Lavits_Covid19_#17: Vigiar e punir… por telefone celular: prerrogativa varonil sobre as mulheres

Por Graciela Natansohn*

 

“A história masculina é a história da violência”, afirma Rita Segato (2018). O que parece um exagero, uma sentença produto da indignação emocional e moral, vai tomando substância e consistência em forma de dados quando se pesquisa sobre feminicídio, estupro e violências contra as mulheres nas sociedades ocidentais modernas. Exibição de arbítrio, espetáculo de soberania territorial, manifestação de “dueñidad” (como traduzir essa figura lingüística do espanhol que fala de algo assim como ser dono e senhor, sem trair demais o pesado sentido original dado por Segato?) sobre um território que é o corpo das mulheres – corpo que é jurisdição à vez que é símbolo dessa posse – a violência se escreve no corpo como numa vitrine, um quadro branco a céu aberto, para comunicar ao resto a capacidade viripotente de fazer sofrer e controlar. As estruturas elementares da violência funcionam de duas formas interconectadas, avalia Segato (2010). Uma, vertical, operando através de vínculos de hierarquia e status. Outra, horizontal, mediante relações de aliança ou competição, formando um esquema único, porém instável, que precisa reafirmar-se todo o tempo. A primeira pode ser caracterizada pelas relações de submissão e dominação – tal como as de gênero mas não só elas – enquanto a segunda, por relações de contrato entre semelhantes (entre homens cuja masculinidade é a hegemônica, p.e.). Deste feito, os ataques em ambiências digitais podem ser lidos como enunciados que performam tanto para as vítimas – no eixo vertical- quanto mais, para os co-enunciadores presentes no quadro interlocutório da vítima – eixo horizontal – que, nas plataformas digitais, garantirá ampla ressonância.

Sobre essa dimensão expressiva, comunicativa, desses ataques, caracterizados pela antropóloga como típicas manifestações da gramática masculinista a partir das suas análises dos feminicídios frequentes em Ciudad Juarez, no norte de México (que ela chama de femigenocídios), vou tecer algumas ideias ainda preliminares sobre a crueldade machista contra as mulheres em ambientes digitais e as formas como algumas coletivas feministas as têm encarado (SEGATO, 2018).

Ataques em redes sociais digitais têm sido a principal arma política do governo Bolsonaro contra adversários, jornalistas, influenciadores digitais ou contra qualquer oposição que se manifeste virtualmente, seja qual for a nuance ideológica que tiver[1]. O ódio, a raiva e a perseguição em formato digital se profissionalizaram e aperfeiçoaram como política paragovernamental, ao ponto do STF mandar bloquear, em medida bastante controversa, várias contas de Twitter ligadas ao muito bem chamado “gabinete do ódio” instalado no Planalto[2]. A partir das esferas governamentais se legitimam práticas “haters” na Internet, levadas à frente pelos indivíduos e largamente observadas e analisadas a partir da consolidação das plataformas como espaços privilegiados da comunicação social. Com a chegada da pandemia de Covid-19 a reclusão doméstica para conter o contágio fez aumentar o tráfego da Internet enquanto recrudesceram as violências contra as mulheres, em casa e no espaço on-line, como já foi analisado neste mesmo espaço (ARAÚJO, PRADO e KANASHIRO, 2020).

Uma nota do jornal O Globo, com dados de SaferNet, informa que as denúncias de violência digital e discriminação contra mulheres cresceram 21,27% em abril de 2020, dois meses após o reconhecimento oficial do início da pandemia, em comparação ao mesmo período do ano passado, com 667 registros. Dos casos de exposição de imagens íntimas houve um aumento de 154,90%, com 130 denúncias no último mês (Abril 2020), das quais, 70% das vítimas são mulheres (RAMOS, 2020). Outras fontes reportam que as transmissões de lives na plataforma Zoom estão sendo hackeadas (DEMARTINI, 2020), especialmente as que se referem a temas como gênero, racismo e injustiças sociais. Mulheres indígenas, negras, trans e em situação de pobreza são as mais afetadas por esses ataques, que devem ser compreendidos como um continuum de violências offline e online. O site da Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), entidade composta por 50 organizações de mulheres negras de todo o Brasil foi hackeado[3]. Como declararam em uma postagem no Facebook:

O site da AMNB é um espaço virtual que serve como ferramenta para disseminar narrativas, denúncias de casos de racismo, violações de direitos humanos, reflexões e ações dos movimentos de mulheres negras do Brasil e do mundo. É sabido por toda sociedade brasileira que o recrudescimento do racismo no cotidiano das pessoas tem gerado reações violentas também nos espaços online” (AMNB,2020).

 

Uma reunião virtual com mais de 70 mulheres que discutia sobre racismo foi invadida com suásticas e vídeos de decapitação, imagens de cabeças sendo cortadas, um homem se masturbando, pedidos de morte às mulheres. Esses episódios seguem um padrão semelhante ao de outros ataques registrados no país. Debates sobre divulgação científica da SBPC, outro sobre negritude – na UFBA -, um webinário sobre Atlântico Negro – na Unicamp – foram interrompidos por ofensas racistas e saudações nazistas[4]. Áudios e mensagens de texto com mensagens ofensivas e ameaças a indígenas do Mato Grosso foram compartilhados em grupos de WhatsApp[5]. Os atos de “zoombombings” (como são chamados os trolls no Zoom) visam tanto pequenas organizações de mulheres como encontros online organizados pela ONU Mulheres[6]. A lista pode continuar, é longa e fácil de mapear pois os movimentos sociais têm articulado redes de denúncias.

SaferNet[7] é a única organização no Brasil que sistematiza dados em escala nacional, mas não enfocam apenas no gênero nem detalham ataques ou discriminam por orientação sexual, raça, território, idade ou qualquer outro marcador social das agredidas. Utilizam uma categoria única (violência ou discriminação contra mulheres em plataformas corporativas) e realizam um balanço anual, somente, a exceção deste ano atípico, quando fizeram o balanço em Abril de 2020. SaferNet Brasil havia publicado em fevereiro passado, quando se comemorou o Dia Mundial da Internet Segura, dados de uma pesquisa sobre denúncias de crimes online contra mulheres durante 2019, antes da pandemia. Registraram 16.717 denúncias, o que significa um aumento de 1.639,54% em relação a 2018. Dos casos atendidos pelo Canal de Ajuda de SaferNet Brasil, segundo Rosa (2019), as cinco principais categorias de delitos foram: divulgação não consentida de imagens íntimas (nudes), 669 casos; ciberbullying, 407 casos; fraudes e golpes, 242 casos; problemas de dados pessoais, 215 casos e conteúdos violentos, 112 casos. A quantidade de casos atendidos sobre divulgação de “nudes” e “sextorsão” cresceu 131,49% apenas em um ano. Casos de ciberbullying e intimidação virtual aumentaram de 13,4% em relação a 2017, sendo as mulheres, as mais afetadas (68%) e a maioria são de mulheres de mais de 25 anos (60%).

Há pouca produção de dados fundamentados sobre violências de gênero em ambientes digitais e devemos considerar, ainda, a altíssima subnotificação desse tipo de ação. Quem mora nas capitais tem um acesso diferencial à Internet e às redes de apoio e as determinações de raça, classe, gênero, orientação sexual, território e idade incidem muito na capacidade de defesa e denúncia, visto que determinam também o acesso, o uso e as diferentes apropriações. Há sim uma crescente preocupação expressa em comentários, denúncias, debates em redes sociais e em meios jornalísticos. Pesquisas são, quase sempre, realizadas com poucos recursos por coletivas feministas, tecnofeministas ou entidades não governamentais, a exceção de alguns países como México, onde foi incluído de forma experimental na pesquisa sobre uso de TIC, a partir de 2015, um módulo temático sobre ciberassédio[8]. Paradoxalmente, o ciberassédio foi definido sem fazer referência ao gênero, como um “ato intencional, seja por parte de um indivíduo ou um grupo, tendo como finalidade fazer dano ou incomodar a uma pessoa, mediante o uso de TIC, especificamente na Internet ou telefone celular” (INEGI, 2019) . Não obstante, os resultados falam por si: as mulheres foram as mais assediadas, mediante propostas sexuais (40.3%). Das vítimas que conseguiram identificar o gênero do agressor, 61.8% dos homens e 54.8% das mulheres manifestou que se tratava de um homem[9]. Esses procedimentos analíticos e metodológicos que ignoram as iniquidades de gênero constituem tecnologias de encobrimento e invisibilização da crueldade e hostilidade misógina denunciada aos gritos pelas mulheres. Funcionam como aparelhos de produção de figuras da “dueñidad” masculinista, camuflando e dissimulando dados e estatísticas produzidas pelo Estado.

O empenho por obter diagnósticos realistas e exaustivos sobre a violência contra mulheres que se manifesta usando meios digitais visam, em geral, mapear a legislação nacional sobre o tema, mapear e documentar em detalhe o tipo de agressão para tipificá-la, e coletar informação sobre o perfil das afetadas. Procura-se conhecer em profundidade o fenômeno, suas formas, canais e estratégias usadas pelos agressores, e o perfil dos agressores. Também há preocupação com as estratégias e recursos desenvolvidos pelas mulheres perante estas agressões, em mapear e conhecer que tipo de defesas e proteções podem ser ativadas. Nós estamos nesse empenho[10], cientes das estreitas margens de manobra perante fenômenos estruturais como o machismo e o racismo. Ainda que condutas hostis possam proceder tanto de desconhecidos como do ambiente familiar da vítima, há de destacar-se a importância de caracterizá-las como parte de um continuum de violências offline e online. Por isso, quando o Internet Governance Forum[11], em 2015, reconhece que a violência contra as mulheres, incluindo a doméstica ou intra-familiar, pode assumir a forma de um ato isolado ou de padrão de comportamento abusivo que pode ocorrer durante um período de tempo, que constitui um padrão de violência contra as mulheres e pode incluir atos como ciberbullying e ciberstalking, está reconhecendo essa conduta como parte dessas estruturas elementares da violência das quais fala Segato, e da responsabilidade dos Estados para prevenir, enfrentar e proteger as vítimas.

Vigilância, uma noção elástica

No relatório publicado recentemente pela organização chilena Acoso.online (2020), coordenado por Paz Peña O., a violência doméstica em contexto digital foi definida como uma “tecnologia de facilitação do controle coercitivo” – numa tradução livre de “technology facilitated coercive control” (TFCC) –, termo sugerido por Dragiewicz et al (2018) em relação a agressões e abusos por parceiros íntimos atuais ou anteriores, facilitados pela mídia digital. Esse controle coercitivo é usado pelos agressores para tentar intimidar, mas também para gerenciar, dominar e isolar as vítimas. Delanie Woodlock, citada por Peña O., afirma que os perpetradores de violência doméstica aplicam tecnologias de três maneiras para usar seu poder coercitivo sobre as mulheres, sendo uma delas a criação de uma sensação de vigilância onipresente:

Os perpetradores querem que as mulheres saibam que estão sob constante vigilância. Assim, o agressor usa tecnologias móveis para criar uma sensação de ser sempre presente na vida da vítima. Isso pode incluir atos como chamadas e mensagens contínuas e todos formas de tecnologia para rastrear mulheres, incluindo o uso de tecnologia móvel GPS, bem como a vigilância da atividade online da vítima através das redes sociais. Outra forma é usar tecnologia para isolar as mulheres de seus sistemas de apoio por meio de assédio direto ou indireto de amigos e familiares, incluindo mensagens de texto, exclusão ou desativação de suas contas do Facebook, etc. O terceiro um é o uso da tecnologia para punir e humilhar as mulheres; por exemplo, postar mensagens abusivas ou comentários para difamar e embaraçar as vítimas. O objetivo final desse comportamento é rebaixar mulheres a ponto de calá-las (PEÑA,op.cit. p. 06).

            “Silenciamento ativo” é outra forma para descrever as estratégias patriarcais que se desenvolvem ao longo da história para calar as vozes das mulheres como mecanismo de reprodução do poder (BEARD, apud GUIMON, 2018). Em outro texto escrito junto a Florencia Goldsman (2018), caracterizamos a vigilância via dados como um dos dois tipos de violências digitais de gênero. Essa vigilância, invisível, está implícita na arquitetura da rede na medida em que propicia um sistemático e massivo sistema de rastreamento, coleta e análise de dados das usuárias, para alimentar o modelo de negócios da Internet, e que vem sendo exaustivamente analisado nesta rede LAVITS. Como estratégia de segurança dos governos, a vigilância pode afetar direitos das mulheres, particularmente as envolvidas na defesa dos direitos humanos e dos direitos reprodutivos, como o acesso ao aborto legal, à educação sexual e à luta antirracista.

Os outros tipos de violências, localizadas no plano das interações (doxing, assédio, sextorsão, ameaças, roubo de identidade, publicação de imagens sem consentimento, etc.), que são objeto das análises deste texto, foram descritas e tipificadas no relatório realizado por Coding Rights e InternetLab (2017) e têm uma perceptível dimensão de vigilância. Cabe observar como a vigilância, nesse último sentido, não é apenas uma certeza abstrata, um saber genérico ou uma suspeita de que, talvez, estamos sendo rastreadas. É muito mais do que isso, é a convicção de que nosso agressor está à espreita, que pode aparecer em qualquer momento, assaltar a intimidade do nosso quarto, controlar nossa vida mas sem a ter certeza desde onde. O controle funciona como uma tecnologia escópica cujo poder é ver tudo sem ser visto. Isso tem efeitos físicos e psicológicos conhecidos. Ansiedade, depressão, alterações no sono, frustração, impotência, medo. Há, inclusive, casos de suicídio documentados. A autocensura é outro dos efeitos mais frequentes. Sair da Internet por algum tempo (silenciar) é uma das medidas defensivas mais tomadas, tolhendo o direito de habitar esses espaços. Muitas dessas agressões poderiam ser enquadradas legalmente como violência “psicológica” – particularmente as que são perpetradas por pessoas próximas em relação de (suposto) afeto, tipificadas na Lei Maria da Penha. É o tipo de coação de ordem moral das mais generalizadas no que se refere ao sistema de gênero/raça, por sua extensão, naturalização e capilaridade.

O terror sexual é uma das estratégias mais utilizadas pelos agressores. Ameaças de estupro são moeda corrente, tanto dos ex-parceiros como dos desconhecidos. Segato compara a violência masculinista com a mafiosa, no sentido de que opera como uma linguagem e no marco de uma confraria; a estrutura da masculinidade dominante seria análoga ao pacto corporativo da máfia, cujas regras marcam a apropriação diferencial de prestígio e poder. Tal como a família branca heterossexual monogâmica, os pactos societários de gênero e de raça são ativos produtores de diferenças como desigualdades e hierarquias. Pactos mafiosos exigem fidelidade e ser varão branco é uma hierarquia que precisa ser renovada, testada e aprovada pelos pares. O feminicídio e o estupro são interpretados como um intercâmbio de mensagens entre os confrades e Segato se distancia de explicações advindas de alguma relação com o prazer, o desejo ou a sexualidade. Se algum investimento libidinal existe, diz, está colocado no pacto corporativo masculino-branco-mafioso e não no corpo da vítima expiatória. “Que estuprem e matem as filhas dos ordinários ministros”, leu o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes em uma postagem do Facebook, escrito por uma mulher – advogada, branca, bolsonarista[12] – quando emitiu parecer favorável ao inquérito que investiga ataques por meio de fake news. A inversão de gênero dos protagonistas desse exemplo é provocativa, mas ilustra algo importante: não falamos de homens e mulheres em sentido essencialista senão como posições de sujeito na trama patriarcal que os interpela, porém, de forma desigual. O estupro é um enunciado, um mandato e condição necessária para a reprodução das relações gênero enquanto estrutura de poder colonial-patriarcal. Além de um crime à integridade física, obviamente, a crueldade da ameaça coloca a vítima no cenário da moral social. A ameaça proferida ao ministro não está dirigida ao sujeito do enunciado (suas filhas), senão que forma parte dessa interlocução horizontal no interior da estrutura da máfia patriarcal. Por isso, “quando as políticas públicas se centram mais no perpetrador [da violência], olvidando-se do intenso processo de comunicação do ato violento, com certeza, muito do essencial é deixado de lado, impedindo a eficácia das ações” (PEREIRA, 2007).

Soluções parciais: cuidar, cuidar-se e reduzir danos digitais

Cuidados digitais, em sentido estrito, é a denominação de um conjunto de estratégias de segurança digital elaboradas e divulgadas por ativistas feministas na Internet, como forma de defesa e prevenção de danos produto de ataques virtuais contra mulheres e grupos minorizados. Em sentido amplo, é o termo usado por essas coletivas para abordar as estratégias coletivas de relação vivencial nos ambientes tecnologizados. Por isso, os chamam de “cuidados integrais”, onde integram-se recursos técnicos com a formação de redes de apoio e/ou comunidades de cuidados de si e das outras. O fenômeno pode ser interpretado como uma reconversão, no ambiente digital, de uma longa tradição feminista sobre a noção de “cuidado”, como um conjunto de práticas baseadas na herança discursiva da ética feminista, principalmente pelos aportes produzidos pelas análises interseccionais e a reivindicação da sororidade como um ethos de resistência. Observamos que os cuidados digitais, quando abordados por coletivas feministas na Internet, vêm sendo interpretados por meio de uma noção mais ampla que a tecnológica. Os saberes sobre cuidados digitais se emolduram numa filosofia do bem viver reivindicada pelos povos tradicionais das Américas/Abya Yala e pelas mulheres negras no Brasil, que entende as tecnologias e a Internet como um habitat no qual integram-se e confluem-se o direito a uma vida offline e online livre de violências, o direito à cidadania, à saúde física e emocional, à autoestima e empoderamento coletivo, ao saber técnico e cultural onde o tecnológico não é externo ou apenas instrumento, mas uma das formas de viver o contemporâneo.

“Cuidar de si mesma, cuidarmos umas das outras, deixarmo-nos ser cuidadas, retribuir o cuidado recebido; compartilhar as nossas emoções… enxergamos o cuidado entre as ativistas como um tipo de intervenção política que nos possibilita lidar com elementos e situações que bloqueiam nossas trajetórias de transformações subjetivas” (OLIVEIRA E DORDEVIC, 2015, p. 16-17). O autocuidado entre mulheres (mulheres em sentido amplo, não cisheteronormativo nem etnocêntrico) pode ser um ato político coletivo que contribua a fragilizar o pacto fratricida patriarcal branco do qual as plataformas corporativas de redes sociais são cúmplices e sócias, instaurando uma outra interlocução horizontal, talvez porque não, desconectada da Internet. Pelo menos, dessa Internet que virou ferramenta do amo, pura dueñidad.

Notas

[1] https://www.bbc.com/portuguese/brasil-51511316

[2] https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2020/07/30/interna_politica,876991/moraes-manda-twitter-bloquear-contas-de-investigados-no-stf.shtml

[3] https://www.facebook.com/amnboficial/

[4] https://www.bbc.com/portuguese/brasil-53030511

[5] https://www.bbc.com/portuguese/brasil-53541373

[6] https://www.pikaramagazine.com/2020/05/trolls-pandemicos/

[7] https://www.safernet.org.br/site/institucional/projetos/cnd

[8] O Instituto Nacional de Estadística y Geografía (INEGI) de México realiza, desde 2015 e em forma experimental, o Módulo sobre Ciberacoso (MOCIBA). É uma parte da Encuesta Nacional sobre Disponibilidad y Uso de las Tecnologías de la Información en los Hogares (ENDUTIH).

[9] https://www.inegi.org.mx/contenidos/saladeprensa/boletines/2020/EstSociodemo/MOCIBA-2019.pdf

[10] Projeto “Covid 19 – Violencia digital de género en Brasil durante la pandemia”, coordenado por @Periféricas-SSA e o Grupo de Pesquisa Gig@/UFBA, com apoio do Fondo de Respuesta Rápida da ONG Derechos Digitales.

[11] Internet Governance Forum (IGF). 2015. Best Practice Forum (BPF) on Online Abuse and Gender-Based Violence Against Women. Disponível em https://www.intgovforum.org/cms/documents/best-practiceforums/ 623-bpf-online-abuse-and-gbv-against-women/file.

[12] https://revistaforum.com.br/politica/advogada-bolsonarista-publica-nas-redes-que-estuprem-e-matem-as-filhas-dos-ordinarios-ministros-do-stf/

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* Graciela Natansohn é Professora Associada da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia e docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas. Suas pesquisas e produções concentram-se na interseção entre a comunicação digital e o feminismo: questões de gênero nas tecnologias digitais e no jornalismo; ciber-hack-transfeminismos e tecnofeminismos. Graduada em Jornalismo (Universidad Nacional de La Plata, Argentina,1984) e Licenciatura em Comunicação Social ( Universidad Nacional de La Plata, Argentina , 1987), mestrado (1998) e doutorado (2003) em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia. Pós-doutorados em Universidad Nacional de Buenos Aires/UBA (Argentina, 2012-2013) e Universidad Nacional Autónoma de México/UNAM (Méixco, 2019-2020). Coordena o grupo de Pesquisa em Gênero, Tecnologias Digitais e Cultura (GIG@/UFBA).

Série Lavits_Covid19

A Lavits_Covid19: Pandemia, tecnologia e capitalismo de vigilância é um exercício de reflexão sobre as respostas tecnológicas, sociais e políticas que vêm sendo dadas à pandemia do novo coronavírus, com especial atenção aos processos de controle e vigilância. Tais respostas levantam problemas que se furtam a saídas simples. A série nos convoca a reinventar ideias, corpos e conexões em tempos de pandemia.