\u00e7\u00f5es materiais. De suma import\u00e2ncia \u00e9 a intelig\u00eancia, entendida na mesma chave da ideia dos sistemas de intelig\u00eancia da cibern\u00e9tica, capazes de produzir coisas novas a partir de informa\u00e7\u00f5es atualizadas constantemente.<\/p>\n<p>O ciborgue \u00e9 invocado por ter a ver com a tecnoci\u00eancia contempor\u00e2nea, mas principalmente por suas caracter\u00edsticas h\u00edbridas. Ele n\u00e3o \u00e9 o rob\u00f4, totalmente de ferro, a\u00e7o e chips. Ele integra tecnologia \u00e0 carne, n\u00e3o est\u00e1 nem l\u00e1 nem c\u00e1, n\u00e3o \u00e9 nem humano nem m\u00e1quina, sendo ao mesmo tempo os dois. Haraway recupera essa figura inspirada pela fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica feminista, capaz de produzir, a partir da imagina\u00e7\u00e3o, essas s\u00ednteses que apontam para o futuro. O ciborgue \u00e9 menos importante como objeto, hoje alvo de um certo fetiche de um futuro tecnout\u00f3pico, e mais como imagem de algo dif\u00edcil de ser classificado e produto marginal de tempos atuais. \u201cAs hist\u00f3rias feministas sobre ciborgues t\u00eam a tarefa de recodificar a comunica\u00e7\u00e3o e a intelig\u00eancia a fim de subverter o comando e o controle\u201d.<\/p>\n<p>A escrita, em sentido amplo (literatura, c\u00f3digo computacional, imagens etc), tem papel destacado como a\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o de outras s\u00ednteses. \u201cDisputas em torno dos significados da escrita s\u00e3o uma forma importante da luta pol\u00edtica contempor\u00e2nea. Liberar o jogo da escrita \u00e9 uma coisa extremamente s\u00e9ria\u201d, diz ela. \u201cA escrita \u00e9, preeminentemente, a tecnologia dos ciborgues \u2013 superf\u00edcies gravadas do final do s\u00e9culo XX. A pol\u00edtica do ciborgue \u00e9 a luta pela linguagem, \u00e9 a luta contra a comunica\u00e7\u00e3o perfeita, contra o c\u00f3digo \u00fanico que traduz todo significado de forma perfeita \u2013 o dogma central do falogocentrismo. \u00c9 por isso que a pol\u00edtica do ciborgue insiste no ru\u00eddo e advoga a polui\u00e7\u00e3o, tirando prazer das ileg\u00edtimas fus\u00f5es entre animal e m\u00e1quina.\u201d<\/p>\n<p>O Manifesto Zumbi vai em outra dire\u00e7\u00e3o. Seu foco est\u00e1 mais nas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e de trabalho \u2013 que tamb\u00e9m est\u00e3o no texto de Haraway, mas dividem espa\u00e7o com quest\u00f5es dos movimentos de minorias. Embora reverentes ao legado do texto de Haraway, as autoras partem de uma critica ao ciborgue. Este teria como ponto positivo o abandono dos discursos essencialistas sobre o corpo, mas manteria a identifica\u00e7\u00e3o com uma posi\u00e7\u00e3o de sujeito iluminista, em que as transforma\u00e7\u00f5es s\u00e3o poss\u00edveis por meio da a\u00e7\u00e3o dos sujeitos livres.<\/p>\n<p>Independente da validade ou n\u00e3o da cr\u00edtica, o interessante do texto de Lauro e Embry \u00e9 a apropria\u00e7\u00e3o, como \u201cimagina\u00e7\u00e3o ir\u00f4nica\u201d, feita das hist\u00f3rias sobre os zumbis. As autoras mostram como essa figura, tanto em sua vers\u00e3o original haitiana como nos filmes de terror, est\u00e1 ligada, ao mesmo tempo, \u00e0 escravid\u00e3o e \u00e0 revolta escrava. O zumbi era um escravo, um humano vivo que, submetido a magia, parecia morto e era enterrado, para ent\u00e3o ser tirado da cova pelo autor da magia que ganhava um servo. Reanimado, mas sem consci\u00eancia. Como o ciborgue, mas com o sinal trocado, ele \u00e9 uma figura limite: move-se como os vivos, embora seja incapaz de reconhecer o mundo \u2014 como os mortos. \u00c9 o corpo aprisionado unicamente ao trabalho, com a mente completamente alienada de suas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O zumbi foi importado pelo cinema B hollywoodiano em meados dos anos 1940, mas se tornou popular nas m\u00e3os do diretor George Romero, que deu \u00e0 figura os contornos que conhecemos hoje. Durante os anos 1960, contempor\u00e2neo ao movimento dos direitos civis nos EUA, Romero usou dos zumbis para produzir alegorias sobre segrega\u00e7\u00e3o \u00e9tnico-racial, imigra\u00e7\u00e3o, consumismo, militarismo e para fazer cr\u00edticas ao capitalismo. O zumbi \u00e9 sempre a massa, violenta, brutalizada, sem intelig\u00eancia. O outro, o diferente, cujo comportamento nos parece animal e irracional, e cuja fala \u00e9 mero grunhido.<\/p>\n<p>Lauro e Embry apegam-se ao zumbi como imagem do p\u00f3s-humano, s\u00edmbolo do antisujeito. Eles n\u00e3o est\u00e3o organizados sob um comando central, o que os move \u00e9 a \u00e2nsia por carne humana. Toda organiza\u00e7\u00e3o ali \u00e9, na verdade, n\u00e3o-organiza\u00e7\u00e3o, pura emerg\u00eancia; n\u00e3o h\u00e1 comunica\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia ou reelabora\u00e7\u00e3o. Quando atacam uma casa ou um pr\u00e9dio, n\u00e3o vencem por estrat\u00e9gia, mas por n\u00famero, pelo excesso. A fome nunca se sacia e s\u00e3o, ao mesmo tempo, uma m\u00e1quina de consumo e de produ\u00e7\u00e3o. Consomem a carne e tamb\u00e9m produzem mais consumidores de carne, num processo de destrui\u00e7\u00e3o da vida consciente que \u00e9 tamb\u00e9m produ\u00e7\u00e3o de mais zumbis. Trabalham reproduzindo sua condi\u00e7\u00e3o de zumbi que \u00e9, em si, homogeinizadora e destruidora de qualquer ordem anterior.<\/p>\n<p>\u201cNuma era em que o capitalismo global fecha todas as tentativas de escape do sistema, a \u00fanica op\u00e7\u00e3o \u00e9 desligar o sistema e os indiv\u00edduos que nele est\u00e3o\u201d, escrevem as autoras, numa conclus\u00e3o dist\u00f3pica e radical. No entanto, a posi\u00e7\u00e3o delas pode ser lida como resposta ir\u00f4nica, ou seja, em lugar de uma efetiva solu\u00e7\u00e3o para um problema, um apontamento sobre os limites das alternativas j\u00e1 dadas. Sem elas, a op\u00e7\u00e3o seria a destrui\u00e7\u00e3o do sistema, ao qual a no\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduo liberal seria inerente.<\/p>\n<p>Voltado \u00e0s redes e aos seus debates<\/p>\n<p>Aqui, muito mais modestamente e fazendo refer\u00eancia ao objeto elencado no in\u00edcio do texto, a imagem do zumbi talvez possa ser usada como uma esp\u00e9cie de alerta.<\/p>\n<p>As redes, os softwares, assim como todos os objetos, t\u00eam uma certa arquitetura, um desenho, que sugere um determinado uso. \u00c9 claro, sempre \u00e9 poss\u00edvel resistir e inventar novos usos, mas mesmo essa resist\u00eancia encontra limita\u00e7\u00f5es materiais e qualquer outro uso diferente do \u201crecomendado\u201d ser\u00e1 marginal. A maior parte dos usu\u00e1rios tende a seguir o que o desenho manda.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o ent\u00e3o \u00e9 nos indagarmos sobre o que sugere a arquitetura dos softwares de comunica\u00e7\u00e3o e sobre qual tem sido o comportamento das pessoas frente a essas estruturas. Se essas redes de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o constru\u00eddas como plataformas para impulsionar o consumo de mercadorias (do mundo real ou informacionais), at\u00e9 que ponto estamos conseguindo resistir a esse desenho e estamos produzindo s\u00ednteses inteligentes frente ao ru\u00eddo que nos \u00e9 apresentado? Estamos conseguindo nos comunicar efetivamente em redes cujas progressivas modifica\u00e7\u00f5es no c\u00f3digo s\u00e3o voltadas para a maximiza\u00e7\u00e3o dos lucros?<\/p>\n<p>A grande maioria dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, sejam os comerciais ou os alternativos, hoje s\u00e3o altamente dependentes das redes sociais para propagarem seus conte\u00fados. Estrategicamente, as not\u00edcias atualmente s\u00e3o formatadas para se acoplarem nas redes, para viralizarem. A mat\u00e9ria ca\u00e7a-clique virou quest\u00e3o de vida ou morte para os ve\u00edculos. O que n\u00e3o \u00e9 compartilhado pelos usu\u00e1rios acaba soterrado em meio a avalanche de memes, listas e manchetes em forma de pegadinha. Dezenas de novos projetos informativos surgiram recentemente mas, para sobreviverem, s\u00e3o obrigados a repetirem os formatos mais simplistas e que permitam a sobreviv\u00eancia na rede. A alta oferta acaba sendo a da informa\u00e7\u00e3o mais irrelevante, b\u00e1sica ou mesmo mentirosa, muitas vezes compartilhada por pessoas que nem se deram ao trabalho de clicar no link.<\/p>\n<p>Nesse ponto a analogia ciborgue-zumbi talvez nos caiba. Como mortos-vivos, vamos consumindo o que ainda existe de carne viva e compartilhando-a em forma de imagem-meme ou conceito\/xingamento reducionista, porque isso viraliza, tem forma compartilh\u00e1vel, pode ser lido e assimilado em uma fra\u00e7\u00e3o de segundo e com a aten\u00e7\u00e3o de nossos interlocutores dividida em outras tantas telas. O ru\u00eddo dissonante que tanto agrada a Haraway acaba descartado ou ignorado, porque requer processamento, intelig\u00eancia, s\u00edntese de coisas novas. Pede por uma outra atitude mental e de aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Podemos pensar, tamb\u00e9m, o zumbi haitiano como modelo do trabalho sem sal\u00e1rio realizado pelos usu\u00e1rios nas redes. Hipnotizados, entretidos com a exposi\u00e7\u00e3o coletiva dos \u201ceus\u201d de nossos \u201camigos\u201d, fazemos o of\u00edcio de compartilhamento e categoriza\u00e7\u00e3o do que circula, das informa\u00e7\u00f5es e de n\u00f3s mesmos. As redes conseguem lucro pelas publicidades direcionadas a que somos submetidos e cujo combust\u00edvel s\u00e3o os nossos dados pessoais: as buscas de informa\u00e7\u00f5es que fizemos, nossas intera\u00e7\u00f5es com os outros e o perfil que ativamente constru\u00edmos.<\/p>\n<p>Em lugar de construirmos pontes entre n\u00f3s, de nos embrenharmos no processo de escrita, de processamento, intelig\u00eancia e cria\u00e7\u00e3o, estamos envolvidos, talvez porque a arquitetura das redes sociais assim nos sugere, na reprodu\u00e7\u00e3o da \u201ccomunica\u00e7\u00e3o perfeita\u201d, para usar a express\u00e3o de Haraway. Perfeita n\u00e3o porque correta ou verdadeira, mas porque se encaixa em tudo o que j\u00e1 est\u00e1 dado, em caixinhas que j\u00e1 est\u00e3o prontas: coxinha, petralha, governista, rea\u00e7a, feminazi, mimimi. Toda fala j\u00e1 est\u00e1 previamente classificada. Algum tipo de simplifica\u00e7\u00e3o classificat\u00f3ria seria relativamente normal \u2014 \u00e9 isso que nos permite navegar pelos textos com alguma rapidez, ainda mais com a avalanche de informa\u00e7\u00f5es a que somos submetidos diariamente . Mas quando o procedimento torna-se regular no debate p\u00fablico, em ve\u00edculos importantes e populares, trata-se de uma degrada\u00e7\u00e3o preocupante.<\/p>\n<p>O comportamento acaba n\u00e3o se restringindo \u00e0s redes, porque a divis\u00e3o estanque entre online e offline \u00e9, em si, falsa. As conversas presenciais acabam repetindo parte dos mesmos padr\u00f5es zumbi, d\u00e3o-se nos (e com os) mesmos termos e padr\u00f5es. A cena de pessoas, fora da internet, conversando a partir das mesmas express\u00f5es e memes usados nas redes j\u00e1 foi explorada em esquetes de humor e pode ser parcialmente observada no cotidiano, em vers\u00f5es menos caricatas, especialmente em c\u00edrculos sociais mais conectados, ainda que altamente escolarizados.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s potencialidade pol\u00edticas e aos rumos que a comunica\u00e7\u00e3o via internet vem tomando frequentemente esbarra em uma r\u00e9plica que se d\u00e1 em termos absolutos ou anacr\u00f4nicos. Por mais que ela tenha sido constru\u00edda com padr\u00f5es abertos e favorecendo a colabora\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria, muito aconteceu dos anos 1990 para c\u00e1. O sucesso comercial implica em capacidade de compra de mais estrutura f\u00edsica, for\u00e7a de trabalho e espa\u00e7o na m\u00eddia tradicional. E a maior parte dos projetos de sucesso comercial foi constru\u00edda com esse prop\u00f3sito em mente, captar dinheiro. O capitalismo impulsiona a si mesmo, em seus termos.<\/p>\n<p>A infra-estrutura da internet pode ser basicamente a mesma, mas a web evoluiu sob o signo do com\u00e9rcio. Inicialmente tentando vender objetos, hoje transformando o fluxo de informa\u00e7\u00f5es em ativo financeiro. \u00c9 preciso pensar sobre as potencialidades e os limites de se fazer um debate p\u00f3s-capitalista no seio das redes capitalistas. A carnificina zumbi certamente \u00e9 popular, mas o bom debate nem sempre gera cliques.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talvez o esfor\u00e7o para dar sentido p\u00f3s-capitalista \u00e0s redes sociais seja v\u00e3o. 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